The Project Gutenberg EBook of Breves palavras sobre a cultura da Oliveira, by 
Avelino Nunes de Almeida

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Title: Breves palavras sobre a cultura da Oliveira

Author: Avelino Nunes de Almeida

Release Date: August 29, 2010 [EBook #33572]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CULTURA DA OLIVEIRA ***




Produced by Pedro Saborano




                             BREVES PALAVRAS
                                 SOBRE A
                               CULTURA
                                    DA
                                    OLIVEIRA


                           DISSERTAO INAUGURAL
                              APRESENTADA AO
                    Instituto d'Agronomia e Veterinaria

                                   POR

                          Avelino Nunes D'Almeida



                                   1899
                        IMPRENSA DE LIBANIO DA SILVA
                          _91, Rua do Norte, 91_
                                  LISBOA




                              BREVES  PALAVRAS

                                  SOBRE A

                             CULTURA DA OLIVEIRA





                             BREVES PALAVRAS
                                 SOBRE A
                               CULTURA
                                    DA
                                    OLIVEIRA


                           DISSERTAO INAUGURAL
                              APRESENTADA AO
                    Instituto d'Agronomia e Veterinaria

                                   POR

                          Avelino Nunes D'Almeida



                                   1899
                        IMPRENSA DE LIBANIO DA SILVA
                          _91, Rua do Norte, 91_
                                  LISBOA




    A MEUS PAES

        A MEUS IRMOS


    Como prova de muito respeito e amisade.




     MEMORIA DE MEUS TIOS


LUIZ NUNES DA COSTA

    MARIA AUGUSTA NUNES

        MARGARIDA AUGUSTA NUNES


                Gratido eterna.




A MEUS PRIMOS

    AOS MEUS AMIGOS

        AOS MEUS CONDISCIPULOS


            Como prova de dedicao e amizade.



A .............

........................................................................




O Instituto d'Agronomia e Veterinaria no se responsabilisa pelas
doutrinas expostas n'esta dissertao (Art. 79 do Regulamento de 8 de
Junho de 1898).




Ao escrever estas _breves palavras sobre a cultura da oliveira_, est
muito longe de mim a presumpo de que ellas vo lanar alguma luz sobre
to importante assumpto.

Nem com esse fim as escrevo: mas unicamente para cumprir um dever que a
lei me impe.

Anima-me a fazel-o, a confiana que tenho na benevolencia dos dignos
mestres que me ho de julgar.


Lisboa 14 de Novembro de 1899.


                                            _Avelino Nunes d'Almeida_




PRELIMINARES


Estudo botanico

A arvore de cuja cultura me proponho tratar faz parte da familia das
Oleaceas, comprehendida no grande grupo das phanerogamicas
dicotyledoneas gamopetalas superovariadas.

Habita esta familia os paizes quentes e temperados, onde  constituida
por arvores ou arbustos de folhas oppostas, simples, inteiras e quasi
sempre sem estipulas.

As diversas especies que a compem apresentam inflorescencia em cacho
simples ou composto, e algumas vezes em forma de thyrso.

Flores hermaphroditas e regulares, raramente polygamicas ou dioicas.

Calice livre, presistente com quatro e algumas vezes cinco divises.

Corolla hypogynica com quatro fendas mais ou menos profundas, de maneira
a apresentarem quatro petalas, duas das quaes muitas vezes abortam.
Apresenta a forma assalveada, rodada ou afunilada.

Geralmente dois estames alternos com os filetes curtos algumas vezes
livres outras vezes inseridos sobre a corolla; s vezes apparecem quatro
estames alternando com as petalas.

Antheras ordinariamente introrsas, biloculares fazendo-se a sua
dehiscencia por duas fendas longitudinaes.

Genyceu de tamanho regular cujo ovario  livre, bilocular encerrando
cada loculo geralmente dois ovulos. Um s estylete, curto, estygma
simples e bifendido. Fructo secco ou carnudo (capsula, baga ou drupa).

Sementes com albumen ou sem elle: no primeiro caso tem embryo recto com
cotyledones foliaceas; no segundo caso as cotyledones so carnosas.

A familia das Oleaceas est dividida em varios generos dos quaes alguns
so frequentes no nosso paiz. Entre estes contam-se os generos Syringa
(_L._), Ligustrum. (_Tourn._) Phyliria (_L._) e Olea (_Tourn._)


*Olea, Tourn.*--Este genero  caracterisado por ter as flores dispostas
em pequenos cachos axillares, simples ou compostos; calice tetradentado;
a corolla com 4 fendas; estames salientes e inseridos no cimo do tubo da
corolla; estylete curto; estygma bilobado, conico e grande. Fructo
carnudo, oleoso, drupaceo; semente ossea com um ou dois espermas e o
embryo recto.

So arvores ou arbustos de folhas simples, coreaceas, inteiras,
presistentes e oppostas.


A oliveira faz parte d'este genero e entra na constituio da especie
_O. europaea_, L. originando dentro d'esta especie um grande numero de
variedades.

A _O. Europaea_ distingue-se pelos seus cachos axilares de flores
brancas. Forma arvores ou arbustos de folhas oppostas, persistentes,
coriaceas, inteiras, brancas ou esbranquiadas na pagina inferior.


O typo verdadeiro da oliveira parece ser o Zambujeiro (Olea oleaster D.
C.) que se apresenta sob a forma de arvores ou arbustos de ramos
quasi sempre espinescentes, com drupas pequenas, negras e algumas vezes
brancas.

Esta variedade  dotada de muito vigor, sendo por isso empregada como
cavallo sobre que se enxertam as variedades mais productivas.

A oliveira commum, cultivada em todo o paiz,  a O. europaea sativa, D.
C. que forma arvores com ramos sempre inermes, drupa cujo tamanho varia
muito com a intensidade da cultura, e de cor escura. A sua cultura tem
introduzido na sua organisao modificaes mais ou menos profundas que
tem dado origem  differenciao de um grande numero de variedades.
D'estas differenas, faceis de obter, nos caracteres especificos da
planta nasce uma grande difficuldade seno uma impossibilidade completa
em se determinar o numero exacto das variedades cultivadas, e de fazer
n'ellas um estudo botanico que bem as caracterise.

A avolumar ainda as difficuldades levantadas pelas alteraes
morphologicas dos orgos da planta surge ainda o inconveniente da
diversidade de nomes que de terra para terra so dados a uma mesma
variedade.


 do maior ou menor vigr das arvores, da natureza dos seus portes e
sobretudo da colorao, forma e grandeza dos seus fructos que se tiram
os caracteres das suas variedades.

So muito inconstantes estes caracteres. Oliveiras tenho eu visto que,
provenientes de estacas da mesma me, se apresentam hoje, logo 
primeira vista, com aspectos muito differentes dos da planta d'onde
provieram.

A planta de que se extrairam estas estacas  uma velha oliveira que tem
vegetado sempre  custa dos elementos naturaes do terreno, j de si
pobre, e que pela sua constituio schistosa no  dos mais proprios
para esta especie de cultura. Os seus fructos so pequenos, as folhas,
esbranquiadas na pagina inferior, tomam uma cr verde pouco
carregada na pagina superior. As estacas d'ella provenientes foram
levadas para o littoral e plantadas em um terreno onde annualmente se
faz a cultura do milho e de outros cereaes.  um terreno
argillo-calcareo com ligeira inclinao ao poente.

As arvores provenientes d'estas estacas so muito vigorosas; o seu
fructo  muito mais volumoso que o produzido pela planta me; as folhas,
com quanto apresentem na pagina inferior a cr esbranquiada
caracteristica da especie, apresentam na pagina superior uma cr verde
mais escura que as da planta d'onde provieram: estas differenas so to
sensiveis que difficilmente se conhecer nas duas plantas a mesma
variedade.

No meio d'esta confuso algumas variedades tem sido j caracterisadas,
algumas das quaes j foram descriptas por Jos Antonio de S,
Dalla-Bella, Mendo Trigoso e Baro de Forrester.

So nove as castas apresentadas por estes auctores, conhecidas pelos
nomes de: _negres ou maduraes, verdeaes, cordovezas, lentisqueiras ou
durasias, carrascas, bicaes, negruchas, carlotas redondis judiagas ou
mananilhas._


O distincto agronomo Sr. Sousa da Camara, no seu _Estudo da Oliveira_
actualmente em publicao na _Gazeta das Aldeias_, tem conseguido at
hoje differenar as seguintes variedades e sub-variedades:

            Variedades                           Sub-variedades

Nome botanico                    Nomes vulgares

Olea europaea oleaster, D. C    { Zambujeiro.
                                { Zambujo.

Olea europaea pomiformis, Clem. { Mananica.    } Golozinha.
                                { Mananilha.   }

                                { Cordoveza.    }
                                { Cordovil.     }
Olea europaea, regalis, Clem.   { Longal.       } Redondal.
                                { Santulhana.   }
                                { Sevilhana.    }

                                { Bical.
O. europaea, rostrata, Clem.    { Bicuda.
                                { Cornalhuda.
                                { Cornicabra.

                                { Gallega.      }
O. fructo oblongo, Bauh.        { Madural.      } Negrucha.
                                { Negral.       }

Olivo murtea.                   { Carrasca.     } Carrasquenho meudo e
                                { Carrasquenha. } carrasquenho tinto.

                                { Brunhenta.    }
                                { Durasia.      }
Olivo racemosa.                 { Lentisca.     } Barrenta.
                                { Lentisqueira. } Zambulha.
                                { Zambulheira.  }

O. viridula, Gou.               { Verdeal.      } Verdeal cobranosa
                                { Carlota.
                                { Judiaga.
                                { Redondil.
                                { Oliveira de fructos vernaes,
                                { Zamborina.
                                { Tentilheira.




CAPITULO I


Clima e solo


A--Clima

So por de mais notaveis as diversidades existentes nas especies
vegetaes que habitam a superficie da terra.

Estas diversidades que se observam dentro da mesma propriedade e que
augmentam de propriedade para propriedade e de um paiz para outro,
accentuam-se extraordinariamente quando comparamos a flora de dois
continentes.

A estructura, composio chimica do solo e o clima so as causas
principaes d'esta accidentada vegetao.

Cada planta tem as suas exigencias especiaes, de cujo conhecimento
resulta a determinao da zona de terreno em que cada especie encontra
condies favoraveis de vida.

Conhecida a zona propria para a vida de cada planta, ou melhor,
conhecidas as especies culturaes adaptaveis a uma determinada zona de
terreno, poder-se-ha emprehender uma explorao agricola mais segura dos
seus resultados do que se a completa ignorancia da geographia botanica
nos obrigasse a emprehender ao acaso essa explorao.

