The Project Gutenberg EBook of Memoria sobre a cultura da Urumbeba e sobre
criao da Cochonilha, by Claude-Louis Berthollet

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Title: Memoria sobre a cultura da Urumbeba e sobre criao da Cochonilha

Author: Claude-Louis Berthollet

Release Date: June 26, 2012 [EBook #40093]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

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Cultura da Urumbeba




MEMORIA
SOBRE A CULTURA
DA
URUMBEBA,
E SOBRE A CRIAO
DA
COCHONILHA.

EXTRAHIDA

POR M. BERTHOLET

Das Observaes feitas em Guaxaca.

POR

M. THIERY DE MENONVILLE,
E Copiada do V. Tomo dos Annaes de
Chymica,
DEBAIXO DOS AUSPICIOS,
E ORDEM
DE SUA ALTEZA REAL
O
PRINCIPE N. SENHOR,
_Por Fr. Jos Marianno da Conceio
Velloso._


LISBOA. M. DCC. XCIX.
Na Of. de Simo Thaddeo Ferreira.




SENHOR


_O Extracto, que tenho a honra de apresentar a V. ALTEZA REAL, foi feito
por M. Bertholet, Chymico Francez, de outra obra maior, composta por M.
Menonville, que contm o resultado das suas Observaes sobre a cultura
do Nopal, como chamo os Mexicanos; ou da Urumbeba, como chamo os
Brasilianos, e igualmente sobre a criao do Insecto da Cochonilha,
quando s pelo fim de os examinar, e de os estabelecer em a Ilha de S.
Domingos emprehendeo em 1777 a viagem a Guaxaca no interior do Mexico,
auxiliado das graas do seu respectivo Soberano. Este mesmo extracto
contm o juizo que por Ordem Ministerial fizero os Chymicos Francezes,
Bertholet, Desmarest, Fougeroux, o Abbade Tessier da Cochonilha, que o
mesmo Naturalista estabeleceo em S. Domingos, a pezar da nenhuma
correspondencia que tivero os seus trabalhos._

_Espero que, sendo esta Memoria espalhada pelo Brasil, e particularmente
pelos pvos de Beira mar, que possuem tantos tratos arenosos, inuteis a
toda outra planta, excepto esta, haja de produzir hum maravilhoso
effeito no commercio Nacional, pela grande falta que se experimenta
deste genero, assim na Europa, como na Asia. Que ella se d bem nas
areias, he hum facto da nossa Agricultura do Brasil; pois governando o
Rio de Janeiro o Excellentissimo Luiz de Vasconcellos e Sousa, animou
tanto a sua cultura nas freguezias que fico pela praia ao Nrte da
mesma Cidade, isto he, Taip, Maric, Saquarema, e Yraruama, de que se
lembra a Relao do Inglez Stauton, que no s chegou a mandar grandes
partidas para este Reino, compradas pela Real Fazenda, como tambem a dar
hum tom de vida a estes ichthiophagos pvos, que s vivio dos peixes
que pesco nas grandes lagoas, em cujas margens esto aquellas
freguezias, e os vendem na Cidade. A longitude de 18 leguas, que ha
entre as duas Cidades de So Sebastio e da Assumpo de Cabo Frio, sem
contar o mais, e menos da largura, como roubada pela enfiada de lagoas,
que se poderio cortar, e fazer navegaveis at ao Rio, sendo coberta de
Urumbebaes, plantados, e cultivados em regra, quanta riqueza no
deverio esperar de hum semelhante estabelecimento?

A latitude do Rio de Janeiro ao Sul, he a mesma do Mexico ao Norte.
Deste se exporto todos os annos 880 mil arrateis, os quaes, segundo
sabios calculadores Negociantes Hollandezes, lhe deixo o lucro de 15
milhes, e 50,690 libras Francezas. O que obrigou a dizer a hum Francez
estas notaveis palavras. Este he o melhor elogio que se pde fazer dos
cadaveres de insectos: ao qual se pde ajuntar: que elles so para o
Mexico huma riqueza mais segura que as suas minas de prata: pois se do
muitos paizes, em que este metal abunda, e s o Mexico produz a
Cochonilha. Se as latitudes so as mesmas, porque no rivalizaremos
aquella rica produco? Isto ser devido aos cuidados de V. ALTEZA REAL.

Ultimamente ser esta obra precursora da mesma de M. de Menonville, que
fica j no prelo, e vai enriquecida de duas Monographias com figuras;
huma da grande familia dos Cactos; e outra dos progalinsectos, chamados
Cochonilhas, ou Coccos, e dos que lhe so affins, em ambas se achar
especies novas ainda no descriptas; a qual far a III. Parte do II.
Tomo do Fazendeiro do Brasil,_

Beija o Supedaneo do Real Throno

_DE V. ALTEZA REAL_

o mais humilde Vassallo

_Fr. Jos Marianno da Conceio Velloso._




EXTRACTO

DA OBRA

DE M. MENONVILLE

SOBRE A CULTURA

DA

URUMBEBA,

Cactus _Coccinillifer_,

E CRIAO DA

COCHONILHA.

Coccus _Cacti_.


O Extracto desta obra parece estranho ao fim, que se propoz, quando se
publicou esta colleco; mas a Cochonilha he hum objecto de tanta
importancia ao commercio, e de tanto interesse s Artes, que no deve
ser indifferente a aquisio dos seus costumes, e dos cuidados, que
requer a sua criao.

Alm deste me obrigou outro motivo, o qual foi, ter achado nesta obra os
fructos de huma generosa empreza, feita totalmente s pelo ardor de
enriquecer as nossas Colonias de hum dom da natureza, o qual huma Nao
estranha monopoliza.

Tendo os Hespanhoes observado que os Indios do Mexico se servio deste
insecto, para pintarem as suas casas, e tingirem os seus algodes,
attrahidos da belleza desta cr informro a seu respeito o Ministerio,
que passou ordens a Cortes em 1523. de promover a multiplicao deste
precioso insecto.

Reamur propoz ao Regente de Frana o transferir-se a Cochonilha para as
nossas Colonias; mas este projecto no teve a sua devida execuo. M.
Thiery de Menonville, concebendo o novamente, sem se assustar dos
empecilhos, que o poderio embaraar, apenas acceitou a metade da
consignao feita a este fim, isto he, 2 mil libras, reservando a outra
ametade, outras 2 mil, para que, no caso que, por qualquer impedimento,
visse frustrada esta sua primeira diligencia, podesse por huma segunda
conseguir o seu proposto, e premeditado fim. Elle (conforme disse) se
contentaria de sustentar a sua vida com po, e agua.

