Project Gutenberg's Portugal e Ilhas Adjacentes, by F. Adolfo Coelho

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Title: Portugal e Ilhas Adjacentes
       Exposio Ethnografica Portugueza

Author: F. Adolfo Coelho

Release Date: May 13, 2007 [EBook #21429]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

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CENTENARIO DO DESCOBRIMENTO DA INDIA

EXPOSIO ETHNOGRAPHICA PORTUGUEZA


PORTUGAL E ILHAS ADJACENTES

POR

F. ADOLPHO COELHO

PRESIDENTE DA SECO DE SCIENCIAS ETHNICAS DA SOCIEDADE DE GEOGRAPHIA,
ETC.


LISBOA
IMPRENSA NACIONAL
1896




AOS ESTIMAVEIS LEITORES

O auctor deste programma agradecer muito quaesquer informaes que
sirvam para complet-lo ou corrig-lo e que lhe podem ser enviadas para
a *Sociedade de Geographia*--Lisboa.




OBSERVAES PREVIAS, IDEIA, E DIVISES PRINCIPAES DO PROGRAMMA




OBSERVAES PREVIAS


Apesar de existirem varias publicaes que tem por objecto o estudo do
povo portugus sob diversos aspectos, pde affirmar-se resolutamente que
a nossa ethnographia se acha na infancia, j porque muitos desses
aspectos, entre os quaes alguns da maior importancia, tem sido apenas
levemente tocados, j porque a muitas daquellas publicaes falta a
preciso scientifica. Carecemos ns, sobretudo, de um trabalho de
conjuncto sufficientemente completo, impossivel de organisar pela
ausencia de numerosos dados que a diligencia dum s investigador ou at
dum pequeno grupo de investigadores associados no teria capacidade de
reunir.

O estudo do povo portugus sob o aspecto physico est apenas iniciado: o
que falta fazer, ainda dentro dos limites do estrictamente
indispensavel,  quasi tudo!

No foi ainda realisada nenhuma investigao sria, baseada, portanto,
sobre dados sufficientemente numerosos e seguros, acerca da alimentao
das classes populares.

A habitao portuguesa, cujos typos so variados e interessantes, apesar
da estreiteza do nosso territorio,  um objecto, por assim dizer
intacto. A alfaia e o mobiliario domesticos esperam ainda um estudo que
no seja um fragmento.

O vestuario das classes populares no foi ainda descripto e desenhado no
seu conjuncto, comparativamente, na sua distribuio geographica: tem
sido apenas objecto de notas destacadas, de reproduces de curiosos de
momento. Algumas publicaes destinadas a figur-los pela estampa
(photographia, gravura, aguarella, etc.) ficaram incompletas, e apenas
nalgumas exposies, nalguns museus (industrial do Porto, agricola de
Lisboa) figuram uns raros manequins representando exemplares avulsos.

Artigos de publicaes periodicas, memorias e notas soltas, inqueritos
agricolas e industriaes tem accumulado numerosas observaes sobre o
trabalho popular nas suas diversas frmas; mas ainda quando tudo isso se
conglobasse num s livro, ficaria muito incompleto e inconsistente.
Carecemos de conhecer esse trabalho, sobretudo no que elle tem de
caracteristico, de tradicional, em todas as suas minudencias, em todas
suas as applicaes, em todas as suas condies, para apreciao justa e
completa do nosso povo.

Um capitulo do trabalho nacional, dos mais interessantes sem duvida,
comeou a ser estudado nos ultimos tempos com carinho--a pesca; mas
apesar de valiosas publicaes, entre as quaes avulta a do sr. Baldaque
da Silva, no pouco resta ainda que fazer.

Os meios de transporte tradicionaes, carros, embarcaes maritimas e
fluviaes, etc., esperam ainda um estudo comprehensivo, assim como o
commercio nas suas frmas populares.

As bellas artes populares, propriamente ditas, salvo a poesia, no foram
ainda estudadas a serio. A musica tem sido objecto de varias publicaes
destinadas, ao que parece, a darem della ideia falsissima.