S um grande esforo, que acarretaria despezas enormes, pode permittir
que se desvie uma planta do seu habitat natural, para, por processos
artificiaes, obter d'ella eguaes productos.

 isto que se faz em varios paizes da Europa, como por exemplo em
Inglaterra, onde em estufas apropriadas se fora a videira a produzir.
Depois, no mercado, a muita procura alliada  raridade do producto,
remunerar condignamente o esforo e a despeza do industrial.

Plantas ha que, mais modestas nas suas exigencias, podem vegetar nos
sitios menos favorecidos pela natureza. So estas as plantas herbaceas
expontaneas, as quaes se vm vegetar em sitios onde  vedado o
desenvolvimento s plantas arboreas ou arbustivas.

Outras, porm, e n'este grupo entra uma grande parte das plantas
cultivadas, no se contentando com as minguadas exigencias d'aquellas,
tornam mais limitada a zona em que a vida lhes  favoravel.

As especies arboreas, pela sua constituio robusta e pelo seu grande
desenvolvimento radicular, accommodam-se em sitios onde as culturas
arvenses no poderiam ter logar.

O nosso paiz, pela sua accidentao e variedade da sua paizagem, est
naturalmente indicado mais para aquellas do que para estas culturas.

A oliveira, arvore cuja cultura  to remuneradora, aqui encontra
condies muito favoraveis de vida.

As boas condies do nosso clima, alliadas  estructura do solo que lhe
 propria, collocam-nos em condies de por toda a parte disseminarmos a
sua cultura, augmentando a produco que at hoje tem sido muito diminuta.

A oliveira exige, para poder prosperar e produzir, uma temperatura
branda e pouco variavel.

A area destinada  sua cultura vae, segundo _Gasparin_, at aos 46 de
latitude N. e ao sul  limitada pelo Tropico.

Outros auctores, porm, limitam mais a area indicada por Gasparin.

_De-Noisette_, por exemplo, d-lhe como zona propria a comprehendida
entre 25 e 43 de latitude boreal. Para l de 46 a oliveira cresce,
mas  muito raro amadurecer os seus fructos;  medida que formos
caminhando para o equador, esta arvore vae augmentando de volume, mas de
18 para baixo d-se o mesmo caso que para cima de 46.

Os calores intensos e os frios excessivos prejudicam altamente a vida
d'esta arvore; e no tanto os frios intensos como as mudanas bruscas de
temperatura n'ella exercem a sua nefasta influencia.

Tem-se visto estas arvores supportarem, sem alterao sensivel nas suas
funces, uma temperatura de -16 C., ao passo que so accommettidas por
uma morte rapida quando, depois de terem estado por algum tempo
submettidas  temperatura de -5, so banhadas rapidamente por um sol
claro e intenso.

Procurar, portanto, os logares em que a temperatura seja pouco variavel,
ser pratica prudente e vantajosa.

Alguns querem at estabelecer a visinhana dos mares como unico solar
onde esta preciosa arvore encontraria condies confortaveis de vida,
por ser ahi onde a temperatura  mais estavel; a pratica, porm, destroe
tal assero, pois que no interior dos continentes ella se v
desenvolver e fructificar admiravelmente.

Para determinarmos se uma dada regio  ou no propria para esta
cultura,  de summa importancia o conhecimento das temperaturas maxima e
minima; nunca nos devemos guiar s pelo conhecimento da sua temperatura
media.

 sabido que para a completa maturao do fructo, a oliveira exige um
total 3978 de calor; mas sitios ha em que esse numero de graus se obtem
igualmente, embora as temperaturas extremas divirjam muito. Se
considerarmos dois logares, n'um dos quaes as temperaturas minima e
maxima sejam _a_ e _b_, e no outro _a-c_ e _b+c_, elles tero as mesmas
temperaturas medias e comtudo pode ser impossivel a olivicultura no
segundo e muito adaptada ao primeiro; depende isso simplesmente do valor
de _c_.

Estes inconvenientes conseguem remediar-se procurando exposies em
harmonia com o clima local.

A _exposio e inclinao_ do terreno so duas questes de summa
importancia para este assumpto. Em um clima demasiadamente quente, pode
convir uma exposio que seria prejudicial em outro que no tivesse a
mesma propriedade.

No nosso paiz a exposio ao sul  a mais conveniente, a no ser n'um ou
n'outro ponto em que o calor excessivo do vero e a pequena percentagem
de humidade nos terrenos, aconselhem inclinao differente. Nos sitios
onde so frequentes as geadas, nunca a exposio a Levante pode convir,
porque a planta que durante a noite esteve submettida a um frio intenso,
soffre muito ao receber rapidamente os matutinos raios solares. O
desgelo seria rapido e a sua influencia na vida das cellulas prejudicial.

Em resumo, aconselharei a exposio ao meio dia, como a que mais
geralmente convem, sendo muito para adoptar tambem a exposio ao poente.


Quanto  _inclinao_,  prefervel a meia encosta porque n'ella se
somma maior numero de graus de calor do que nos terrenos de planicie, se
os considerarmos collocados nas mesmas condies de altitude, latitude e
composio.

A pratica tem provado que, embora as oliveiras vegetem e fructifiquem
perfeitamente nas planicies, o azeite extraindo dos seus fructos  mais
grosso, de peior qualidade, e que estes no acto da expremidura
desprendem muito mais _almofeira_ do que os fructos provenientes de
oliveiras cultivadas nas encostas.

No ha vantagem em cultivar a oliveira em terrenos demasiadamente
inclinados, porque ahi so impossiveis as lavouras mechanicas, tendo
este trabalho de ser feito a brao, o que augmenta muito a despeza.

A este inconveniente junta-se ainda o da terra ser arrastada da parte
superior para o fundo da encosta, resultando d'aqui que o solo se vae
tornando cada vez menos profundo  medida que vamos subindo na encosta.

Este inconveniente observa-se facilmente pelo simples aspecto da
plantao. As arvores da base alcanam maior e mais rapido
desenvolvimento graas  espessura do solo, successivamente augmentado
pela terra deslocada da parte superior.

O sr. D. Jos de Hidalgo Tablada d como limite de inclinao para as
terras trabalhadas com arado a inclinao de 6%. Para maiores
inclinaes convir fazer a cultura em sucalcos.


B--Solo

A oliveira  tida como uma planta que vegeta em todos os terrenos
qualquer que seja a sua contextura ou a sua composio chimica.

Effectivamente ella vive por toda a parte povoando terrenos da mais
differente structura, e ainda n'aquelles em que muitas outras arvores
no encontram condies favoraveis, ella se mostra com aspecto regular.
Muitas vezes os maus tratos dos homens e a sua exposio aos frios e aos
ventos fortes so-lhe mais prejudiciaes do que as ms qualidades do
terreno.

Ento essas arvores cuja resistencia s ms qualidades do terreno, s
por si, no conseguiram destruir, cede, embora lentamente,  combinao
d'ellas com os maleficios provenientes da velhice e dos maus tractos, e
o seu tronco, minado internamente pela alterao dos seus tecidos, vae
desapparecendo, apresentando-se frequentemente reduzido a uma debil
parede formada apenas pela casca e pelas primeiras camadas do alburno.

A custo este debil tronco vae mantendo em equilibrio o decrepito
individuo, at que um dia o vento ou qualquer outro agente se encarregue
de o prostrar por uma vez.

Este tronco ao desapparecer no arrasta comsigo as ultimas
manifestaes de vida do individuo de que fazia parte.

Dentro em pouco, da parte mais superficial das suas raizes, e da sua
toia ver-se-ho surgir novos rebentos que o viro substituir.

Estes casos que so muito frequentes mesmo nos peiores terrenos no
significam que seja indiferente destinar este ou aquelle terreno 
cultura d'esta arvore.

Embora possa viver em toda a area que lhe foi destinada ella tem
comtudo, dentro d'essa area, preferencia por determinados terrenos, e 
sua boa vegetao e sobre tudo  qualidade e quantidade do fructo
importa muito a escolha do solo destinado ao olival.

Os terrenos francos e soltos permeaveis e medianamente ferteis, fundos e
frescos so os que mais lhe convm. Prejudicam-a bestante os terrenos
humidos e os demasiadamente seccos.

So os terrenos calcareo-silico-argillosos os que melhor satisfazem a
estas condies. Prestam-se muito a esta cultura os terrenos pedregosos
onde ella encontre terra bastante para o desenvolvimento das suas raizes
no principio da sua vida.


De grande importancia n'esta questo  a qualidade do sub-solo; este
pode tornar muitas vezes impossivel a cultura d'um terreno cujas boas
qualidades de solo parecessem as mais proprias para a vida vegetal.

Os terrenos de sub-solo impermeavel so muito desfavoraveis  cultura da
oliveira a no ser que sejam submettidos a uma drenagem. Este
inconveniente trazido ao terreno pela impermeabilidade do seu sub-solo 
em parte attenuado nos terrenos inclinados porque n'elles  menor a
infiltrao das aguas e mais facil o seu escorrimento  superfcie do
seu sub-solo.


Quanto s condies chimicas do terreno,  d'ellas que mais depende
a vegetao e produco da oliveira assim, como o rendimento e qualidade
do azeite. O augmento de produco de uma dada planta consegue-se muitas
vezes pelo augmento na terra de um s dos elementos indispensaveis 
vida vegetal; outras vezes, e pelo mesmo processo, se pode fazer reviver
uma cultura que a muitos o seu aspecto poderia fazer imaginar perdida.

Das analyses feitas por varios chimicos sabe-se que a oliveira apresenta
no seu todo, quantidades elevadas de cal, potassa e acido phosphorico.
Ora, como  indubitavelmente do terreno que a planta extrahe todos estes
principios, necessario se torna que elles se encontrem nos terrenos
destinados a essa cultura. Os nossos terrenos so bastante ricos em
acido phosphorico dispensando-nos por isso de nos preoccuparmos muito
com elle. O que convem  attender mais s percentagens de cal e de
potassa por serem estes corpos os de mais incerta existencia no terreno.


So-lhe muito favoraveis os terrenos vulcanicos, graniticos, schistosos
e sobre tudo os calcareos.


N'estes ultimos vegeta a oliveira admiravelmente mas o seu azeite 
muito gordo.  nos terrenos de fraca tenacidade, onde as oliveiras do
os oleos mais finos; nos de grs os azeites so de mediana qualidade; e
nos schistosos e graniticos a oliveira produz fructos de que exsuda o
azeite mais superior.