Embarcou-se aos 21 de Janeiro de 1777 em o Porto do Principe, parando em
Habana, chegou a Vera Cruz. Aqui se informou de que Guaxaca era o Lugar,
em que a melhor Cochonilha se criava. Nada mais foi necessario para o
decidir  empreza desta viagem. Mas, como Guaxaca lhe ficava em
distancia de 70 leguas, e se no pode chegar a ella sem trepar montanhas
inaccessiveis pela sua altura, atravessar rios caudalosos, e arriscados,
e em huma palavra, s por caminhos pessimos: afra isto ainda tinha de
vencer o illudir a vigilancia dos multiplicados Satellites, e a
desassocegada espreita dos Governadores: nada disto, nem do Fysico, nem
do Politico o intimida, e o faz parar: bem que se veja na preciso de
empregar toda a sua manha nesta obra, quanta deve ter hum empreiteiro de
natureza, ou politica, ou criminal. Principia pelos obsequiar
sobremaneira a fim de os interessar. Rebua o seu projecto com o gosto,
e ardor que tinha pela Botanica, e com a necessidade, em que se via,
pela sua m saude, de tomar banhos no rio da Magdalena distante de Vera
Cruz algumas leguas. Mas, tomando caminho de Guaxaca, vio pela primeira
vez a Cochonilha em Galatillan: palpita-lhe de alegria o corao; e logo
se v accommettido de reflexes amargurosas, que se entremisturro com
a embriaguez, ou transporte, em que se via. Como, dizia elle, poderei eu
transportar hum animal to debil, to sujeito a machucar-se, e que, a
primeira vez que cahir, se no apegar mais a sua planta! He impossivel
que os abalos da cavalgadura em huma viagem de terra to comprida no os
acabe? Como poderei carregar as volumosas plantas, sobre que elles
vivem? Como poderei eu isentallos das indagaes, a que esto sujeitos?

Logo que chegou a Guaxaca, comprou caixes no paiz cubertos de
Cochonilha, com pretexto de lhe serem necessarias para hum remedio
contra a gotta. Misturou com as Urumbebeiras outras plantas, e teve a
felicidade de as poder trazer comsigo; porque julgaro que ero
futilidades, que s podio interessar a hum botanico. Soffreo na sua
viagem do mar hum grande temporal, que o obrigou a fundear em Campeche,
donde elle apanhou plantas de hum Cacto, que pde servir de sustento a
Cochonilha, e aportou em Porto do Principe aos 25 de Setembro do mesmo
anno.

Empregou toda a sua actividade em estabelecer hum urumbebal, e em
aprender os cuidados, que requer a criao das duas especies de
Cochonilhas. Conhecia que a Cochonilha silvestre, ou bravia se criava em
huma especie de urumbeba na mesma Ilha de S. Domingos.

Mas sua alma altiva, offendida, e ulcerada de ver que hum to relevante
servio, como o que acabava de fazer, era tido em pouca monta, e como
tal, muito mal correspondido, finalizou os seus dias de huma paixo em
1780.

O circulo dos Filadelfos, que a nenhuma outra circumstancia deve o seu
estabelecimento, seno ao desejo de fazer uteis as nossas Sciencias a S.
Domingos, ajuntro os seus papeis, e os fizero imprimir, e destes he,
que eu agora tenho a honra de apresentar este resumo, ou Extracto,
cingindo-me to smente ao que diz respeito  Cochonilha, e s
urumbebas, que lhe servem de sustento.

Eu comearei, como o Author, fazendo conhecer as Urumbebas: ao depois
passarei a fallar das duas especies de Cochonilhas: finalmente
descreverei as experiencias comparativas, que fiz das duas Cochonilhas
fina, ou metesca, e a Cochonilhas bravia do Mexico, e da que se cria em
S. Domingos.


Cactos.


A Urumbeba he huma familia de plantas, muito numerosa em individuos; e
particular d'America. Esta planta penetra a terra com huma raiz mestra
mui profundamente; e ao mesmo tempo espalha quasi a flr da mesma muitas
raizes fibrosas, horizontaes, e de rojo, apenas enterradas huma
pollegada. O seu verdor goza de varios matizes, segundo as suas diversas
especies: a substancia he tenrissima, e carnosa, mas volta-se em hum
durissimo lenho  fora da velhice. He cheia do huma seiba mucilaginosa,
que algumas vezes se extravasa, como uma gomma opaca, farinhosa, branca,
ou amarella, que promptamente se enrija, e se dissolve como a gomma; mas
que tem menor viscosidade, e tenacidade: suas hastes, ou tlos se
levanto em arvores pelo nascimento successivo de outras hastes, que
sahem humas de outras, como ensartadas, ou unidas por articulaes, mas
a apparente soluo de continuidade se desfaz pela idade da planta, e
todas estas articulaes desapparecem pelo crescimento das partes, de
modo que as articulaes dos Cactos, que so espalmados, ou chatos, se
enchem, e se arredondo em troncos de arvore, em a qual se no distingue
mais o menor rasto, ou signal do seu nascimento, da sua frma primitiva,
da posio de humas a respeito de outras. Do-se arvores destas, que
chego a ter seis ps de circumferencia, e trinta ou quarenta de altura.

As articulaes, ou ramos, que nascem em lanamentos cylindricos nos
Cacteiros _Opuncias_, trazem nos ultimos, por hum ou dous mezes,
folhinhas conicas, curvas, de huma ou duas linhas de alto, dispostas em
quinconce, sobre linhas paralellas. Na axila destas folhinhas se acha
posto hum feixe de sedas innumeraveis, subsistentes, quebradias, mais,
ou menos sahidas, espalhadas nos dous lados da articulao achatada. Ao
redor deste feixe se v em todos os Cactos achatados,  proporo da sua
maior, ou menor cultura, 1, 2, 3, e ainda 12 espinhos de differentes
cores, regulados estes pelas suas differentes especies, compridos de 6
at 30 linhas, agudos, slidos, perigosissimos, quando pungem, e
dispostos em rosa, ou em molhos: do centro destes, e do feixe das sedas
se v sahir indifferentemente, ou a flr, ou o garfo, que ha de
continuar a haste. As sedas, que se enfeixo, nada mais so que as
pontas dos espinhos das axillas das flores, ou dos garfos futuros, que
j se acho, como em resumo, debaixo destes pontos quinconceaes armados
de 2, 3, ou 20 espinhos da seiba precedente, e ellas faro, ao chegar a
sua vez na seiba seguinte, o officio dos espinhos, que antecedentemente
tem existido.