No  nessas publicaes anti-scientificas, em que o genuinamente
popular, transcripto sob o imperio de preoccupaes pedantes, se envolve
com composies de origem no popular evidente, no  nas rapsodias dos
compositores que iremos estudar a musica do nosso povo, que espera ainda
quem saiba fix-la em notas veridicas e perscrut-la na sua historia e
correlaes ethnicas. E que diremos da esculptura, da pintura popular,
que no equivalha ao que enuncimos ao referirmo-nos  habitao
portuguesa, que nos interessa por variados aspectos, e entre elles
tambem pelo pensamento artistico?

 no dominio da poesia popular, dos contos, das supersties, dos jogos,
das festas e outros actos solemnes do nosso povo que mais se tem feito;
mas ainda assim bastante resta averiguar para conhecimento completo
dessas tradies e de outras.

 mister estudar de modo mais serio do que se tem feito at hoje o
temperamento, o typo moral e o caracter do nosso povo nas suas
variantes; o conjuncto de sentimentos que nelle se revelam; as ideias
que o agitam relativamente ao mundo sobrenatural,  natureza, 
sociedade; fazer um inquerito completo cerca do que elle sente, do que
elle sabe, do que elle pensa e do modo por que elle sente, sabe e pensa
e apreciar ainda sobre dados seguros o grau da sua energia volitiva,
fazer emfim a sua psychologia ethnica (no receamos empregar essa
expresso, embora objecto de ardentes criticas).

Para tornar possiveis esses estudos, cujo programma completo est sendo
preparado,  necessario, entre outros elementos, o conhecimento cabal de
todos os dados materiaes da vida do nosso povo, dos que lhe ministra
immediatamente a natureza em cujo seio se move e dos que so producto da
sua apropriao, do seu trabalho. A colleccionao desses dados  um
primeiro e grande passo a dar para a realisao do estudo ethnologico do
nosso povo. Dois meios se nos offerecem para a levar a effeito: a
organisao de um museu de ethnographia nacional e as exposies. A
existencia de um similhante museu est decretado; mas no torna inutil
as exposies, onde podero apparecer elementos de difficil acquisio
que os estudiosos tenham, durante tempo sufficiente, ao seu alcance. De
outro lado essas exposies facilitaro o enriquecimento do museu.

A antiga philosophia punha acima de todos os preceitos o expresso nas
palavras [Grego: gnthi seauton], conhece-te a ti mesmo. O pensamento
moderno declarou que o objecto de estudo mais digno do homem  o proprio
homem. Qual poder, pois, ser o estudo mais digno de um povo seno o
estudo de si proprio?

Se nelle ha evidentemente para ns aspectos profundamente
desconsoladores, ha-os porventura tambem fortificantes.

Viajantes que tem percorrido o nosso territorio poseram em relevo as
boas qualidades nativas do nosso povo em contraste com a corrupo das
classes dirigentes e basearam sobre essas qualidades a esperana da
nossa futura regenerao. Mas ao povo falta a f, falta a firmeza da
resoluo que s nasce do espirito sufficientemente esclarecido cerca
dos seus deveres e dos seus direitos; falta-lhe portanto a vontade
collectiva: elle agita-se apenas dentro do circulo dos interesses
individuaes, familiaes e locaes;  a materia prima de um povo e no
verdadeiramente um povo como a complexidade da vida moderna exige que
seja. Dahi o indifferentismo pela politica, a venalidade do voto, a
emigrao, a falta da ideia nitida e do sentimento firme da patria e da
humanidade, que um vago patriotismo no pde substituir.

No momento historico actual da nossa nacionalidade achmo-nos numa
alternativa que no pde prolongar-se muito tempo: ou continumos a
acceitar o systema de governao espoliativa que levou o pas ao fundo
abysmo em que se acha, para favorecer individuos, ou tratmos de elevar
pela educao o povo  noo da vida collectiva, dos interesses geraes e
ideaes, de salvar para uma vida historica um povo que mostrou pelos
factos que vamos commemorar em 1897, ser digno de occupar logar
proeminente no convivio das naes.