CAPITULO II


Adubaes

Sem duvida a oliveira  uma planta que pode vegetar em toda a casta de
terrenos, mesmo os mais pobres, excepo feita d'aquelles em que houver
superabundancia de humidade; a sua produco, porm,  que, como em
todas as plantas, est em harmonia com os cuidados que se lhe dispensam.

Por isso a adubao do terreno tem uma alta importancia, e a escolha do
adubo deve merecer ao olivicultor escrupulosa atteno.

Nunca devemos esquecer o fim principal com que pretendemos empregar a
adubao.

Tres so os fins com que lanamos mo dos adubos: para favorecermos o
desenvolvimento da planta, para lhe augmentarmos a produco ou com o
fim duplo de lhe augmentarmos o desenvolvimento e a produco. Estes
tres fins esto em harmonia com os tres periodos differentes porque
passa a vegetao de todas as arvores, no primeiro dos quaes se d o
crescimento da planta, no segundo o estacionamento e no terceiro o seu
decrescimento.

Claro est, que, ao passar por estas phases vegetativas, devemos
dispensar  planta os adubos que mais nos convenham para d'ella podermos
tirar o producto da maneira mais remuneradora possivel.

No perdendo nunca de vista a phase vegetativa em que a planta se
encontra, so as analyses chimicas da propria oliveira e do solo que nos
fornecem as precisas instruces para a determinao da adubao a dar 
cultura:

As colheitas e as podas vo exgotando o solo constantemente e
leval-o-ho a um estado de exgotamento completo se de qualquer frma lhe
no restituirmos os elementos perdidos.

Para podermos determinar conscienciosamente a formula a dar ao adubo,
(caso pretendamos empregar os adubos chimicos), ou a quantidade de
estrume a empregar, (se lanarmos mo do estrume de curral ou de outro
qualquer), necessario se nos torna calcular primeiramente o
empobrecimento do terreno devido  produco da arvore.

No  difficil fazer-se este calculo de uma maneira bastante
approximada: bastar simplesmente, avaliar, o mais rigorosamente
possivel, a quantidade, em pezo, de lenho e folhas extrahida pela
poda, assim como o pezo do fructo produzido por esse olival. Conhecidos
estes elementos facil ser determinar por meio das analyses j
existentes, qual a adubao necessaria.

O conhecimento do pezo de rama proveniente da poda  perfeitamente
dispensavel no caso, alis pouco vulgar entre ns, de ella ser enterrada
no solo do olival d'onde proveio.

N'este caso o exgotamento do terreno  simplesmente egual  quantidade
de elementos que entram na composio de todo o fructo.

Supponhamos um olival disposto em quadrado com o compasso de 8 metros,
ser de 156 o numero de ps existentes no hectare. Admittindo que cada
arvore produz em media 15 litros e que o pezo de cada litro  de 600
grammas, ser de 9 kilos o pezo de azeitona produzida por cada arvore.

_Caruso_ calcula que do pezo de rama extrahida annualmente pela poda,
22% so de folhas e os restantes 78 so de lenho.

No , porm, s a poda que obriga a arvore a perder ramos e folhas.

Muitas outras causas obrigam uns e outros a desprender-se da planta me
e a vir augmentar o contigente fornecido pela poda.

Entre ns o barbaro systema da apanha do fructo, geralmente seguido no
paiz,  causa de enormes desperdicios. Os ramos desprendidos pelo varejo
so os mais tenros e n'elles a parte foliar no poder ter para a parte
lenhosa a relao estabelecida por aquelle auctor.

Para o nosso paiz costuma avaliar-se, em media, em 6 a 7 e 5 a 6 kilos
respectivamente o pezo de folha e de lenho perdido annualmente por uma
oliveira; e em 9 kilos o peso da sua produco em fructo.

A composio centesimal das diversas partes da arvore , segundo Mntz,
a seguinte:

                        Lenho   Folhas  Fructos
    Azoto               0,40    0,50    0,274
    Acido phosphorico   0,10    0,29    0,130
    Potassa             0,35    0,74    0,360
    Cal                 0,50    1,45     --

Se toda a quantidade de lenho, folhas e fructos extrahidos da arvore
forem levados para fra do olival, produzir-se-ha um exgotamento que,
para os numeros 7, 6 e 9 acima indicados como representando o numero de
kilos d'estes materiaes perdidos annualmente por cada arvore, se poder
computar no seguinte para cada individuo:

                            Lenho   Folhas  Fructos     Total
    Azoto                   0,024   0,035   0,024       0,083
    Acido phosphorico       0,006   0,020   0,012       0,038
    Potassa                 0,021   0,051   0,032       0,104

indicando estes numeros o pezo em kilos para cada arvore.

Para as 156 arvores existentes no hectare teremos:

                        Lenho   Folhas  Fructos     Total
    Azoto               3,74    5,46    3,74        12,94
    Acido phosphorico   0,93    3,12    1,87         5,92
    Potassa             3,27    7,95    4,99        16,21

So estas as quantidades de elementos essenciaes perdidas annualmente
pelo terreno e que  necessario restituir-lhe para no prejudicarmos a
cultura.


Sob diversas frmas e em substancias differentes se podem ministrar aos
terrenos aquelles elementos.

Quer debaixo da frma de adubos chimicos preparando para isso uma
formula em que entre o azoto, o acido phosphorico e a pottassa nas
percentagens indicadas n'estas tabellas, quer em estrume de curral
ou em estrumaes verdes se podem encorporar no solo aquelles elementos,
que de todas as frmas as suas vantagens se assignalam de uma maneira
mais ou menos notavel.

Vantagens ha as sempre para a planta na execuo d'esta operao; mas a
sua grandeza varia sempre com a natureza do terreno a adubar e com a
qualidade do adubo a empregar. Claro est que no que mais necessario se
torna fixar a atteno  nos resultados economicos e esses so os que
mais fazem variar as vantagens dos differentes systemas de adubar.

No caso em questo, em que supponho que todas as partes tiradas das
arvores foram levadas para fra do olival e em que, portanto, se
roubaram ao terreno 12k,94 de azoto, 5k,92 de acido phosphorico e
16k,21 de potassa, precisaria, no caso de me querer servir dos adubos
chimicos, da seguinte formula:

    Sulphato de ammoniaco     Superphosphato     Cloreto de potassa
         65k a 20%               37k a 16%           34k a 50%

Estas seriam as adubaes que theoricamente seria necessario dar a um
hectare de oliveira; ha, porm, sempre a contar com as perdas soffridas
por diversas causas, entre as quaes avulta o arrastamento de algumas
d'essas substancias pelas aguas das chuvas. O azoto, por exemplo,  uma
substancia que, quando nos estados em que pode ser absorvido pela
planta,  muito facilmente arrastado pelas aguas. Alm d'isso devemos
ter em conta que nem todos os elementos sero absorvidos pela planta,
porque nem a todos os pontos em que se espalhar essa adubao chegaro
as suas radiculas para os absorver totalmente.

Attendendo a estas circumstancias que inhibiro a planta de aproveitar a
adubao na sua totalidade, convir sempre augmentar um pouco as
quantidades calculadas com o auxilio das analyses chimicas.

Disse no principio do presente capitulo que para determinar
racionalmente a adubao conviria a presena das analyses chimicas da
planta e do solo.

Effectivamente, como j expuz, a analyse da planta diz-nos as
quantidades das diversas substancias de que ella carece annualmente, mas
no nos prova que seja necessario ministrar ao solo todos esses
elementos, e s n'este ultimo caso  que ella seria dispensavel.

Muitas vezes os terrenos pela sua riqueza em determinado ou determinados
elementos dispensam a encorporao, no solo, d'esses mesmos elementos.

 preciso, porm, certo criterio ao lidar com as tabellas que nos
indicam a composio do solo.

Algumas vezes acontece indicar-nos a analyse a existencia de um dos
elementos em propores elevadas e no entanto a cultura agradecer-nos
uma adubao em que entre este elemento.

Com o azoto, por exemplo, d-se algumas vezes este caso; este corpo no
pde ser utilisado pela planta seno no estado mineral (nitrico ou
ammoniacal) podendo comtudo existir no terreno em grandes quantidades
sob a frma de azoto organico. Evidentemente a planta cultivada n'este
terreno no se poder utilizar de tamanha riqueza de azoto, e uma
adubao azotada ser-lhe-ha vantajosa, a no ser que se provoque n'esses
terrenos uma nitrificao mais energica que obrigue este azoto a passar
 frma mineral.

 nos terrenos pobres em cal que se d este caso e ento a addio de um
correctivo calcareo, mais barata que a adubao azotada, substituir
esta com manifesta vantagem.


O estrume de curral fornece-nos um meio bastante economico de adubarmos
o terreno. Este adubo ao sahir da estrumeira, onde previamente tenha
sido bem tratado, apresenta-nos a seguinte composio media, por
tonelada: azoto 4k,7, acido phosphorico 3k,0, potassa 5k,2, o que,
para as quantidades d'estes elementos calculadas para a adubao d'um
hectare, mostra serem precisos, em numeros redondos, 4:000k d'este adubo
attendendo  elevada percentagem de potassa indicada na analyse da
oliveira.

Deve ter-se em considerao que ha sempre conveniencia em incorporar no
solo grandes quantidades de materia organica, sobre tudo se este for
muito compacto ou muito solto, porque esta substancia modifica-lhe as
suas propriedades physicas approximando-as cada vez mais das terras
francas.

D'aqui a conveniencia de se augmentar a quantidade de estrume de curral,
no sendo exagero o emprego de 6:000 a 7:000 kilos por hectare.

Nas terras soltas a modificao da sua coheso no  a unica causa que
milita em favor do adubo de curral. Ahi o seu pouco poder de reteno
para as aguas sujeitar-nos-hia a grandes perdas do azoto nitrico ou
ammoniacal que lhe fornecessemos em adubaes chimicas.

Convem ento o emprego do azoto organico e  o estrume de curral o
melhor meio de o obtermos.


Podem-se ainda empregar na adubao o estrume constituido pelas algas
que to abundantes so na nossa costa.

Tm estas plantas riquezas muito apreciaveis para nos poderem dar um
adubo cujo emprego  muito vantajoso, sobre tudo nas localidades
proximas dos rios e mares onde se exerce a industria da sua extraco,
porque ahi so mais convidativos para o agricultor os preos de transporte.