As flores sahem do topo de hum calis armado das mesmas sedas, e espinhos
que os garfos: so brancas, vermelhas, amarellas, purpureas, carmezins,
confrme as differentes especies: tem de 2 linhas at 6 pollegadas de
grandeza. Os petalos tem algumas vezes o nmero de 10, 12, 18, redondos,
ovados, oblongos, farpados, acuminados, algumas vezes mui abertos outras
fechados, ou conniventes, passando, atravz delles os estames, e
pistillo, que os excede em longura, e talvez menores. Os Estames so aos
centos, os filamentos em fio, algumas vezes deitados: a Anthera oblonga,
e amarella, de huma grossura dobrada do filamento. O Estigma s vezes em
frma de prego com a cabea, ou topo fendido em tres, seis, ou mais
partes.

Cahidas as partes da flr, s fica o calis com o germe: o calis se
transfrma em huma baga oblonga, oval, muitas vezes redonda, como hum
pomo, unilocular, cheia de polpa, que, quando madura, he branca,
amarella, vermelha, carmezim, morada, purpurea, parda, ou verde,
regulada pelas suas differentes especies. Aninho-se nesta polpa as
sementes, que tem a figura de hum rim, maiores que lentilhas, cobertas
de huma casca negra, parda, esmigalhadia, costracea, e cheia de hum p
branquissimo.

M. Linne ajuntou no Genero _Cactus_ as plantas que Tournefort chamou
_Melocactus opuntia_, as que Dillenio chamou _Tuna_, e as que Plumier
chama _Pereschia_. Dividio este genero em tantas Seces, quantas ero
as suas figuras exteriores, pela singularidade de suas differenas,
conservando a cada huma destas plantas na sua Seco o nome especifico
dos AA., que se acabo de nomear: por tanto dividio o genero dos Cactos
em oiriados, cacteiros meles, cirios angulosos rectos, cirios
angulosos de lastro, ou de rojo, e em opuncias, ou comprimidos, e de
artigos proliferos.

Nesta Seco ultima he, que se acho os Cactos, em que at aqui se
encontra a Cochonilha bravia, e nos que se pde criar a fina. Contm hum
grande nmero de especies muito differentes de todas, as que tem sido
descritas pelos Botanicos; porm o A. no teve tempo, nem liberdade, de
as descrever, nem meios de as trazer comsigo do Mexico. Por tanto
hiremos smente apontar as especies, cujo conhecimento he mais
interessante em razo da sua relao com a Cochonilha.

A Tuna de Dillenio, a qual os Hespanhoes de Vera Cruz chamo Tuna, e os
Colonos de S. Domingos chamo Raquetas da borda do mar. (_Raquetes des
bords de mer._) rara vez cresce em arvore: as suas articulaes so
slidas, espessas, rijas, de hum verde gaio, tirante a verde mar: seus
espinhos amarellos. Continuamente se vm nellas em Vera Cruz as
Cochonilhas silvestres.

A _Pereschia_, conhecida em S. Domingos pelo nome _pata de Tartaruga_,
existe no Mole de S. Nicolo, e na planicie de _Cul de Sac_ de S.
Domingos: he muito espinhosa, e da idade de 3 ou 4 annos se faz huma
arvore: suas articulaes so menores que as das outras, mas o tronco he
provido de formidaveis espinhos, que so muito mais compridos, e em
maior quantidade que os da Tuna. A Cochonilha silvestre se acha sobre
esta Opuncia, e sobre ella foi, que o Author a descobrio em S. Domingos
no seu regresso do Mexico. Ella a prefere a Tuna; pelo facto de S.
Domingos, onde abandonou a ultima.

O Author trouxe de Campeche huma especie de Opuncia commua em as
Antilhas: este Cacto he pouco armado nas suas articulaes, e nos garfos
tem hum, ou dous espinhos: as novas articulaes rara vez os tem: so
oblongas, perfeitamente lisas, de hum verde sombrio, e mui lustroso nas
adultas, e de hum verde claro nas articulaes novas: Cresce como
arvore. A Cochonilha silvestre se cria muito bem nesta Opuncia, que tem
a mesma vantagem de poder tambem criar a Cochonilha fina, quando se
pertende smente semealla, ou entretella: porque nella se multiplica
muito pouco, para que se possa ter em vista fazer alguma colheita em
termos.

A _Opuncia_, que os Colonos chamo Raqueta Hespanhola, he huma grande
especie, articulada, em forma ovada, cujas hastes crescem em arvore;
seus garfos so smente armados de seda, com hum, dous, ou tres espinhos
curtos. A Cochonilha silvestre se cria muito bem sobre esta especie de
Opuncia.

O Author d o nome de _Nopal_ silvestre a huma Opuncia, que he a especie
dominante nos campos do Mexico: levanta-se em arbustos de 18 a 20 ps de
alto: suas articulaes so redondas na cabea; e todos os garfos
armados de rosas de espinhos brancos, curtos, que se entrelao huns com
outros, e embarao absolutamente applicarem-se os dedos na superficie
desta articulao. Esta especie serve muito bem de sustento  Cochonilha
silvestre.

As Opuncias, que sustento melhor a Cochonilha, que as precedentes, so
a verdadeira Urumbeba do Jardim do Mexico, e a Urumbeba de Castella; a
Cochonilha silvestre nella fica tamanha, como a Cochonilha fina, e he
nella menos algodoenta que nas outras especies de Cacteiros: o seu
algodo he to bem menos tenaz, mais frxo, e mais espalhado.

A Urumbeba dos Jardins de Mexico, da qual o A. no vio, nem as flores,
nem os fructos, tem as suas raizes de hum pardo acinzentado com longes,
ou laivos de amarello, e que fico lenhosas com a idade: levanta-se em
arvore, como a maior parte das Opuncias: as suas articulaes so de
huma frma oblonga e oval: tem huma superficie macia ao tocar, de hum
verde sombrio nas adultas, e verde claro e luzidio nas novas: os garfos
so armados de hum, dous, ou tres espinhos desiguaes no tronco da
planta.