Que todos os que tem em si uma particula do fogo sagrado, que se chama
dedicao pelas nobres causas, se reunam e dem as mos e consagrem 
obra do renascimento nacional, pela educao do povo.

Estudar o povo  j eleval-o,  preparar o caminho para acudir s suas
necessidades moraes, intellectuaes, technicas e economicas.

Eis porque propomos como elemento da celebrao do centenario da
primeira viagem de Vasco da Gama  India, uma exposio ethnographica
portuguesa cujo programma vamos esboar.




IDEIA GERAL DA EXPOSIO ETHNOGRAPHICA PORTUGUESA


Esta exposio comprehender sobretudo objectos materiaes proprios para
dar ideia da vida do povo portugus (Portugal e ilhas adjacentes) no que
elle tem de proprio, de caracteristico e tradicional, embora resultado
de assimilaes realisadas ha mais ou menos tempo. Excluem-se em geral
portanto todos os materiaes e productos de introduco ou imitao
recente, todos os typos modernos de construco, de vestuario, de
ferramentas e machinismos.

Trata-se principalmente de fazer representar os elementos da vida do
povo, das classes trabalhadoras, em especial das regies ruraes.

Ao lado de objectos materiaes, taes como o povo os emprega, tem
cabimento os modelos de dimenses reduzidas e as representaes pelas
artes graphicas, e no se excluem as descripes pela palavra, antes se
deseja que a exposio comprehenda o maior numero possivel de obras,
estudos, simples notas de que o povo portugus tenha sido objecto.

No deve esquecer-se tambem o meio geographico, este bello Portugal, que
em vo se quer culpar de vicios que s derivam dos homens, e os
paraisos desprezados das ilhas adjacentes.

Emfim ser o mais apreciavel ornamento da exposio uma serie de typos
vivos, humanos, dos nossos diversos districtos, com as suas vestes
caracteristicas, em construces representando as suas casas, com o seu
mobiliario, os instrumentos e productos de suas industrias--uma imagem,
em resumo, do povo portugus.




*Divises principaes do programma*


Um estudo completo do povo portugus comprehenderia os seguintes
elementos:

I. A terra.
    1.  A constituio geologica do solo.
    2.  A riqueza mineralogica do solo.
    3.  A geographia physica.
    4.  A meteorologia.
    5.  A flora.
    6.  A fauna.

II. O homem.
    1. Caracteres somaticos.
    2. Caracteres psychicos.

III. A historia.
    1. Origens ethnicas (migraes, invases, etc.)
    2. Influencias externas, sem mistura ethnica.
    3. Factos historicos reveladores do caracter do povo ou que
         sobre elle actuaram.

IV. A vida hodierna.
    A. Frmas da vida pratica.
        1. Frmas individuaes.
            a) A alimentao.
            b) A habitao.
            c) O vestuario e as armas.
            d) O trabalho (processos, productos, etc.)
        2. Frmas individuo-sociaes.
            a) A organisao economica do trabalho.
            b) O commercio.
            c) Associaes, companhias, confrarias, (antigas corporaes
                 de officios, como appendice).
            d) A linguagem, os gestos, a escripta (tentativas,
                 independentes da graphia corrente, etc.)
            e) O decoro, o porte pessoal.
            f) As frmas de polidez e de respeito (cumprimentos, saudaes,
                 etc.)
            g) O jogo (passagem para as frmas artisticas).
        3. Frmas sociaes.
            a) A familia (casamento, criao e educao dos filhos,
                 organisao domestica, relaes parentaes; em
                 especial vestigios de antigas frmas de casamento,
                 etc.)
            b) Os laos da sociedade.
            c) Sentimento da communidade nacional e politica.
        4. Frmas humanas.
            a) Sentimentos de humanidade em geral.
            b) A amizade.
            c) A hospitalidade.
            d) A beneficencia.
            e) Relaes internacionaes.
    B. Frmas da vida artistica (esthetica).
        1. Danas.
        2. Musica.
        3. Litteratura.
        4. Desenho, pintura.
        5. Esculptura.
        6. Architectura.
    C. Frmas da vida religiosa.
        1. Crena no sobrenatural, em geral.
        2. Vestigios de crenas mythicas, de praticas que se referem
             aos cultos pagos.
        3. A crena nos espiritos. Apparies.
        4. Supersties diversas.
        5. Conceito de Deus, dos anjos e dos santos.
        6. O diabo na crena popular.
        7. O cu na crena popular.
        8. O inferno.
        9. Oraes.
       10. Offerendas.
       11. Festas religiosas.
       12. Objectos materiaes empregados no culto, nessas festas,
             ou que de qualquer modo se ligam s crenas religiosas.
    D. Frmas da vida especulativa (saber popular propriamente dito).
        1. Emquanto s fontes.
            a) Observao, experiencia.
            b) Conversao, tradio.
            c) Reflexo.
        2. Emquanto ao objecto.
            a) A natureza.
            b) O homem.
            c) As causas ultimas.