Em media, a composio centesimal das nossas algas  a seguinte: azoto
1,143, acido phosphorico 0,670, potassa 1,125.

Para com esta qualidade de estrumes se adquirirem as quantidades
d'aquellas substancias, necessarias ao olival a que me venho
referindo, seriam precisos simplesmente 1:600 kilos por hectare.

Como para o estrume de curral, aconselha-se empregar sempre maior
quantidade do que a referida.  de 3:000 kilos a quantidade aconselhada
por alguns auctores, a qual nos d as seguintes quantidades de: Az. 30k,
KHO 30k e Ph^{2}.O^{5} 21.


Adubaes verdes

Uma grande variedade de plantas se costumam empregar como adubos e em
algumas d'ellas a sua riqueza em potassa e acido phosphorico torna-as
muito recommendaveis. As mais empregadas so: as urzes, giestas,
polipodio; as folhas de faia, carvalho, pinheiro, abeto e videira; as
palhas de trigo, centeio, cevada e aveia, etc.


Os calculos do exgotamento das arvores, feitos no principio do presente
capitulo, revelam-nos  primeira vista a conveniencia de encorporarmos
novamente na terra a rama extrahida natural ou accidentalmente das
oliveiras. Assim restituimos por meio d'ella, ao solo, os elementos que
ella mesma lhe tinha roubado. Reparamos d'esta maneira, em parte, as
perdas soffridas que ficam reduzidas simplesmente aos materiaes que
entram a constituir o fructo, os quaes para a produco supposta se
reduzem a: 3k,74 de Az., 1k,87 de Ph^{2}O^{5} e 4k,99 de KHO por
hectare. Este _deficit_ ser depois preenchido com adubos de qualquer
outra natureza; ou da mesma natureza, trazendo para isso, para o olival
a rama proveniente de outro olival.

Para a restituio completa dos elementos perdidos, sero precisos 20
kilos por arvore ou 3120 por hectare em cada anno.

No se deve, porm, fazer esta adubao annualmente, mas sim de tres em
tres annos, o que d para um hectare, 9260k de rama que  preciso
enterrar.

Esta adubao  de grande utilidade em terrenos compactos e humidos,
porque os torna mais ffos e estabelece ao mesmo tempo uma especie de
drenagem, que permitte uma facil circulao do ar no solo, um escoamento
mais facil s aguas das chuvas, e provoca ao mesmo tempo o
desenvolvimento e multiplicao das raizes.


O liquido separado do azeite no acto da prensagem ou que escorre das
tulhas, no caso alis muito pouco racional de se submetterem as
azeitonas  condemnada pratica do entulhamento,  ainda um adubo
excellente para o olival.

Porque vai prejudicar as radiculas da planta, no pde este liquido ser
empregado sem um previo tratamento, que consiste em o submetter a uma
macerao mais ou menos prolongada em agua, a que se addicione algum
adubo de curral.

As qualidades d'um adubo n'estas condies, j de si boas, augmentam
ainda quando a elle se addicionam os bagaos provenientes do lagar.


A oliveira agradece muito as adubaes feitas com os residuos das
fabricas de curtimenta de couros, com a raspadura de ossos, pontas e
unhas de animaes.


Na escolha dos differentes adubos indicados convem sempre ter em vista
que  oliveira no convem ordinariamente adubos de prompta decomposio.
S os empregaremos no caso em que s pretendamos prover ao
desenvolvimento vegetativo da arvore.

Estes adubos s vo ser gastos em proveito da vida vegetativa, e d'aqui
o adquirir a planta um grande vigor que redunda em manifesto prejuizo
para a produco.

Se quizermos empregar estes adubos, convm, antes de os encorporar no
terreno, mistural-os com folhas ou palha, ou ainda com terra solta, para
lhe attenuarmos os seus rapidos effeitos e tornal-os, por este modo,
mais aproveitaveis  fructificao.

Esta mistura deve ser bem feita, de modo a reduzir-se tudo a uma massa
homogenea.

So preferiveis os adubos de decomposio mais lenta, para que a arvore
os v aproveitando gradualmente  medida das suas necessidades. Esto
n'estes casos os adubos provenientes das raspaduras, as varreduras das
habitaes, dos caminhos e das estradas, tendo sobre os primeiros a
vantagem de serem empregados tal qual so adquiridos, dispensando a sua
mistura com substancias extranhas.


As cinzas de diversas plantas, s por si ou misturadas com os adubos j
indicados, so adubos muito uteis n'esta cultura.


Epocha do emprego do adubo

A epocha para se empregar qualquer adubo varia muito com o clima, com a
natureza do solo e com o estado do adubo.

Para um adubo de facil decomposio, convem o seu emprego na primavera,
para que a planta d'elle se approprie sem dar muito tempo a qualquer perda.

Pelo contrario, os adubos de lenta decomposio empregar-se-ho no
outomno para que tenham tempo de se decompr e incorporar com as
particulas terrosas e estarem aptos a serem absorvidos no momento
preciso, sobretudo na epocha da fructificao.


Modo de emprego

Da maneira de administrar o adubo dependem muito os seus resultados.

Condemnavel processo  o de excavar fossas junto do tronco da arvore,
com a falsa ideia de que o adubo ahi lanado  melhor utilisado pela
planta. Com isto prejudicam-se muito as arvores porque se lhes
cortam raizes grossas e porque se expem por algum tempo  influencia
dos agentes atmosphericos.

O melhor modo de empregar o adubo  cavar uma fossa circular em volta da
arvore e  distancia de 1m a 1m,5 d'ella; lana-se ahi o adubo,
cobrindo-o depois com terra. A essa distancia da arvore so muito
abundantes as radiculas, as quaes, por intermedio dos seus pellos
radiculares, faro gradualmente a absorpo dos alimentos.




CAPITULO III


Propagao da oliveira

De muitas maneiras se pde obter a propagao da oliveira, mas todas
ellas se podem conglobar em dois systemas differentes.

Um d'esses systemas  aquelle em que se emprega a semente para, pela sua
germinao no terreno, se obterem novos individuos:  a _reproduco_; o
outro consiste em se destacar de uma arvore um fragmento em determinadas
condies, o qual, enraizando na terra, dar origem a um novo individuo;
 este systema o chamado de _multiplicao_.


A--Reproduco

Esta forma de propagao  muito pouco seguida devido  demora que tm
as plantas reproduzidas em fructificar.

Em todo o caso, a compensar o inconveniente da demora em se obter uma
planta em condies de fructificar regularmente, tem este systema muitas
outras vantagens que o recommendam como o melhor processo de propagao.

As plantas obtidas por sementeira so muito mais duradouras, adquirem
melhor porte e resistem muito mais s inclemencias do clima e s
doenas do que as obtidas por multiplicao.

Para se obterem plantas por esta forma, necessario  dispender grandes
cuidados e a despeza  mais avultada do que para as obter por qualquer
outro meio; ha sempre uma grande demora na germinao das sementes, e
muitas vezes perdem-se grande numero d'ellas porque nunca chegam a
germinar, a no ser que as submettamos a um tratamento previo, que as
obrigue a germinar mais facilmente.

Alm d'estes inconvenientes, as oliveiras provenientes da semente
adquirem todos os caracteres das oliveiras bravas, precisando, por isso,
serem enxertadas logo que attinjam edade e grandeza conveniente.


Para a sementeira devem-se escolher azeitonas provenientes de plantas
ss e muito productivas, que no sejam velhas, nem to pouco muito
novas. Diz _A. Aloi_ que as melhores so as provenientes de zambujeiros
que vegetem em climas temperados, e que a sua colheita deve ser feita em
maro ou abril.

Adquirida a azeitona,  necessario extrahir-lhe o caroo, o que se faz
esmagando a polpa entre os dedos; em seguida, como a camada oleosa que
fica envolvendo o caroo  um grande obstaculo  sua germinao,
submette-se este  aco de um liquido alcalino que poder ser preparado
com carbonatos de cal e soda.

A durao do periodo germinativo do caroo pde diminuir-se por varios
meios estudados por _Gasquet_, _Passerini_ e pelo _conde de Gasparin_.

O processo d'este ultimo sabio consiste em fender o caroo com cuidado
para no offender a semente, fazendo-o em seguida amollecer envolvendo-o
em terra argillosa e bosta de boi.

Em logar de quebrar o caroo, _Passerini_ aconselha tornal-o menos
consistente, mergulhando-o para isso em agua chlorada; o chloro
ataca o caroo, rouba-lhe o hydrogenio para formar o acido chlorhydrico,
e d'este modo permitte a entrada de humidade e a troca de gazes.

Algumas aves domesticas tm a propriedade de, comendo a azeitona, nos
restituir depois, nos seus excrementos, os caroos aptos para germinar.


Alfobres

Adquirida a semente e destruida, por qualquer dos processos indicados, a
difficuldade que a materia gorda oppe  sua germinao, procede-se 
sua sementeira em alfobres de antemo preparados para esse fim.

O terreno destinado aos alfobres deve ter uma inclinao norte sul para
evitar a aco prejudicial dos ventos do norte e dar facil escoante s
aguas da chuva; deve ser o mais possivel limpo de raizes e pedras e bem
mobilisado.

Quanto a sua qualidade deve ser humifero e silicioso.

O terreno escolhido n'estas condies surriba-se no inverno a uma
profundidade de 0m,50 a 0m,60, adubando-se n'essa occasio com adubo
de decomposio mediana. Em fins de Fevereiro e principios de Maro
d-se-lhe uma segunda lavoura, que d'esta vez convir ser feita  enxada
para pulverisar melhor o terreno e para o despojar de todas as hervas
que ahi se tenham desenvolvido. Por esta occasio o estrume que se lhe
encorporou no principio do inverno deve estar j decomposto e a terra
nas melhores condies para receber a semente.

Feito isto grada-se o terreno e abrem-se sulcos com a profundidade de
0m,05, distando 0m,25 uns dos outros.

 n'estes sulcos que se collocam as sementes distanciadas 0m,25 umas
das outras, tendo o cuidado de as dispr de modo que o embryo fique na
sua posio natural. Isto feito cobrem-se com uma ligeira camada de
terra que se calca com um rolo para aconchegarmos bem a semente;
segue-se uma rega ligeira por asperso para manter o terreno fresco e
ajudar o effeito do rolo.

Quatro mezes depois, nos meados de julho, surgiro as novas plantas.
Durante todo este tempo  necessario ter o alfobre sempre limpo da
vegetao expontanea e deve manter-se sempre na terra uma certa
frescura. As regas e as limpezas feitas com muita precauo so
operaes indispensaveis.