A Urumbeba de Castella he a melhor das Opuncias: do-lhe este nome para
caracterisar a sua belleza pelo costume, em que esto no Mexico, de
applicar huma ida de nobreza ao nome de Castella: as suas articulaes
tem algumas vezes 30 pollegadas de comprimento, e 12 e 15 de largura. -
O Author diz que a experiencia tem approvado que a cr vermelha,
violete, amarella, ou branca dos fructos das Opuncias differentes no
presto, nem offendem a cr da Cochonilha, que se sustenta nestes
Cactos, nem he huma causa, ou indicio da sua aptido maior, ou menor em
sustentar este insecto.

M. Thiery de Menonville, arranja por este modo as Opuncias pela
propriedade, que ellas tem de sustentar a Cochonilha silvestre: pem a
Tuna em o mais baixo gro, ao depois a Pereskia, ao depois a Opuncia de
Campeche, o Nopal silvestre, a Raqueta Hespanhola: e finalmente a
verdadeira Urumbeba do Jardim de Mexico: e no ultimo e supremo lugar a
Urumbeba de Castella: com tudo no he este o unico alvo, a que se deve
olhar nas Opuncias: as que so muito espinhosas se oppem  colheita da
Cochonilha, e devem ser rejeitadas, ainda que sejo proprias a
nutrillas; por esta razo no podem servir as Tunas, as Pereskias, o
Nopal silvestre do Mexico, de sorte que he preciso limitarem-se a
Opuncia de Campeche, a Raqueta Hespanhola, a verdadeira, e a Urumbeba de
Castella.

A Cochonilha fina no pde viver sobre todas as Opuncias: morre nas
Tunas, nas Pereskias, nas Raquetas Hespanholas: mas nutrem se sobre a
Opuncia de Campeche, ainda que mais espinhosa que a Raqueta Hespanhola:
todavia ella s se pde criar sobre a Urumbeba dos Jardins de Mexico, e
sobre a de Castella.

Logo que se pertende criar a Cochonilha, he preciso comear se por
estabelecer hum viveiro de Urumbebas, ao qual se dar o nome de
Urumbebal.

M. Thiery de Menonville, d huma instruco muito extensa e mui
circumstanciada cerca da natureza do terreno, que convm a hum rendoso
Urumbebal, e aponta todos os cuidados, que se requerem, assim para o seu
estabelecimento, como para a sua mantena.


_Da Cochonilha silvestre, e da Mesteca._

Plinio, e outros antigos tinho dado o nome de Coccus  cr vermelha,
que se tira do Kermes, e a este mesmo insecto, que olhavo, como o gro
da arvore, em que se propagava.

Linne reteve o nome de Coccus para designar esta familia de insectos
hemipteros, cuja cabea he hum ponto na superficie do peito, e o abdomen
acaba em pequenas sedas: cuja femea carece de azas, tendo o macho
todavia duas levantadas. Abrangeo neste genero 22 especies, em cujo
nmero entra o Kermes, o Cocco de Polonia, o Cocco do Cacto
Cochinilheiro, que produz a Cochonilha.

Alm das 22 especies descriptas por Linne, M. Thiery de Menonville,
descreve huma Cochonilha aptera, que se encontra em muitas especies de
arvores de S. Domingos, que foro reputadas pelo Padre Labat, Plumier,
Nicolson, e outros pela Cochonilha de Mexico.

Parece que os Naturalistas, at agora, no tem conhecido a Cochonilha
silvestre, pois que s descrevro as que fico ditas acima; mas, antes
de determinar as differenas da Cochonilha mesteca, e da silvestre, he
preciso considerar se a Cochonilha em geral.

A Cochonilha he hum Cocco que habita no Cacto cochinilheiro: a femea tem
o corpo chato da parte do ventre, e abaulado, ou emisferico pela parte
das costas, as quaes so raiadas por listras transversaes, que acabo no
ventre, formando nelle hum beio, ou margem dobrada, das quaes a
superior he menor: toda a pelle he de huma cr parda de sombra, a bocca
nada mais, que hum ponto, que sahe do meio do arcabouo, ou thorax: tem
6 ps, pardos, curtissimos, e nada de azas. O macho tem o corpo
alongado, de huma cr vermelha, escura, coberto de duas azas
horisontalmente abatidas, e algum tanto encruzadas sobre o dorso, ou
costas: tem duas pequenas antennas; a cabea menor hum tero, que o
corpo; o abdomen terminado por duas sedas posteriores, e, do mesmo modo
que as antennas, divergentes: tem igualmente 6 pes, porm maiores que os
da femea: no tem hum vo continuado, mas de _pousa lousa_ em voltas,
saltando raramente. Em Mexico chamo  Cochonilha _Grana_ da palavra
Hespanhola, que faz lembrar o erro dos antigos, que julgavo ser este
insecto hum gro produzido por hum vegetal.

Julga-se que a Cochonilha silvestre se acha em a Urumbeba silvestre, e
na Tuna do Mexico; mas cria-se tambem nas hortas, nas verdadeiras
Urumbebas, que no tem espinhos. M. Thiery de Menonville, ao depois de
ter aprendido a conhecella no Mexico, as veio encontrar em S. Domingos
no Cacteiro Pereskia.

As pequenas Cochonilhas silvestres so contidas no seio da Me em figura
de ovos ensartados pelo embigo, huns ao depois dos outros, na placenta
commum. Quando a prenhez chega ao seu termo prefixo pela Natureza, estas
contas se desenfio gro por gro: e a Me figura ento em vivipara:
porque os filhos sem dvida deixo na passagem o vo, em que esto
contidos debaixo da apparencia de ovos; e sahem  luz, como animaes
vivos perfeitamente organisados: neste tempo sero do tamanho da cabea
de hum alfinetesinho: o macho he menor hum tero que a femea: parece ser
alguma cousa mais comprido: tem as sedas muito curtas, e em menor
quantidade que a femea, que tem doze pares em a margem dobre, que
termina as costas no ventre: os filhos se demoro j em baixo do ventre
da Me, j nas costas por dous ou tres dias, e algumas vezes esto
pendurados por baixo do abdomen, em figura de hum pequeno cacho de uvas,
por oito dias, principalmente quando ha tempestades, ou chuvas: em fim,
ou; porque o cordo, que retem os filhos, esteja secco; ou porque
obrigados pela fome posso romper este vencelho, ou atilho, correm pela
planta: e esta he a unica vez, em todo o tempo da sua vida, que caminho
as femeas. Chegados, que sejo, as articulaes da Urumbeba desde o
mesmo dia, ou, quando tarde, no seguinte, estes pequenos insectos se
fixo e cravo sobre o reverso da folha, ou articulao, que o seu
instincto lhe fez escolher: preferem a todos os outros as articulaes
mais novas, isto he, das seibas precedentes, e se vem, principalmente,
escolher o lado da articulao, que olha para Oes-Sud'Oeste, para evitar
os golpes de vento do Nordeste, e sobretudo, a fora da briza de Leste
sempre igualmente regular, e violenta no Valle de Guaxaca.