No  aqui o logar de defender essa classificao, naturalmente sujeita
a criticas, nem de indicarmos como fomos levados a estabelelec-la, o
que tencionamos fazer noutra parte. Observaremos que, como noutras
classificaes, pde nessa um mesmo objecto entrar em mais de uma
diviso, segundo o modo por que  considerado. As frmas individuaes da
vida, possiveis ao homem isolado, como a um Robinson na sua ilha,
desenvolvem-se sob a aco social por certo e  dentro do meio social
que aqui so introduzidas, mas a classificao no deixa por isso de ter
base.

Muitas das divises do programma no podem ser representadas na
exposio seno por descripes, analyses, estudos, isto ,
litterariamente, por no se referirem a objectos materiaes; das que o
podem ser pelos proprios objectos materiaes ou modelos, entendemos que a
exposio deve attender principalmente s sub-divises da classe IV, _A
vida hodierna_, que esto nesse ultimo caso. O que entra nas divises I
a III, com excepo dos typos populares vivos, ser representado
sobretudo por livros, memorias, notas, impressos ou manuscriptos, e
reproduces graphicas, mappas e objectos analogos.

No desenvolvimento que segue no nos cingimos com todo o rigor 
classificao apresentada acima, por vantagem pratica.




DESENVOLVIMENTO DO PROGRAMMA




Nas indicaes que vamos apresentar no pretendemos de modo nenhum ser
completos, mas sim dar ideia sufficientemente clara do que se deseja
fazer. Ficamos longe de mencionar todos os objectos que podem figurar na
exposio.

A terminologia popular reclama especial atteno. Os objectos de uso ou
productos do povo devem trazer todos os seus nomes locaes, assim como
indicados nelles proprios ou em desenho separado os termos que designam
cada uma das suas partes, quando esses termos existam.

Nos exemplos que reunimos no indicamos em geral as localidades ou
provincias em que os termos respectivos se empregam, por nos ser
difficil faz-lo sempre com rigor. Ouvimos, v. g. em Trs-os-Montes
empregar _carpins_ ou _crepins_ pelo que noutras partes se chama
_piugas_, _miotes_, _pealhos_, _coturnos_: podiamos ser inclinados a
tomar tal termo como especial transmontano, mas ouvimos depois esse
mesmo termo na bca de beires e hoje no sabemos ainda bem qual a sua
extenso geographica. Em trabalhos dialectologicos temos visto dar como
especiaes a uma certa provincia, at a uma certa localidade, termos que
se encontram muito espalhados no pas. A nossa exposio contribuir
consideravelmente para o conhecimento da terminologia popular.




*Grupo I*

A terra e o homem


Livros, memorias, artigos, simples notas, impressos ou manuscriptos,
mappas, volumes contendo apenas partes, que se refiram aos seguintes
assumptos:

  I.   1. Geologia       }
       2. Minerographia  }
       3. Geographia     } de Portugal e ilhas adjacentes.
       4. Meteorologia   }
       5. Flora          }
       6. Fauna          }

  II.  1. Caracteres somaticos  } do povo portugus.
       2. Caracteres psychicos  }

  III. 1. Origens ethnicas do povo portugus.
       2. Influencias externas sobre o seu caracter e desenvolvimento.
       3. Factos historicos reveladores desse caracter ou que actuaram
           sobre elle.