No outomno tero as plantas adquirido uma altura do 0m,11 a 0m,20
sendo n'essa occasio necessario effectuar uma sacha para manter o
terreno ffo e mais permeavel  agua das regas.

Em localidades em que os invernos so habitualmente rigorosos 
indispensavel cobrir o alfobre com qualquer substancia para o preservar
do frio intenso que lhe  muito prejudicial. Empregam-se para isto
agulhas de pinheiro seccas, palhas ou ramos de plantas.

No segundo anno continuam as regas e sachas repetidas para que as
plantas desenvolvam bem as suas raizes. Em outubro d'este anno ou na
primavera seguinte esto as plantas aptas para serem transportadas para
o viveiro.


B--Multiplicao

Como disse, a multiplicao  um dos meios que a natureza nos fornece
para obtermos a propagao da especie. Esta operao da multiplicao
pode fazer-se por varias formas. As _estacas_, as _raizes_ e a
_enxertia_ sobre zambujeiro constituem outras tantas maneiras de
obtermos a multiplicao.

A _estaca_ que pode ser _simples_, _ramificada_ ou _composta_, de
_talo_, de _polas_ e de _protuberancias_ constitue entre ns o meio
mais seguido para a obteno de novos individuos.

As estacas, _simples_ ou _compostas_, obtm-se com muita facilidade e em
grande abundancia, sem prejudicarmos em nada o individuo de que
foram separadas, aproveitando os ramos provenientes da poda.
Escolheremos de preferencia os ramos provenientes de plantas fructiferas
e de boa qualidade, os quaes devem ser providos de boas gemmas tanto na
parte que deve ser enterrada como na que tem de ficar fora do solo.
Assim, nos asseguraremos melhor do facil desenvolvimento das raizes e
dos rebentos.

Para as estacas simples cortam-se os ramos de poda em fragmentos de 0m,30
a 0m,50 e enterram-se no viveiro de modo a ficar debaixo da terra
a sua parte mais grossa.

Para as estacas compostas aproveita-se um ramo tal como foi separado da
planta me e enterra-se n'um viveiro preliminar de tal maneira que
metade dos seus ramos fique debaixo do solo e a outra metade fique a
descoberto.

Estas ramificaes originaro, umas rebentos e outras raizes. D'aqui a
faculdade de podermos mais tarde dividir esta estaca em muitos individuos.

No fim do primeiro anno ter esta estaca enraizado pelos ramos
subterraneos e os ramos exteriores tero lanado os seus rebentos;
arrancar-se-ha, ento, com todo o cuidado para lhe no prejudicarmos as
novas raizes e, por meio de uma secatoria, a dividiremos em um numero de
partes egual ao numero de raminhos e transplantaremos estes novos
individuos para o viveiro definitivo.


Nos bordos dos golpes crescem vergonteas em cuja base se observam
dilataes dos tecidos motivadas pela accumulao de seiva. Estas
vergonteas destacadas da arvore de modo a levarem comsigo essas
dilataes e enterradas depois, enraizam muito facilmente. So estas as
chamadas estacas de tales.


Na toia da oliveira e sobre as suas raizes mais grossas que correm 
superficie da terra, apparecem grandes dilataes d'onde emergem
rebentos em grande numero, que se vo desenvolvendo  custa da planta
me e das raizes de que quasi sempre so providos.

Estes rebentos fornecem-nos um meio muito facil e seguro da propagao
da especie. Para esse fim vo-se desbastando esses rebentos de modo a
deixar s os mais vigorosos; cobrem-se as dilataes d'onde provm
(polas) com terra, para que se possam prover de raizes aquelles que
ainda as no tenham. Assim se deixam ficar at ao anno seguinte, sendo
ento transportados para o viveiro e ahi collocados em linhas 
distancia uns dos outros de 0m,80.


Um outro methodo de multiplicao muito usado na Italia  o que consiste
no aproveitamento de umas pequenas dilataes, similhantes a ovos de
pata, localisadas na parte enterrada do tronco e ainda sobre as raizes
mais grossas.

Estas protuberancias so providas de gemmas, tendo por isso a faculdade
de quando enterradas desenvolverem raizes e rebentos para darem origem a
novos individuos.

No se deve abusar muito da extraco d'estas protuberancias, porque com
isso prejudica-se a vida do vegetal de que so extrahidas, pelas feridas
produzidas nas suas raizes e pelo grande numero d'estas que  necessario
descobrir. _Antonio Aloi_ aconselha a que se no tirem mais do que 3 ou
4 de cada arvore para lhe no alterarmos sensivelmente a sua vida.

Convem antes sacrificar 3 ou 4 individuos  morte, extrahindo d'elles
todas as excrescencias encontradas, que podero montar a 300 a 400, do
que descobrir as raizes a muitas oliveiras.

Estas excrescencias devem ser tiradas de individuos robustos e
productivos, e preferem-se sempre os situados debaixo da terra, que so
mais tenros e desenvolvem mais fortes rebentos.

Para fazer a sua extraco, escava-se em volta da cepa at pr as raizes
grossas a descoberto; procura-se sobre estas com uma espatula de madeira
o sitio em que se encontram as exostoses; achadas estas, pem-se a
descoberto e  volta d'ellas se vo fazendo incises profundas, onde
depois se mette um escopro por meio do qual se faz saltar a excrescencia.

Tira-se-lhes em seguida todo o lenho que com ellas se arrancou e as suas
raizes, se por acaso d'ellas vier provida; limpa-se bem em volta, e
envolve-se em terra misturada com palha, para a conservar at  epocha
da plantao no viveiro.

Chegada esta epocha, que dever ser em Maro ou Abril, levam-se para o
viveiro, onde sero enterradas, conservando entre si a distancia de 0m,80
e a profundidade de 0,10.


As oliveiras velhas cujos troncos, j muito carcomidos, no podem
resistir ao impeto dos ventos ou das intemperies, so lanadas por terra
e as suas raizes continuam ainda a viver por muitos annos.

Com o desapparecimento do tronco velho principiam a desenvolver-se na
toia grande quantidade de rebentos ou polas. Desbastam-se estes
rebentos, deixando s os mais vigorosos, que ahi vo vivendo at
adquirirem a grossura de 0m,03, sendo ento transportados para o
viveiro e ahi plantados  distancia de 0m,80.

A plantao de todas estas estacas pode ser feita com alguma vantagem em
viveiros preliminares, como se faz para as estacas ramificadas ou
compostas; n'este primeiro viveiro vo ellas enraizar para depois serem
mudadas para o viveiro definivo. , porm, dispensavel este primeiro
viveiro, porque as estacas postas n'um s viveiro desenvolvem-se
perfeitamente e adquirem o vigor necessario para serem plantadas
definitivamente.




CAPITULO IV


Viveiro


A--Seu estabelecimento

Os individuos formados nos alfobres pela germinao da semente ahi
deposta e os provenientes de estacas que tenham desenvolvido as suas
primeiras raizes em viveiro preliminar, necessitam, depois de terem
adquirido um certo desenvolvimento, serem transportados para um viveiro
onde possam dispr de mais espao para desenvolverem e multiplicarem as
suas raizes e os seus ramos e onde possam ser convenientemente educados
at  edade de poderem ser transportados  sua definitiva morada.

As estacas e outros fragmentos em que se no tenha ainda provocado um
primeiro enraizamento no viveiro preliminar, sero immediatamente
plantadas no viveiro definitivo nas mesmas condies de espaamento
d'aquellas, porque  aqui que ellas adquiriro todo o seu corpo para
poderem ser plantadas definitivamente.


No  indifferente a qualidade do terreno onde queremos estabelecer o
viveiro; pelo contrario, devemos ter muito em considerao a sua escolha.

Um terreno muito argilloso no nos pde convir porque no inverno se
torna humido de mais e adquire no vero propriedade opposta. , alm
d'isso, muito compacto e as tenras raizes das pequenas plantas no
conseguiriam distender-se  vontade, sendo d'este modo muito prejudicado
o seu crescimento; greta muito no vero e, ou romperia as raizes ou as
deixaria expostas ao calor d'essa estao.

O solo muito silicioso possue propriedades contrarias quelle e por
isso o devemos regeitar tambem.

Escolher-se-ha, sempre para este fim, um terreno de mediana compacidade
e porosidade, o mais possivel limpo de pedras e raizes, para que as
raizes das novas plantas se possam distender perfeitamente, e onde o ar
e a agua possam circular com relativa facilidade.

Deve procurar-se um terreno com exposio ao sul o qual ainda melhor
convir se tiver para essa orientao uma ligeira inclinao. Assim
estaro as pequenas plantas garantidas contra a influencia dos ventos do
norte que tanto as prejudicam.

Um terreno demasiadamente rico no  dos mais convenientes para n'elle
estabelecermos um viveiro porque as plantas encontrando concentrados em
um pequeno cubo de terra os alimentos de que carecem no criariam um bom
raizame e sofreriam depois muito ao serem plantadas definitivamente
porque na morada definitiva no encontrariam terreno em eguaes condies.

Convm antes um terreno sufficientemente rico para que as plantas n'elle
possam adquirir grande vigor, mas que a sua riqueza no seja to grande
que possa offerecer aquelle inconveniente. Assim se provoca um grande
desenvolvimento na planta e ella ao ir para o terreno definitivo
resistir melhor s peores condies que este lhe offerea.

Antonio Aloi prefere que o terreno para o viveiro seja mais pobre que
aquelle onde depois se plantaro as novas arvores n'elle creadas. A
proposito diz este auctor que:


_Un indivduo assuefalto a vivere n'ell opulenza, passerebbe molamente 
soi giorni se fosse condannato a nutrirsi nel parco desco dei contadino;
e vice-versa, il contadino la passerebbe bene e diverrebbe grasso si se
facesse sedere tutti i giorni alla lauta mensa dei ricco._


Estas palavras do mestre italiano teriam razo de ser se o terreno
que destinassemos  plantao definitiva estivesse nas mesmas condies
climatericas em que est o terreno que escolhemos para viveiro. E no s
divergem as condies climatericas do terreno do olival para o terreno
do viveiro: para o viveiro escolhem-se sempre os terrenos nas melhores
condies physicas para a vida das plantas, submettem-se a trabalhos de
limpeza, mobilisao, regas e estrumaes a que no sero nunca
submettidos com a mesma intensidade e com a mesma perfeio os terrenos
destinados ao olival definitivo.