As novas Cochonilhas se fixo nas articulaes da Urumbeba, cravando seu
bico assovellado em a casca: se este delicado fio se quebra, morre a
Cochonilha, sem que lhe seja possivel agarrar-se com os ps, e tornar a
cravar de novo em a planta esta sorte de tromba, para lhe chupar o succo
gommoso, que serve de seu sustento. O corpo da femea se cobre por toda a
sua superficie de hum certo algodo fino, e pegajoso, o qual se estende
por toda a sua circumferencia, menos no arcabouo pelos seus movimentos.
Em quanto ao macho, este abandona a sua coberta no fim de hum mez, e se
manifesta em feio de huma pequena mosca, formosa, de huma cr
affogueada carregada, elle se arremea, dando voltas, e saltos at 
altura de 6 pollegadas embusca da femea: topando-a, a fecunda, e morre:
a femea se emprenha, pare no fim de hum mez: este he tambem o termo da
sua vida.

A Cochonilha silvestre, pousada huma vez em a Urumbeba, se perpetuara
nella, sem que houvesse mister outro cuidado, e nella se multiplicaria
at cansar, e esvair a planta, cujas articulaes se apodrentario e
cahirio successivamente, humas depois de outras, no caso de que seno
tivesse o cuidado de as tirarem, ou colherem de dous em dous mezes.

Para se embaraar a degenerao do insecto, que aconteceria, deixando-o
estar amontoado em qualquer Urumbeba esvaida; e pelo contrario: para se
manter huma bella qualidade; e ainda, para se aperfeioar ou melhorar a
sua raa, e precaver a ruina e estrago da planta, se faz preciso
proporcionar sempre a sua fora e vigor com a quantidade da Cochonilha,
que nella se cria, e habita. He mister apanhalla radicalmente todos os
dous mezes, e alimpar a planta do algodo, que ellas deixo, esfregando
a toda com hum pano molhado, que o tire. Por este meio fica livre assim
dos ovos, como das chrysalidas dos insectos destruidores, que podem
muito bem estar apegados, e occultos no algodo da Cochonilha.

Sera impossivel recolher a Cochonilha silvestre, que existe sobre a
Opuncia espinhosa com proveito; os obreiros, que tem maior arte, e
mestria, no pdem colher por dia huma tal quantidade dellas, que lhes
haja de dar, ao depois de seccas, duas onas; pela difficuldade de as
tirar d'entre os espinhos: e com tudo hum s obreiro pde colher
quantidade, que lhe renda, ao depois de seccas, tres arrateis por dia,
quando as tirar a Urumbeba das hortas. Tambem he sabido que se melhora,
e aperfeia sobre a Urumbeba por meio da multiplicidade de colheitas, e
semeaduras; e pela bondade da planta, em que ella prde muito da sua
quantidade, e da tenacidade do seu algodo, e constantemente se faz mais
grossa outro tanto, quanto se no encontra nas que vivem sobre as
Opuncias espinhosas, assim nos matos, como nos campos. He por tanto
mister, para se poder conseguir a melhor Cochonilha silvestre, semealla
de dous em dous mezes, tanto quanto consentir a constituio das
estaes, ou quadras do anno, sobre a Urumbeba das hortas, e desprezando
se todas as outras especies de Opuncias. Porm, quando se no tem huma
grande quantidade da sobredita Urumbeba, neste caso se semear, e crear
na Opuncia de Campeche, e tambem na Raqueta Hespanhola.

Dizem, semear a Cochonilha (como se ella fosse algum gro) quando
espalho os pequenos insectos, pela planta, que a deve criar, e
sustentar.

O Urumbebal pe-se em estado de poder acceitar os insectos, para os
manter ao decimo outavo mez depois de plantado. Semeo-se, como dizem,
as Cochonilhas em ninhos feitos da parenchyma das folhas da palmeira: em
cada ninho se pe de 4 at 6 mes, quando estiverem proximas ao seu
parto, proporcionando se o nmero dos ninhos, e o das mes ao das
articulaes da Urumbebeira: fixo-se os ninhos nas axillas dos ramos,
tendo-se o cuidado, de que fiquem expostas ao Sol de nascente.

Passados dous mezes, depois que as Cochonilhas foro semeadas, e
precisamente hum mez, depois das mes serem fecundadas, se vem sahir
algumas pequenas Cochonilhas do seio de suas mes: este he o momento, em
que se devem escolher para fazer a colheita. Passa se o ferro, ou folha
de huma faca, que tenha o fio embotado, e arredondado entre a casca da
Urumbeba, e as pinhas da Cochonilha, que a cobre: fazem se cahir em hum
panno de linho, ou em alguma vasilha prompta a recebella. Quando a
colheita estiver feita, se mergulha a Cochonilha, mettida em dous
pannos, dentro da agua fervendo, por dous ou tres minutos: estendem-se
ao depois em taboas, ou taboleiros: ou, o que he muito melhor, em bacias
de arame: expe-se ao ardor do Sol, para se assegurarem melhor da sua
dessecao, e se repete por segurana ainda outra vez no outro dia. Este
methodo he muito melhor, e preferivel ao do forno, e ferro quente, pelo
inconveniente de huma dessecao desigual, e de calcinar, ou torrar as
partes, que immediatamente o toco. Mr. Thiery de Menonville assegura
que, na sua viagem, no vra praticar outro methodo fra do d'agua
fervente em ambas as especies de Cochonilhas.

A Cochonilha fina no se encontra nos campos, ou matos do Mexico, e s
sim nas casas, e hortas dos Indios, que a colhem.

As femeas pequenas desta especie tem as costas listradas com rugas
transversaes, que termino na aba dobrada do ventre, e sobre a qual se
vm doze pequenas sedas, que desapparecem nos adultos. Dez dias, ao
depois do nascimento, as femeas se despem destas roupas franjadas, e
bordadas de pequenas sedas, e se cobrem de hum p branco muito fino, que
as preserva da humidade; 20, ou 25 dias, depois do seu nascimento, se
despojo das suas segundas roupas, operao que muitas vezes lhe causa a
morte, ento ellas apparecem de huma cr parda clara; mas no dia
seguinte se acho j cobertas de p: 3, ou 4 dias depois, esto habeis a
serem fecundadas. Ellas se engrosso ao dobro quasi da Cochonilha
silvestre.