Poder-se-ha completar este grupo com o seguinte:

a) Uma colleco estratigraphica typica, como a que a commisso geologica
apresentou na exposio nacional das industrias fabris de 1888;

b) Uma pequena colleco mineralogica typica;

c) Alguns modelos de herbarios de flora local.




*Grupo II*

A alimentao


1. Amostras de materias primas mais empregadas na alimentao popular,
com a indicao da proveniencia, preo, uso, logares em que as empregam.

Plantas alimentares em herbario ou conservadas por outros processos.
Fructos[1].

2. Condimentos, especiarias de uso popular.

3. Pes de diversas frmas e natureza, taes como po de trigo, semea,
po chapado da raia, po de calo, po de bico ou de mamminhas,
regueifas, cornichos, poias, padas, roscas, po segundo, po ralo ou
minheiro, po de leite, broa. Pes de uso particular em certas festas,
como o _santro_ (po de Todos-os-Santos da Beira). Vid. grupo X.

4. Carnes ensacadas (palaios, paios, farinheiras, bufeira da Beira,
murcellas, linguias, salchichas, etc.). Carnes de salmoura.

5. Conservas e preparados culinarios diversos que sejam susceptiveis de
expor-se, taes como frigideiras de Braga, lampreia de Coimbra, mexilho
de Aveiro.

6. Lacticinios, taes como manteigas, queijos, requeijes, _travia_
(requeijo com soro da Beira).

7. Doces caracteristicos de localidades, taes como arrufadas de Coimbra,
biscoitos de Vallongo, biscoitos leves de Coimbra, bolo de folhas de
Olho, bolo podre do Alemtejo, celestes de Santarem, falachas (bolos de
castanhas) da Beira, fructos doces de Coimbra, Elvas, Evora, etc.,
manjar branco de Cellas (Coimbra), marmelada de Odivellas, morgado de
Beja e Faro, murcellas de Arouca, ovos molles de Aveiro, palitos e
biscoitos de Oeiras, po de l de Margaride, pasteis de Coimbra, de
Tentugal, etc., queijadas de Thomar, de Cintra, do Funchal, rolos de
Olho, suspiros e ais de Paos de Arcos, toicinho do cu de Mura,
trutas de Olho, pasteis de feijo de Torres Vedras, presunto de ovos do
Alemtejo, areias de Cascaes, sardinhas de Vianna do Alemtejo, alcamonia
de Lisboa, figos d'ovos de Portalegre, fartens de diversas localidades
(Coimbra, etc.,) bolos de mel do Funchal, nabada de Semide.

Doces proprios de certas festividades: broas (Lisboa, etc.), rabanadas
(Porto, etc.) do Natal, amendoas da semana santa, folares (com ou sem
ovos) da Paschoa; figuras de farinha representando homens, animaes (o
gallo com pennas tendo no ventre uma noz) do domingo de Paixo; fogaas
de romaria. Vid. grupo X.

8. Bebidas mais usadas.

9. Litteratura da alimentao popular portuguesa, comprehendendo o
estudo dos usos e supersties que se lhe ligam.




*Grupo III*

A habitao e em especial a habitao rural e suas dependencias


1. Planos topographicos de aldeias indicando:

a) A sua situao geographica, os accidentes do solo, ribeiros, rios,
lagoas, pantanos, collinas, montes da vizinhana, caso os haja, etc.;

b) A posio dos pateos, sagues, estrumeiras (montureiras), curraes,
cavallarias, ovis, estabulos, cabris, apriscos, bardos, furdas,
abegoarias, arribanas, pocilgas (cortelhos), cortinhos, crtes,
chiqueiros, enxurdeiros, pateos, quintans, quinteiros, cabanaes, ruas,
eidos, hortas, quinchosos (quinchorros), enxidos, soutos, sequeiros
(vardias);--direco e frontaria de cada construco, posio da igreja,
capella ou ermida, dos moinhos, azenhas, caminhos, lameiros, devesas,
etc.