Por isso, a oliveira transplantada vae encontrar peores condies
physicas e climatericas do que aquellas a que at ahi tinha estado
submettida; e, quanto a mim, parece-me que s a robustez da planta ser
garantia do seu desenvolvimento na sua ultima morada.

Os terrenos destinados aos olivaes devem ser aquelles em que  pouco
remuneradora a cultura cerealifera.

So portanto terrenos pobres; e no me parece que, n'um viveiro
estabelecido em terreno ainda mais pobre, as pequenas plantas se possam
desenvolver convenientemente. Ho de ser, por fora, enfezadas e
rachiticas desde a sua infncia e incertamente resistiriam s peores
condies do terreno, embora mais rico, que lhes  destinado.

E poder-se-ha tambem dizer que, um individuo mal alimentado na sua
infancia soffreria muito mais ao mudar para um mau clima, do que outro
que, desde creana tambem, tenha sido submettido a uma boa alimentao,
precursora de uma boa robustez physica.

O terreno em boas condies para viveiro ser aquelle em que,
n'um cubo de terra rasoavel, a planta encontre elementos bastantes
para lhe fornecerem uma boa alimentao, e que tenha compacidade
sufficiente para bem sustentar a planta e para lhe permittir um facil
desenvolvimento de raizes. Satisfazem a estas condies os terrenos
argillo-silico-humiferos de mediana riqueza.

Escolhido o terreno, surriba-se a uma profundidade no inferior a 0m,50,
no principio do inverno, servindo-nos, para esse fim, da p ou da
enxada. Convem que, durante a execuo d'esta operao, haja sempre o
cuidado de inverter a disposio das camadas de terra.

No fundo das vallas,  de grande conveniencia lanar-se ramos de arvores
que desempenharo o papel de uma drainagem.

Depois d'esta surriba, a terra ficar exposta  influencia benefica dos
agentes atmosphericos at Maro, epocha em que se pratica uma segunda
lavoura, d'esta vez apenas com a profundidade de 0m,40 a 0m,45.
Aplaina-se em seguida a terra, que ficar apta para receber a plantao
dos individuos provenientes do alfobre, assim como a plantao das
estacas, enraizadas ou no, raizes, polas, etc.


Plantao nos viveiros

Quer os individuos a plantar venham j enraizados do alfobre ou do
viveiro preliminar, ou venham ainda enraizar n'estes viveiros, deve
sempre a sua plantao ser feita methodicamente.

As disposies methodicas adoptadas tanto para os viveiros como para a
plantao definitiva, so: em quadrado, em linhas e em quinconcio.

De todas, a melhor e por isso a mais recommendada e seguida  a ultima.

N'esta disposio conservam todas as plantas a mesma distancia entre si,
tendo assim, todas, a mesma extenso de terra  sua disposio.

Tem ainda a vantagem de as plantas se defenderem mutuamente da aco dos
ventos.

 relativamente facil fazer sobre o terreno uma marcao em quinconcio.

    [Ilustrao: Diagrama]

Para isso traa-se sobre o terreno a linha AB e prependicularmente a
esta as linhas AK e BL; em seguida, com uma sirga que tenha um compasso
egual ao que queremos dar  plantao, que n'este caso ser de 0m,80,
marcam-se os pontos a _a' a''_...; feito isto, constroe-se o triangulo
isosceles _a b a'_, o que  facil: basta descrever dois arcos de circulo
com um dos compassos da corda, fixando-lhe uma das extremidades, uma vez
em _a_ e outra em _a'_. Estes dois arcos cruzar-se-ho em _b_, vertice
do triangulo: mede-se em seguida a distancia de _b_ ao meio _c_ da linha
_a a'_; esta distancia que  a altura do triangulo, applica-se sobre as
linhas AK e BL tantas vezes quantas for possivel, o que se faz muito
facilmente arranjando uma sirga com aquelle compasso.

Determinaremos assim os pontos C, E, G... na linha AK e os pontos
correspondentes D, T, H... na linha BL.

Levanta-se em seguida a sirga da posio AB e colloca-se em CD, de
maneira que em C assente o meio _c_ do compasso _a a'_, e assim teremos
uma segunda linha para a plantao. Colloca-se depois a sirga em EF, na
mesma posio que estava em AB, e teremos a terceira linha; em seguida
transporta-se a sirga para GH, collocando-a na posio em que se
collocou em CD; assim se vo successivamente traando as linhas de
plantao pelos pontos marcados nas linhas AK e BL, tendo sempre o
cuidado de collocar a sirga alternadamente nas posies em que se
collocou em AB e em CD.

Ficar assim marcada uma rigorosa plantao hexagonal.

Marcados, d'esta ou d'outra maneira, os pontos correspondentes a cada
individuo, procede-se ento  plantao.

Para as estacas simples abre-se um buraco no terreno com um furador,
mettendo ahi a estaca com a sua parte mais grossa para baixo, tendo o
cuidado de lhe deixar fra da terra os ultimos 2 ou 3 olhos.

Uma vez collocada a estaca no seu logar, aconchega-se-lhe bem a terra,
desfazendo bem as paredes do buraco em que foram enterradas. Sem esta
precauo ha todas as probabilidades de a estaca no pegar.

Para as exostoses escavam-se  enxada pequenas covas com a profundidade
de 0m,30 onde sero collocados estes seres. Antonio Aloi aconselha que
antes de os enterrar se mergulhem em agua que tenha em soluo bosta de
boi, se envolvam depois em terra fina para em seguida se collocarem nos
covachos. Ao dispr estes seres nas covas deve haver sempre o cuidado de
os deixar com a gemma voltada para cima e um pouco inclinada para o sul.
Cobrem-se depois com terrio acabando de encher a cova com cinza de
barrella, que tendo a propriedade de manter ffo o terreno, d facil
sahida aos rebentos. Estes apparecem  superfcie ao cabo de 30 a 40 dias.

Muitas vezes o calor em seguida  chuva faz endurecer a camada de cinza
e este endurecimento impede os rebentos de sahirem da terra. Ento com
uma espatula de madeira, se remover cuidadosamente a crosta
endurecida, nos sitios em que se fizeram as plantaes, que nos sero
indicados por uma cana ou pequeno pau ahi enterrado na occasio da
plantao.

Muitos rebentos podem nascer d'um mesmo individuo, dos quaes uma parte
vem  superficie da terra e outros, devido a qualquer obstaculo que
encontram no terreno, dirigem-se, tortuosamente em diversas direces
debaixo da terra. Convem ento afastar a terra e com a unha, extrahir
todos esses rebentos  excepo de dois, tendo o cuidado de, ao executar
esta operao, no deslocar do seu logar o ser que lhes d origem. Dos
dois rebentos poupados por esta operao, um d'elles, o mais fraco, 
mais tarde destruido.

Deve haver sempre muita vigilancia no viveiro para ir destruindo todos
os rebentos que forem apparecendo depois d'esta primeira operao.


Para os individuos j enraizados necessario se torna prodigalizar-lhes
outra especie de cuidados para os no prejudicarmos com a mudana. Estes
cuidados devem principiar logo no acto do arranque no alfobre ou no
viveiro preliminar.

Usa-se da enxada ou da p para procedermos a esta operao mas com todos
os cuidados possiveis para lhes no prejudicarmos as raizes. Se alguma
ou algumas raizes forem dilaceradas devem-se cortar acima do ponto
ferido para evitar que a sua putrefaco acarrete  planta algum
soffrimento. Arrancadas as plantas trazem-se para o viveiro e ahi sero
plantadas nos sitios marcados.

Para esse fim abrem-se pequenas covas, no fundo das quaes se lana bom
terrio, e sobre este se collocam as plantas; distribuem-se-lhes bem as
raizes para no ficarem acavalladas n'uns sitios e rareadas n'outros;
cobrem-se depois, primeiro, com bom terrio e depois com a mesma terra
que sahiu da cova. Fixam-se bem a um tutor, para que os ventos as no
desloquem ou quebrem, e assim se deixam at que principiem a
desenvolver-se para ento se lhes prodigalizarem os cuidados de educao
que necessitam.


B--Trabalhos nos viveiros


Enxertia

Carecem d'esta operao no s as oliveiras provenientes de semente mas
ainda aquellas que tiveram como origem qualquer fragmento extrahido
abaixo do ponto em que foi enxertada a planta me.

Todas as especies de enxertia se podem empregar na oliveira mas as mais
usadas so a de escudo e algumas vezes a de flauta, para oliveiras novas
e a de coroa para troncos grossos.

Para se operar um enxerto de escudo principia-se por fazer na casca do
ramo ou oliveira delgada que queremos enxertar uma inciso em forma de T
afastando-a depois com a espatula da enxertadeira de modo a separal-a do
alburno. Em seguida tira-se do ramo da oliveira que queremos propagar um
bocado de casca munido de uma borbulha e d-se-lhe a forma de um escudo.

Introduz-se em seguida este escudo na fenda, de modo que esta fique bem
cheia. Liga-se em seguida a fim de nos assegurarmos bem do perfeito
contacto do garfo com o alburno e casca do cavallo.

Logo que nos asseguremos do bom resultado da enxertia corta-se o ramo a
3 ou 4 centimetros acima do enxerto.

Esta enxertia pode fazer-se na primavera ou no outomno tomando
respectivamente os nomes de enxertia de _olho vivo_ e _olho dormente_.


A enxertia de flauta, que no  to usada como a primeira, exige que
tanto o garfo como o cavallo tenham a mesma grossura. Consiste em tirar
de um ramo delgado um annel de casca munido de um ou dois olhos e
collocal-o no ramo a enxertar a que previamente se tenha tirado um annel
igual de casca e liga-se bem com um fio de l ou com uma fita de casca
de arvore.


Uma outra enxertia, muito usada,  a de fenda cheia. Esta exige tambem
que o cavallo e o garfo tenham perfeitamente a mesma grossura.

Corta-se o cavallo horisontalmente  altura a que queremos fazer o
enxerto e fende-se verticalmente no sentido do seu diametro; em seguida
prepara-se o garfo em forma de cunha e introduz-se na fenda de modo que
as cascas do cavallo e do garfo coincidam perfeitamente; liga-se bem com
raphia e n'estas condies estar o enxerto apto para pegar.


Alem d'estes enxertos fazem-se ainda os de fenda simples e fenda dupla,
que differem do precedente em os dois elementos no serem da mesma
grossura.

Para a fenda simples bastar abrir a fenda vertical simplesmente no
sentido de um raio do cavallo e ahi se introduz o garfo em forma de cunha.