O macho da Cochonilha fina he perfeitamente semelhante ao macho da
Cochonilha silvestre, menos em ser a sua grossura dobrada.

O Author discute a questo: se a Cochonilha fina he da mesma especie da
silvestre, aperfeioada porm por hum sustento melhor, e pelos cuidados
da cultura? ou se ellas frmo duas especies essencialmente distinctas?
A grossura, que adquire a Cochonilha silvestre, quando se cria, e a
diminuio, que experimenta o seu frouxel, ou pluma algodoada: assim
como a pequenhez, a que se reduz a Cochonilha fina, quando lhe falta o
sustento conveniente, parece que do muito pezo  primeira opinio; com
tudo, o Author acha que estas razes no basto para a soluo deste
problema interessante, requer para a qual novas observaes.

Devem observar-se tres circumstancias essenciaes na creao da
Cochonilha fina.

I. Convm, quando as semeo, escolher para cada huma das novas graes,
as mes mais bellas, e mais grossas.

II. Precisa que sejo semeadas em os melhores Urumbebaes.

III. Cumpre que sejo recolhidas na estao das chuvas, para hum lugar
coberto, e multiplicallas nelle, at que voltem as seccas, para
semeallas em o ar livre. Deve se tambem acautellar, que a Cochonilha
silvestre se misture, e se confunda com a fina, e para isto se faz
indispensavel, que estejo humas das outras distantes cem varas, dando a
vantagem do lugar do nascente  Cochonilha fina. A temperatura do ar,
que melhor lhe convm, he a de 12 at 20 gros do termometro. No Mexico
se fazem tres colheitas no bom tempo.

Mr. Thiery de Menonville no pde conseguir huma instruco certa do
methodo, que se emprega no Mexico, para conservar a Cochonilha pelo
inverno: com tudo convenceo-se por algumas razes, que lhe parecro
fortes, que se conservo nas mesmas Urumbebas, cobrindo-as com esteiras.
Elle aconselha hum methodo excogitado por elle, e tambem experimentado.
Prescreve a construco de huma alpendrada, coberta de caixilhos, que se
deso no tempo das aguas, e que se levantem quando o tempo estiver bom;
e de se plantar debaixo desta alpendrada Urumbebeiras, cuja tera parte
seja destinada successivamente em manter a Cochonilha os seis mezes das
aguas.

O preo da Cochonilha fina excede em hum tero ao da Cochonilha
silvestre. Alm disso: duas Urumbebeiras de igual grandeza, carregadas
ambas, huma da Cochonilha fina, outra da bravia: esta dar hum tero
menos em pezo, que aquella, que o dar mais forte.

O Author compra as despezas da cultura, que a Cochonilha requer no
Mexico, com o preo da mo d'obra ordinaria em S. Domingos, e conclue da
facilidade, em que vivem alguns Indios, aos quaes pertence
principalmente esta produco, que esta grangearia, ou cultura se
poderia estabelecer com muita vantagem em S. Domingos; e tanto mais,
quanto os Indios do Mexico tem pouca actividade, e que os multiplicados
monopolios os privo de huma grande parte da produco da venda da
Cochonilha na Europa.

 primeira vista a Cochonilha fina parece apresentar grandes vantajens
ao Granjeiro sobre a Cochonilha silvestre: mas, attendendo-se que a
criao da ultima requer muito menos trabalho; que o frouxel, que a
cobre, a defende das chuvas, dos temporaes, os quaes muitas vezes causo
grandes prejuizos  Cochonilha fina; e que ella pde ser colhida seis
vezes no anno, e que neste comenos, na estao das chuvas, no ha
producto algum da Cochonilha fina; e que a final sendo preciso muito
menos despeza para o estabelecimento, que ella requer, se concluir: que
as vantajens de huma, e outra se compenso, e equivalem: e tambem, que
os Colonos pobres devem dar preferencia  grangearia da Cochonilha
silvestre; por que esta lhes pde apresentar hum precioso soccorro, ou
recurso.

Ao depois da morte de M. Thiery de Menonville, pereceo a Cochonilha
fina, que elle criava em o Jardim do Porto do Principe; mas M. Bruley,
substituto do Procurador geral, cheio de zelo, no querendo que se
perdessem todos os fructos das emprezas de M. Thiery de Menonville,
formou hum Urumbebal, com os fragmentos do seu plano, e nelle criou a
Cochonilha silvestre. Em 1788 escreveo que o seu Urumbebal j lhe podia
dar huma colheita de cem libras de Cochonilha secca, se huma molestia o
no embaraasse de aproveitar a bella estao.

M. Bruley communicou o gro da Cochonilha silvestre ao circulo dos
Philadelfos, que comeou em 1785 a occupar-se na criao deste insecto
precioso.


_Comparao da Cochonilha mesteca, da Cochonilha silvestre, e da que se
cria em S. Domingos._

Fazendo-se digerir no alcohol o extracto, que a decoco da Cochonilha
d por evaporao, as partes colorantes se dissolvem, e deixo hum
residuo, que retm unicamente a cr da borra, ou p do vinho, a qual o
novo alcohol no lhe pde tirar. Esta parte d na analyse pelo fogo os
productos das substancias animaes.

O alcohol da Cochonilha deixa por evaporao hum residuo transparente,
que he de hum vermelho escuro, e que secco parece huma resina.
Igualmente por distillao d os productos das substancias animaes, o
que confirma que esta parte colorante he huma produco animal.

Entretanto a decoco da Cochonilha entra difficultosamente em
putrefaco: tenho-a conservado por mais de dous mezes ao ar livre, e em
hum frasco fechado. A primeira, passado este espao de tempo, no
apresentou indicio algum de putrefaco; a segunda tinha hum leve cheiro
putrido. A primeira se turvou nos primeiros dias; e deixou no filtro hum
depsito arroxado pardo, devido  combinao do Oxigeno com as partes
colorantes, conforme as observaes de M. de Fourcroy; a segunda
conservou por muito tempo a sua transparencia, e provavelmente a perdeo
pelo effeito do principio de putrefaco, que experimentou. A cor de
huma e outra se mudou para Carmesim; mas a da primeira era mais fraca;
porque huma grande parte das moleculas colorantes se tinha precipitado.