Photographias ou desenhos de aldeias e outros logares pequenos.

2. Planos, photographias ou desenhos de granjas, casaes, herdades
(montes), com todas as suas dependencias.

3. Plantas e alados de casas rusticas e das populares em geral, com
suas dependencias.

Modelos de casas feitos com a maxima fidelidade, de modo que se possam
apreciar os processos de construco--a frma dos prumos, vigamentos,
asnas (madres, fileiras, aguieiras, frechaes), varedo, telhado, algeroz,
chamin, lareiras, claraboias, paredes mestras, frontaes, tabiques,
empenas, alicerces, sotos, fumeiros, cunhaes, humbreiras, soleiras,
vergas, peitoris, portas, janellas, taramellas, trancas, tranquetas,
ferrolhos, argolas, trincos, fechaduras, rotulas, gelosias, empanadas
das janellas, vidraas, balco, sacadas, grades, pavimentos diversos,
soalhos, forros, alapes, escadas interiores e exteriores, corrimes,
patins ou patamares, divises interiores (salas, quartos, alcovas,
cozinhas, dispensa, etc.); terraos, aoteas, alegretes; ramadas ou
latadas encostadas s casas.

Os modelos devem apresentar as frmas typicas das diversas regies e
comprehender as construces annexas ou proximas que existam como
pateos, sagues, curraes, cavallarias, arribanas, celleiros, lagares,
coelheiras, gallinheiros, muros, vallados, alpendres, etc.

Photographias ou desenhos dos mesmos objectos.

4. Modelos de simples choas, cabanas, choupanas, tugurios, enramadas,
furdas, bardos, bargas, palhoas, palheiros, palhotes, palhaes, malhas,
malhadas, casolas, barracas-de-so-cho.

Photographias ou desenhos desses mesmos objectos.

5. Ornamentos das empenas, beiraes, etc., taes como pombas de barro,
cataventos (grempas, veletas), cabeas de animaes. Ornamentos das
paredes. Azulejos.

6. Plantas e alados, modelos, photographias ou desenhos de tabernas e
estalagens de aldeia.

7. Taboletas de tabernas, estalagens e outros estabelecimentos aldeos
(originaes ou modelos).

8. Amostras de materiaes de construco, empregados nas aldeias, (com a
indicao exacta da sua proveniencia, preo, processo de extraco,
fabrico e transporte), taes como madeiras, pedras, tijolos (de
alvenaria, burro, meia, adobe, adobinho, lambaz, barrote, tabique,
abobadilha), formigo, telha, cal, etc.

9. Litteratura da habitao popular portuguesa, comprehendendo os usos e
supersties que se lhe ligam.




*Grupo IV*

Mobiliario e utensilios domesticos


Os proprios objectos ou modelos, ou, em ultimo caso, desenhos.

1. Biombos.

2. Armarios, arcas, bahus, caixas, bocetas, malas, cofres, burras;
saccos, saccas, saccolas, bolsas, taleigas, surro.

3. Estrados, taburnos, degraos, bancos, cadeiras, sophs, marquezas,
camaps, escano ou preguiceiro, cadeiras de palmatoria, de tesoira,
ripano, tanhos, escabellos, trips ou trips, tripeos, trepeos,
mochos, tamboretes, genuflexorios.

4. Capachos, esteiras, esteires, tapetes, alcatifas.

5. Bancas, mesas, bancadas de dobradia, contadores, mesas de costura,
jardineiras, secretarias, donzellas, commodas, credencias, trems.

6. Guarda-roupa; cabides.

7. Camas (leitos), tarimas, catres, rabecas, barras, beros (canastras).

Docel, sobrecu, armao da cama.

Cortinas, bambinellas.

Almofadas, travesseirinhas (chemelas), travesseiros, enxergas,
enxerges, colches; lenoes, cobertores, cobertas, mantas, colchas.