Para o enxerto de fenda dupla abre-se a fenda no sentido do diametro do
cavallo e introduzem-se-lhe dois garfos nos extremos d'esses diametros.

Nos enxertos de fenda quer ella seja cheia, dupla ou simples applica-se
sempre, logo em seguida  sua execuo, um inducto qualquer que o
preserve de estar exposto ao tempo. Costuma empregar-se muito o unguento
de S. Fiacre pela simplicidade da sua preparao. Prepara-se misturando
intimamente 65,5 partes de argilla com 33,5 partes de excremento de boi.

So estes os systemas de enxertia mais usados: a sua execuo acha-se
descripta em muitos trabalhos de arboricultura e muitissimas revistas
agricolas dispensando-me, por isso de, sobre este assumpto, fazer mais
largas referencias.


Cuidados a ter com os viveiros

Depois de feita a plantao carecem os viveiros de cuidados que
incidiro, no s sobre o terreno mas tambem sobre as arvoresinhas que
n'elle se vo desenvolvendo.

Os primeiros consistem em sachas com o fim de manter o terreno sempre
bem mobilisado, de o conservar sempre limpo de plantas estranhas que ahi
se desenvolveriam e para evitar as fortes evaporaes no vero, as quaes
dissecaram rapidamente o terreno.

As regas, no muito abundantes, so indispensaveis ao terreno para se
garantir n'elle um certo grao de frescura que to propicio  ao
enraizamento dos novos individuos.

Logo que as plantas adquiram um desenvolvimento de 0m,20 a 0m,30
deve tambem para ellas voltar-se a atteno do viveirista.

Nesta altura comear-se-ha por se lhes supprimir todos os raminhos
lateraes tendo o cuidado de se lhes no arrancar as folhas em cuja
axilla elles se desenvolvem.

D'esta maneira a seiva da planta dirigir-se-ha directamente para a parte
superior da planta, gastando-se em lhe augmentar o seu crescimento em
altura.

Militam em favor d'esta opinio as experiencias de Ghiotte que
demonstram que as arvores assim tratadas adquirem maior desenvolvimento,
alem de crescerem direitas e com tronco lizo, o que lhes no acontece se
lhes no amputarmos os seus raminhos lateraes.

Deixando-lhes estes ramos, elles engrossam e crescem com prejuizo do
alongamento da planta e, ao serem mais tarde cortadas, produzem nas
arvores feridas perigosas. O soffrimento d'estas plantas proveniente do
corte d'estes raminhos  em grande parte attenuado se lhes deixarmos as
folhas jacentes na base d'esses raminhos.

Nas plantas provenientes de estacas desenvolvem-se muitos rebentos que
convem deixar durante os dois primeiros annos para provocar n'ellas a
formao de muitas raizes. Mais tarde cortam-se todos,  excepo d'um
que dever ser o mais forte e o mais proximo do slo, o qual se
sujeitar ao tutor que a conserve na posio vertical.

Nos tres annos seguintes os trabalhos dirigir-se-ho no intuito de se
favorecer o mais possivel o crescimento das arvores.

Qualquer ramificao muito vigorosa, que apparea, deve ser quebrada
para evitar o empobrecimento da arvore.

Ao fim do 5. ou 6. anno esto as plantas em condies de se lhes poder
formar a copa.

Para determinarmos a altura a que a devemos formar teremos que entrar em
considerao com a natureza do terreno, clima, exposio e com a
tendencia natural da casta que se cultiva.

Esta altura varia, geralmente, entre 1m e 2m. A altura de 1m convem
para as castas que no costumam adquir grande porte e que so plantadas
em terrenos aridos; se, pelo contrario, o terreno  fertil e fresco
poderemos deixar-lhes a copa mais alta.


Na altura determinada segundo aquellas circumstancias para se formar a
copa, deixam-se quatro pernadas dispostas em cruz; cortam-se todas as
subjacentes, assim como o tronco, logo acima das quatro pernadas Assim
se deixam ficar mais um anno no viveiro e ao cabo d'esse anno, que ser
o 7. ou 8. de viveiro, proceder-se-ha  sua plantao definitiva.




CAPITULO V


Plantao definitiva

Disse j no capitulo I d'este trabalho quaes eram as condices de solo
e clima exigidas pela cultura da oliveira.

Escolhido o terreno  necessario preparal-o para elle poder receber as
arvores que dentro em pouco constituiro o olival.

Conviria que esse terreno fosse submettido a uma profunda surriba para
que todo elle fosse collocado nas mesmas condices de mobilisao.
D'esta maneira a planta, encontrando sempre um terreno homogeneo no
estaria sujeita a qualquer accidente de vegetao proveniente da
desigualdade no desenvolvimento das suas raizes.

Se o terreno for demasiadamente humido dever-se-lhe hia fazer uma
drainagem para o subtrair a esta m propriedade.

Estas duas operaes, porem, tornariam excessivamente dispendiosa tal
plantao, e d'aqui nasce a conveniencia de as reduzirmos o mais
possivel, de tal modo que, obtendo-se no terreno condices sufficientes
para um regular desenvolvimento das plantas, se reduza o mais possivel a
despeza da mo d'obra.

O melhor ser destinar a outras culturas os terrenos que s soffrendo
uma boa drainagem e uma profunda surriba, se tornariam aptos para o
desenvolvimento d'esta preciosa arvore.

Nos terrenos fundos e bem mobilisados que, como disse, so os mais
proprios para estas culturas, estas operaes de drainagem e de surriba
geral reduzem-se extraordinariamente.

Para se fazer a plantao n'estes terrenos fazem-se em primeiro logar os
alinhamentos, que convem sejam em quinconcio, pelas vantagens j
enumeradas ao tratar dos viveiros. A distancia a que as plantas devem
ficar umas das outras nunca dever ser inferior a 5m sendo de 8m a
distancia mais recommendada.

Com esta distancia as oliveiras no se prejudicaro mutuamente nem por
causa da sombra que umas s outras possam fazer nem porque a cada uma
d'ellas falte espao para distender as suas raizes.

Convem, comtudo, advertir que em terrenos pouco fundos devemos augmentar
aquelles numeros attendendo a que a planta procurar alargar mais as
suas raizes pela pouca profundidade a que as pode enviar.

Marcada a plantao abrem-se covas nos sitios indicados pelas balisas,
com as dimenses sufficientes para receberem as plantas provenientes dos
viveiros, de modo que as suas raizes ahi fiquem perfeitamente
estendidas. A melhor forma a dar s covas  a circular.

A camada de terra superior que  a primeira a ser cavada dever
separar-se da segunda e da ultima, para depois ser tambem a primeira a
entrar na cova.

No fundo d'estas covas, que devero ter a profundidade de 1m lanam-se
pedras, pedaos de madeira, palhas e mattos que serviro para dar livre
passagem s aguas das chuvas; por cima d'isto lana-se uma camada de
entulhos provenientes de velhas demolies, ou, na falta d'estes, boa
terra vegetal; tudo isto dever ser misturado com estrumes bem
decompostos e com residuos de fabricas etc.; por cima d'este terrio
deita-se uma camada da primeira terra extrahida da cova. Todos estes
elementos devero ser dispostos de modo a formarem um monticulo ao meio
da cova.

 sobre este monticulo que se colloca a nova planta distribuindo-lhe as
raizes o mais naturalmente possivel.

Sobre as raizes lana-se nova quantidade de terrio, calcando-o bem para
que elle fique em perfeito contacto com ellas, mas de modo a no as
damnificar.

Por fim acaba-se de encher a cova com o resto da terra d'ella extrahida
dispondo-a de modo que as suas camadas fiquem em ordem inversa d'aquella
em que primitivamente estavam.

D'este modo as camadas mais profundas vindo para a superficie ir-se-ho
melhorando pela influencia dos meteoros, ao mesmo tempo que vai sendo
corrigida pelas adubaes.

As covas devero ser abertas algum tempo antes de se proceder 
plantao, para ficarem durante esse tempo expostas  influencia
atmospherica.

A epocha para a plantao  aquella em que se acha paralysada a
circulao na planta. Mas dentro d'este periodo convem attender 
temperatura do clima,  sua humidade e ao grao de compacidade do
terreno. Se o clima  quente e secco convir antecipar a plantao para
que, quando chegarem os calores de vero, a planta esteja j radicada no
terreno. Pelo contrario, nos climas humidos e frios convem fazer a
plantao no principio da primavera para a subtrahir aos excessivos
frios e humidades do inverno.


 pratica por muitos seguida enterrar as plantas a profundidades que s
vezes vo a 30 e 40 e s vezes mais centimetros a cima do collo da raiz.


Por desvantajosa, deve tal pratica ser rejeitada por que  no solo que
as plantas encontram em melhores condices e em maior abundancia os
alimentos de que carecem para a sua nutrio.

No subsolo, onde as raizes por este processo de plantao iriam procurar
os alimentos, no os encontrariam em to boas condices para d'elle se
utilizarem, o que lhes seria prejudicial.

No podendo desenvolver bem as raizes no subsolo, a planta ver-se-hia
forada a emittir novas raizes para irem procurar os alimentos no solo;
d'aqui o atrazo de um a dois annos na vida da planta.

Bastar enterrar a planta at  profundidade de 6 a 10 centimetros acima
do collo da raiz, a no ser nos terrenos inclinados onde convem duplicar
aquelles numeros.


As drainagens feitas com mattos e pedaos de madeira, so sufficientes
em terrenos inclinados ou de sub-solo permeavel; so dispensaveis em
terrenos arenosos e no so sufficientes nos terrenos planos e
argillosos com sub-solo tambem impermeavel.

N'estes ultimos, as aguas infiltradas escoar-se-ho para o fundo da cova
e ahi, por no encontrarem sahida, ficaro depositadas, com grande
prejuizo para a vida das arvores.

Indispensavel se torna ento abrir covas entre cada par de arvores, as
quaes vo todas communicar com um poo collector que depois as enviar
para qualquer corrente proxima.

N'estes poos parciaes deitam-se pedras at meio, acabando-se de encher
com terra.

Melhor que isto ser a abertura de vallas entre cada duas filas
consecutivas de oliveiras. Estas vallas exgotaro as aguas do terreno e
conduzil-as-ho para fra do olival.

Ainda mais facilmente se pde fazer a drainagem, fazendo communicar
entre si, por meio de pequenas vallas, todas as covas de cada fila.


Nos terrenos em declive muito rapido, deve a cultura ser feita em
patamares construidos com pedras e terra, para impedir que a agua,
arrastando as camadas superficiaes do solo, ponha a raiz a descoberto.