Ao depois da morte de M. Thiery de Menonville, a Cochonilha mesteca, que
tinha trazido, acabou, como acima se disse; mas, occupando-se M. Bruley
com muito cuidado em criar a Cochonilha silvestre: e em 1787 enviou huma
grande quantidade desta ao Ministro da Marinha com huma Memoria _Ensaios
da Cultura do Nopal, criaco e preparao da Cochonilha_. A Academia das
Sciencias encarregou a MM. Desmarest, Fougeroux, o Abbade Tessier, e a
mim de examinarmos esta Cochonilha, e a Memoria, que a acompanhava.

Resultou dos ensaios da tinta, que fizemos em casa de M. Moneri,
proprietario de huma manufactura de Escarlate nos Gobelins, que a
Cochonilha, remettida por M. Bruley, dava ao panno a mesma cr, que a
Cochonilha mesteca, com tanto porm que se lhe augmentasse a quantidade
na proporo de 12 a 5.

M. Bruley fez huma segunda remessa da Cochonilha, colhida em 1788, e
voltro os mesmos commissarios a serem de novo incumbidos do seu exame.
Por outro methodo viero a obter com pouca differena os mesmos
resultados, que tivero com a primeira Cochonilha.

Por se terem repetido os ensaios, que se fizero em commum, fazendo
entrar em comparao a Cochonilha silvestre do commercio, contentar-me
hei agora de fallar das minhas ultimas experiencias.

A decoco da Cochonilha silvestre tem o mesmo matiz que a Cochonilha de
S. Domingos. Este matiz tira mais para o Carmesim que o da Cochonilha
mesteca: mas os precipitados, que della se obtem, quer pela dissoluo
do estanho, quer pelo alume, so de huma cr perfeitamente igual  da
Cochonilha mesteca, e estes precipitados so, os que coloro as
substancias, que se tingem, combinando-se com ellas.

J disse em a minha Memoria sobre a branqueao (_Ann. Chym. Tom. II._)
que M. Wat se servira da decoco da Cochonilha, para determinar a fora
do Acido muriatico oxigenado pela quantidade desta decoco, que elle
pode destruir: eu fiz s avessas, e me servi do cido muriatico
oxigenado para determinar a proporo de partes colorantes, que as
decoces de differentes Cochonilhas continho. Fiz ferver por tanto,
por huma hora, hum igual pezo de cada huma das tres Cochonilhas,
fazendo-lhe todas as circumstancias to iguaes, quanto me fosse
possivel: lancei cada huma destas tres decoces filtradas em hum
cylindro de vidro graduado, e lhe misturei o mesmo cido muriatico
oxigenado, at que todas as tres fossem levadas ao mesmo matiz amarello.
As quantidades do cido, que represento as partes colorantes, se
acharo quasi o mesmo em razo dos nmeros seguintes: 8 para a
Cochonilha de S. Domingos, 11 para Cochonilha silvestre do commercio, 18
para Mesteca.

Disto se v que a Cochonilha de S. Domingos he, no smente muito
inferior  Cochonilha mesteca, mas tambem  Cochonilha silvestre do
Mexico, e effectivamente muito mais algodoada, e mais pequena; mas estas
desavantagens no devem diminuir o zelo, dos que se occupo nesta
criao.

As observaes de M. Thiery de Menonville tinho j mostrado que a
Cochonilha silvestre perdia seu algodo, e se fazia mais grossa por huma
successo de graes cuidadosas: e nos princpios foro obrigados a
empregar as urumbebas, que no tinho chegado  sua grossura ordinaria.
Ha por tanto lugar de esperar que a Cochonilha de S. Domingos poder vir
a ser, havendo hum cuidado effectivo, to boa, como a Cochonilha
silvestre do Mexico, e pde ser que ainda a exceda; mas sempre lhe ser
inferior em quanto a quantidade de partes colorantes: mas no sera huma
razo bastante, para se desprezar o adiantamento de hum ingrediente to
precioso s tinturarias.

Relativamente a qualidade da cr, se vio que a Cochonilha de S. Domingos
no cedia em cousa alguma a Mesteca; mas se o algodo, de que ella se
reveste, pde prejudicar nas operaes em grande a belleza do escarlate,
do qual a vivacidade se pde mui facilmente alterar, se acharia huma
applicao vantajosa para elle assim nos meios escarlates, como nos
carmezis, e em outros matizes, que so menos delicados, que as cres
mais vivas.

Mr. Bruley indagou os meios de poder separar o algodo da Cochonilha de
S. Domingos; porm ficavo-lhe muitas partes colorantes nos seus
residuos, o que parece dever-se principalmente s pequenas Cochonilhas,
que ficar adherentes ao algodo.

As opinies, que Mr. Bruley expoz na sua Memoria, no concordo algumas
vezes com as de Mr. Thiery de Menonville: e he natural que observaes
encontradas requeiro conhecimentos mais exactos cerca de hum objecto,
que para ns he to novo, mas sobre isto se deve esperar que as
diligencias do circulo dos Filadelfos, e as de Mr. Bruley nos hajo bem
depressa de fazer, que nada tenhamos mais que desejar a este assumpto.

He muito difficultoso fazer huma ida da utilidade, que nos pde dar
esta Cochonilha de S. Domingos, que possue to ricas produces. Mr.
Thiery de Menonville a olhava, como hum soccorro precioso, para aquellas
partes da Ilha, cujo terreno ingrato recusa outro genero de grangearias;
e para aquelles pobres Colonos, que no podem fazer as despezas
necessarias s outras produces. Mr. Bruley ainda he mais favoravel as
vantagens, que se pde esperar da Cochonilha; mas o circulo dos
Filadelfos se absteve de proferir o seu parecer; e no julga que se deva
dizer ainda cousa alguma.

As tentativas feitas merecem ser proseguidas, e favorecidas com tanto
maior empenho, com quanto tem por seu objecto hum ramo de tanta
importancia para o commercio, como este; e com quanto huma industria
illuminada sabe tirar grandes proveitos sobre huma ignorante indolencia.

FIM.