8. Apparelhos para as creanas aprenderem a andar.

9. Carteiras, secretarias, tinteiros.

10. Ourinoes, bacios, comadres.

11. Prateleiras, consolos, baralhas, cannios, louceiro (galheiro).

12. Espelhos. Relogios de parede, de areia, do sol.

13. Redomas para peixes, etc.; gaiolas.

14. Veladores, candieiros, candeias, lanternas, lampies, lamparinas,
grisetas, palmatorias, tocheiros, castiaes, placas, serpentinas;
apagadores, espevitadores, arandellas.

15. Defumadores, esquentadores, brazeiros (bruxas).

16. Lavatorios, bacias, tijello, jarros, regadores, baldes, toalhas de
mos, saboneteiras.

17. Bandejas, taboleiros, cestos, canastros, canastras, canistreis,
balaios, gigas, gigos, cabazes, cabanejos, escrinhos, alcofas,
golpelhas, ceiras, ceires, condeas, aafates.

18. Sarilhos, dobadoiras (irgadilhos); rocas (com o siso), fusos.

19. Guarda-loia. Aparadores.

20. Toalhas de mesa, guardanapos. Pratos (covos, ladeiros, lisos, de
guardanapo ou de puchar), travessas, cochos, saladeiras, covilhetes,
boies, saleiros, mostardeiras, pimenteiras, azeitoneiras, malgas,
molheiras, tijellas, pucaros, pucaras, pucharas, picheis, garrafas,
gorgoletas, gums, cangires, copos, cornas, calices, cuias; chavenas,
chicaras, bules, cafeteiras, chocolateiras, chaleiras, leiteiras,
almotolia, vinagreira. Assucareiros.

Facas, garfos, colhres, cocharras.

21. Frasqueira, fructeira.

22. Foges, fogareiro, transfogueiro, trempes, grelhas, torradeiras,
assadeiras, caldeiras, caldeiros, caldeires, caldeiras para ferver na
lareira (de Guimares, etc.), marmitas, tachos, caos, caarolas,
caoilas, pelas, frigideiras, palanganas, pingadeiras, alguidares,
barrunches (alguidares grandes da Beira), escudellas, cochos, gamellas,
escalfadores, escumadeiras, lardeadeiras, funis, formas, taboleiros de
ir ao forno, raladores, crivos, coadores, peneiros, peneiras, cutellos,
cepos, espetos, machados, limpa-facas, vassouras, mandis, abanos,
cinzeiros, tenazes, estufas, folles, almofarizes, graes. Pote, asado,
cantaro, cantara, selhas, talhas, barris, botijas, canecos, canecas,
cabaas, poial dos potes, talha das azeitonas, pia do azeite, moinho de
mo, ps, carvoeira, ratoeira, pedra de lavar loia (loisa), esfrego,
rodilha, tbua, pia de lavar roupa, tanque, tijella da casa.

23. Litteratura do mobiliario e das alfaias populares, comprehendendo o
estudo dos usos e supersties que se lhe ligam.




*Grupo V*

Vestuario e armas


1. Vestuario das creancinhas: cueiros, tiras umbilicaes, fachas, cintas,
mantus (mantilhas), papagaios, envoltas, vestidos, mandries, batas,
bibes, babadoiros, camisolas, calas, cales, meias, piugas (carpins,
meotes, pealhos, coturnos, calcetas). Sapatos, botinhas (botinas),
chinelos. Lenos de cabea, etc. Toucas, barretes, garruo (carapuo),
chapus, bonns, boinas, cachuchas. Fatos de baptisado.

2. Vestuario das creanas crescidas e de adultos. Trajos do sexo
masculino, do sexo feminino, de viuvo, de viuva, ordinarios,
domingueiros, de festa, de casamento, de lucto.