N'estes terrenos o compasso de 8m que indiquei ha pouco para os
terrenos de meia encosta, pode diminuir-se.

Os alinhamentos feitos com o compasso de 6m a 8m, so proprios para
os terrenos destinados unicamente  cultura da oliveira. Entre ns,
porm, no  muito frequente este caso, e a oliveira vegeta em
condemnavel promiscuidade com as culturas cerealiferas, com a cultura da
vinha e ainda com outras culturas.

Para este caso  necessario dar  plantao um compasso muito maior do
que o indicado.

A arvore, ao ser plantada definitivamente, deve ser desembaraada de
todos os seus ramos e folhas. De contrario ellas continuaro a executar
as suas funces com grave prejuizo para a vida da planta, porque as
raizes no podendo desempenhar ainda as suas funces, no podero
absorver do terreno os elementos necessarios para equilibrar as perdas
produzidas pelo trabalho das folhas.




CAPITULO VI


Poda

Esta operao  indispensavel na arboricultura. Toda a arvore que no
seja submettida a esta operao  muito irregular tanto no seu
crescimento como na sua frma; fructifica mal sendo os seus fructos mal
conformados e a sua produco muito incerta.

Pelo contrario, podando as arvores ns obrigamol-as a tomar uma frma
mais regular que lhe permitta uma boa distribuio do calor e da luz
para obtermos fructos bem creados e em maior quantidade.

Esta operao traz ainda como consequencia uma melhor distribuio da
seiva e d'aqui o crescimento e a fructificao fazerem-se com mais
regularidade.

As podas mirando ao duplo fim de dar  arvore a frma mais conveniente e
de lhes regular a produco, no podiam deixar de ser de duas cathegorias.

A primeira principia j no viveiro onde, como j disse, se esboa a copa
da arvore.

A arvore tirada do viveiro vem para o logar definitivo com quatro
ramificaes em cruz; assim  plantada e no anno seguinte emitte varios
lanamentos pelos gommos existentes n'essas ramificaes; no anno
seguinte cortam-se todos os rebentos,  excepo de um em cada pernada,
escolhendo o que se apresenta mais robusto e na posio mais levantada.
No anno seguinte cortam-se-lhes as pontas acima de dous raminhos
lateraes bem constituidos e supprimem-se todas as outras. Estes
raminhos, desenvolvendo-se, constituem as ramificaes secundarias.

Fica assim formado o esqueleto da arvore que se compe de quatro
ramificaes principaes, tendo cada uma duas ramificaes secundarias.

Esta  a _poda de formao_; a seguir a ella principiam as _podas de
fructificao_ que tem por fim manter na oliveira a frma regular,
provocando-lhe e regularisando-lhe ao mesmo tempo a produco.

Esta operao requer da parte do operador conhecimentos especiaes sobre
o modo de vida da planta.

 a physiologia vegetal que nos fornece esses elementos e, embora os
nossos operarios no estejam habilitados a deduzir d'esta sciencia as
bases em que ho de firmar-se para a execuo d'esta operao, pde,
tendo presentes as regras d'ellas tiradas, effectuar a poda com methodo.


Essas regras so as seguintes.


1.--As flores, e portanto os fructos d'um dado anno, desenvolvem-se
sempre sobre os lanamentos do anno anterior e nunca sobre os
lanamentos d'esse mesmo anno;

2.--S florescem e fructificam os ramos que estiverem durante a maior
parte do dia expostos  influencia solar;

3.-- sobre os ramos horisontaes ou pendentes que se desenvolvem os
melhores e mais abundantes fructos;

4.--Se uma oliveira muito carregada de ramos produz muitos fructos
estes ficam pequenos, pouco rendosos em azeite e a colheita  biennal:

5.--Nem todas as variedades de oliveiras devem ser podadas do mesmo modo;

6.--A fructificao d'uma oliveira varia com o terreno e exposio, por
isso a poda dever variar com estes factores;

7.--Devemos evitar o mais possivel os crtes de ramos grossos.


Pela primeira regra se v que nunca devemos tirar  arvore grande
quantidade de raminhos, porque isso ir prejudicar muito a produco do
anno seguinte.

O segundo principio diz-nos que a arvore deve ter sempre os seus ramos
bem distribuidos e nunca deve estar demasiadamente carregada d'elles,
por que a sua folhagem compacta impede que os raios solares penetrem bem
por entre elles, ficando a formao do fructo limitada simplesmente aos
pontos em que esses raios podem, sem obstaculo, exercer a sua influencia.


Um principio de physiologia vegetal, citado por Fox, diz que a
quantidade de seiva que passa n'um ramo  tanto maior quanto mais
proximo elle estiver da vertical. Diz o mesmo auctor, n'um outro
principio, que a vegetao de toda a planta ou ramo  complementar.

Estes dois principios vm provar a segunda regra annunciada para a
pratica da poda.

Effectivamente, se a vegetao d'uma planta ou ramo  complementar, isto
, se quanto maior fr a vegetao d'essa planta ou ramo, menor ser a
sua produco em fructo, os ramos verticaes pela grande vegetao de que
dispem sero menos productivos do que os affastados d'aquella posio.

Firmados n'esta terceira regra devemos destruir pela poda, os ramos
verticaes de preferencia aos horisontaes ou pendentes.

Da quarta regra deprehende-se a necessidade de nunca deixar a arvore
demasiadamente carregada de ramos fructiferos, a fim de que ella no
tenha que alimentar, ao mesmo tempo, uma demasiada quantidade de
fructos, o que lhe acarretaria um exgotamento de que ella levaria um ou
mais annos a refazer-se. Mas que se no v tomar  lettra o proverbio
provenal--_Fais mois pauvre et je te ferai riche_--porque isso
redundaria em grave prejuizo para a oliveira.

O que convem sempre  regular esta operao pelas condies do terreno,
pela exposio e pela tendencia natural da planta, como aconselham as
regras quinta e sexta.

N'um terreno rico e situado n'uma boa exposio dever deixar-se a
arvore mais carregada de ramos porque no terreno no escassearo
substancias para os alimentar e a maturao dos fructos  mais certa.
Pelo contrario, um terreno pobre exige uma poda mais energica.

A regra quarta aconselha-nos a que tenhamos em conta a variedade da
oliveira cultivada, porque algumas ha que tendem a elevar-se muito.

N'este caso o podador deve ter sempre em vista no contrariar muito o
crescimento da planta com rebaixamentos exagerados.

Ao effectuarmos a poda devemos subtrahir-nos o mais possivel ao crte de
troncos grossos. A grande superficie d'estes golpes daria origem 
penetrao da agua e ao ataque de muitas doenas. Quando se no possam
evitar esses golpes haver o cuidado de os cobrir com alcatro ou outro
inducto qualquer.

Em muitas partes, devido ao pessimo costume de se podarem as oliveiras
com intervallos de 3, 4 e mais annos, v-se o podador constrangido a
cortar ramos grossos, o que, como acabo de dizer, acarreta graves
prejuizos para a vida das arvores.

Estes inconvenientes so ainda em algumas partes avolumados pela epocha
pouco propria em que as podas se executam, que  quasi sempre a seguir 
apanha do fructo.

A oliveira  uma arvore muito sensivel aos frios vigorosos e estes muito
mais a prejudicam quando incidem sobre recentes golpes da poda.

Para evitar os inconvenientes, provenientes dos golpes de demasiada
superficie e da sua exposio aos frios do inverno, convem, em primeiro
logar, que a poda seja feita todos os annos e em segundo logar, que ella
nunca seja feita antes da passagem dos frios, a no ser em sitios em que
o vigor d'estes no  muito para receiar.

A melhor epocha parece ser o mez de fevereiro. Alguns auctores preferem
a poda em maro e abril, mas, no dizer de _A. Aloi_, a poda feita n'esta
epocha predispe a oliveira para adquirir mais doenas.

Comtudo esta epocha varia muito conforme o clima local. Em climas onde
no so frequentes as geadas pde ella fazer-se logo a seguir  apanha
do fructo, mas  isso prejudicial nos sitios onde as geadas so frequentes.

A poda feita na primavera parece-me ainda mais prejudicial do que a
feita no inverno rigoroso, pelos grandes estravasamentos de seiva a que
d origem.

Durante a primavera apenas se iro supprimindo os rebentos que se forem
desenvolvendo no tronco.




CAPITULO VII


Lavouras

No  intuito meu encarecer aqui as vantagens provenientes da execuo
d'esta operao.

O que direi  que o olivicultor tem tudo a lucrar conservando sempre bem
mobilisado o solo do seu olival.

A maioria dos lavradores effectuam apenas uma cava  profundidade 0m,25
a 0m,30; outros, porm, mais cuidadosos, effectuam dois lavores
por anno, sendo feito um em novembro e outro na primavera.

Alguns auctores aconselham que se executem quatro lavras: a primeira ao
terminar a colheita; a segunda de janeiro a fevereiro; outra ao acabar a
florao; e, finalmente, a ultima em agosto.

No estio, com o fim duplo de mobilisar o terreno e impedir a evaporao,
costuma-se fazer uma ou duas arrendas.

Nos sitios pouco humidos  conveniente a abertura de caldeiras em volta
do p das arvores, para ahi se receberem as aguas das chuvas.




CONCLUSES


Do que fica exposto concluo que:

1.--Attendendo s condies de clima e de solo, o nosso paiz est nas
melhores condies para a cultura remuneradora da oliveira.

2.--A oliveira prefere os terrenos soltos, ricos em potassa e cal.

3.--Sobre tudo nos terrenos compactos,  muito vantajosa a adubao com
a rama proveniente da poda das oliveiras.

4.--O terreno destinado aos viveiros deve estar em melhores condies
physicas e chimicas do que o destinado  plantao definitiva.

5.--Ao plantarem-se as arvores definitivamente devem tirar-se  planta
todos os seus ramos e folhas.

6.--A poda da oliveira deve ser annual.




      *      *      *      *      *

Notas de transcrio:

Foi mantida a grafia usada na edio original de 1899, tendo sido
corrigidos apenas pequenos erros tipogrficos.

No original as unidades de medida aparecem impressas antes das casas
decimais, e em sobrescrito. Nesta verso do texto manteve-se a notao,
excepto o sobrescrito.

Existe um pequeno diagrama de apoio  descrio da "marcao do terreno
em quinconcio". Esse diagrama est disponvel na verso html deste texto.





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Oliveira, by Avelino Nunes de Almeida

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and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
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