METHODO

DE PREPARAR

A

COCHONILHA

NO RIO DE JANEIRO,

SEGUNDO

STAUTON,

_Secretario, e Author da Relao da Embaixada  China do Lord
Macartnei._




O Proveito que os Portuguezes tiro da Cochonilha no Rio de Janeiro he
pouco consideravel, em consequencia de hum erro na sua preparao. Duas
ou tres vezes cada semana, os escravos destinados a este objecto, busco
as plantas _Cactus_, e com huma varinha de Bamb, cortada de algum modo
na figura de huma penna, tiro todo o insecto plenamente crescido com
muitos outros, que ainda no tem chegado ao seu estado de perfeio: a
consequencia disto he, que as plantas nunca tem a metade dos insectos,
que podio sustentar, pois que muitas das femeas, morrem antes de terem
feito os seus depositos. Os Naturaes do Mexico seguem hum methodo muito
differente. Logo que passo as chuvas periodicas, e que o tempo he mais
quente, e mais secco, fixo nos bicos das folhas do _Cactus_ pequenas
pores do mais fino musgo, servindo como de ninhos, capaz cada hum de
encerrar dez ou doze Insectos femeas, no seu estado de pleno
crescimento. Estes Insectos no decurso de poucos dias, produzem huma
innumeravel familia de pequeninos, que se espalho pelas folhas, e ramos
da Planta, at que se fixo naquelles pontos, que acho mais proprios a
dar-lhe succo nutritivo; onde crescendo em pouco tempo o mais a que
podem chegar, fico immoveis, e ento se tiro para uso; deixando sempre
hum nmero sufficiente, para a produco de novas criaes. Hum muito
simples processo converte em pouco tempo os Insectos em Cochonilha; mas
se, em soffrimento corporeo, o pobre Escaravelho sente tormento igual ao
do Gigante, quando morre, este processo no he mais simples, do que he
cruel. Apanho-se os Insectos em huma taa de madeira, e daqui se
estendem espessamente sobre hum prato chato de barro, e assim vivos se
pem sobre fogo de carvo de lenha, onde se vo lentamente torrando, at
desapparecer a coberta cheia de penugem, e que os succos aquosos do
animal estejo totalmente evaporados. Em quanto dura esta operao,
mechem-se continuamente com huma colher grande de estanho os Insectos, e
algumas vezes se borrifo com agua, para prevenir que de todo se torrem,
o que destruira a cr, e reduzira o Insecto a carvo; mas pouco habito
basta para ensinar, quando se devem tirar do lume. Fico ento na frma
de gros redondos, escuros de alguma sorte, vermelhos, e tomo o nome de
Cochonilha, conservando to pouco a frma original do Insecto, que esta
preciosa tintura foi por muito tempo conhecida, e buscada na Europa
antes dos Naturalistas decidirem, se era substancia animal, vegetal, ou
mineral. O Jardim do Rio de Janeiro no produz annualmente mais do que
trinta arrateis desta fazenda: com tudo, tendo bom trato, este mesmo
nmero de plantas podia produzir dez vezes esta quantidade. Em Maric, e
Saquarema, ambos lugares contiguos ao Cabo Frio, ha plantaes
consideraveis do _Cactus_, que facilmente se augmento com garfos da
mesma, plantados na estao fria, e chuvosa, ainda que depois medro
menos, quando no expostas ao Sol. Os Insectos crio, e colhem-se em
tempo secco desde Outubro at Maro. Animou-se a preparao da
Cochonilha, deixando livre este ramo de commercio, que antigamente era
hum monopolio da Coroa[1].

FIM.




ADVERTENCIA.


Os Brasilianos dividio a familia dos Cactos, ou Cacteiros em duas, aos
que tinho a folha chata e espinhosa, a que os Botanicos do geralmente
o nome de Opuncias, chamavo _Ju-ro beba_, de _j_ espinho, _oba_, folha
ou vestido _beba_ chata, o qual por corrupo se diz Urumbeba; e aos que
ero esquinados a que os Botanicos com Jussieu chamro _Cirios_, pela
configurao com as tochas quadradas, davo o nome de _Ju-macar_, e
hoje _Nanacur_, e nesta familia ha huma que d hum fructo delicioso. Na
obra grande, que traduzimos de M. de Menonville, nos esforaremos em
fazer vr todas as especies, que encontrmos no Brazil. Aqui smente
daremos a figura do Cacto Cochinilheiro, copiada da que traz Dillenio no
Horto Elthamense, que he a cilanda por Linne, como tambem a da
Cochonilha, e reservamos para a outra dar a Estampa de Menonville.




[Figura: CACTO _cochonilheiro_.]




*Notas:*

[1] _A Coroa nunca monopolisou este genero: s o comprava por hum maior
preo, para animar os moradores  sua cultura._





End of the Project Gutenberg EBook of Memoria sobre a cultura da Urumbeba e
sobre criao da Cochonilha, by Claude-Louis Berthollet

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receive a refund of the money (if any) you paid for it by sending a
written explanation to the person you received the work from.  If you
received the work on a physical medium, you must return the medium with
your written explanation.  The person or entity that provided you with
the defective work may elect to provide a replacement copy in lieu of a
refund.  If you received the work electronically, the person or entity
providing it to you may choose to give you a second opportunity to
receive the work electronically in lieu of a refund.  If the second copy
is also defective, you may demand a refund in writing without further
opportunities to fix the problem.

1.F.4.  Except for the limited right of replacement or refund set forth
in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO
WARRANTIES OF MERCHANTABILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.

1.F.5.  Some states do not allow disclaimers of certain implied
warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages.
If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the
law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
the applicable state law.  The invalidity or unenforceability of any
provision of this agreement shall not void the remaining provisions.

1.F.6.  INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the
trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone
providing copies of Project Gutenberg-tm electronic works in accordance
with this agreement, and any volunteers associated with the production,
promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
that arise directly or indirectly from any of the following which you do
or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.


Section  2.  Information about the Mission of Project Gutenberg-tm

Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
electronic works in formats readable by the widest variety of computers
including obsolete, old, middle-aged and new computers.  It exists
because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
people in all walks of life.

Volunteers and financial support to provide volunteers with the
assistance they need, are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
remain freely available for generations to come.  In 2001, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
Foundation

The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
Revenue Service.  The Foundation's EIN or federal tax identification
number is 64-6221541.  Its 501(c)(3) letter is posted at
http://pglaf.org/fundraising.  Contributions to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
permitted by U.S. federal laws and your state's laws.

The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
throughout numerous locations.  Its business office is located at
809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
business@pglaf.org.  Email contact links and up to date contact
information can be found at the Foundation's web site and official
page at http://pglaf.org

For additional contact information:
     Dr. Gregory B. Newby
     Chief Executive and Director
     gbnewby@pglaf.org


Section 4.  Information about Donations to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation

Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
spread public support and donations to carry out its mission of
increasing the number of public domain and licensed works that can be
freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
particular state visit http://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including checks, online payments and credit card donations.
To donate, please visit: http://pglaf.org/donate


Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

     http://www.gutenberg.org

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including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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