Vestuario do homem: Piugas (carpins, etc.), sapatos (ferrados, etc.),
tamancos (samancos, scos, chalocas), cloques, chiolas, abarcas
(alpargatas ou alparcatas), botas, chinelas, chinelos. Polainas, safes.
Calas (pantalonas), calas de bca de sino e cales (de alapo, etc.)
ceroulas, bragas. Suspensorios (alas). Jaqueta, jaqueto, nisa, rabona,
jaleco, colete, camisa, camisola, gabo (varino, gabinardo), capa,
capote e em especial capote  alemtejana, capote de honras ou de
honricas de Miranda, capa de palha (coroa), mantas, carapua, carapuo,
capucha, barrete, chapu (desabado, braguez, etc.), gorro, bonn com
chavelhos (S. Miguel). Lenos d'algibeira, do pescoo, cintas.

Vestuario do mulher: Meias, etc., ligas. Sapatos, chinelas, chinelinha,
tamanquinhas, scos. Calas, saias, anagoas e saiotes, coletes,
roupinhas, chambres, casaveques, bajs, batas, algibeira (patrona).
Leno do peito, da cabea, capas, capuchas, salpim (ou susalpim, capote
de grande cabeo de S. Miguel), touca (coca). Lenos d'algibeira, vu,
bioco, chapu, penteador.

3. Ornamentos diversos, pela maior parte feminis: Anneis, xorcas,
pulseiras, braceletes, manilhas, collares, gargantilhas (afogadores),
alfinetes, broches, cordes, coraes, cadeias, brincos das orelhas,
arrecadas (ciganas, pendengues, cabaas), cintos. Pentes. Alamares.

4. Mortalhas.

5. Guarda-sol (barraca), sombrinha.

6. Varapau, pampilho, cajado, fingueira, cacheira, moca, cacete, bordo,
cachamorra, ladra, bengala. Muletas.

Chuo, navalha, faca de mato, funda, clavina, bacamarte, arcabuz.

7. Caixas de rap. Bolsas de tabaco.

8. Manequins com os vestuarios completos caracteristicos das diversas
localidades.

9. Litteratura do vestuario popular portugus, comprehendendo os usos e
supersties que se lhe ligam. Representaes graphicas.




*Grupo VI*

O trabalho (industrias, commercio, occupaes diversas)


1. Desenhos, pinturas ou photographias, que representem individuos
isolados ou em grupos, nas industrias ou occupaes que se tem em
vista, com os trajos respectivos, suas ferramentas, utensilios,
apparelhos, engenhos, machinas, no logar (campo, officina, etc.) em que
trabalham. Representaes graphicas de officinas aldes, casas e
barracas de venda, feiras, mercados.

2. Exemplares, modelos ou reproduces graphicas,  parte, das
ferramentas, utensilios, apparelhos, engenhos, machinas, etc.,
empregados nas differentes industrias ou occupaes populares, com a
nomenclatura exacta de cada uma das suas diversas partes, escripta nos
proprios objectos ou em desenhos ou simples notas que os acompanhem, com
a indicao do uso e proveniencia.

3. Desenhos, pinturas ou photographias dos animaes que auxiliam o homem
nas suas diversas industrias e profisses ou cuja captao ou criao
seja objecto dessas industria, com a indicao do uso e proveniencia.

Quando seja possivel, exemplares dos proprios animaes, vivos ou
empalhados ou conservados por qualquer outro processo.

4. Amostras ou exemplares dos productos mais caracteristicos das
differentes industrias (alem dos que entram nos grupos II, III, IV e V
ou nos seguintes).

5. Noticias mais ou menos circumstanciadas acerca das diversas
industrias, commercio e outras occupaes populares, comprehendendo o
estudo de sua historia, processos, ferramentas, utensilios, apparelhos,
engenhos, machinas, etc., individuos que nellas se occupam, importancia
economica, caracteristicas profissionaes, usos, costumes, supersties
respectivas.

       *       *       *       *       *

Damos uma lista, incompleta em verdade, das industrias e profisses
populares, para auxiliar os colleccionadores:

Abridor.
Accendedor.
Adelo.
Aguadeiro.
Albardeiro.
Alcatroeiro.
Alfaiate.
Algebrista (endireita).
Algibebe.
Alvenel.
Almocreve.
Alqueireiro.
Alveitar.
Alviareiro.
Amolador.
Andador d'irmandade.
Apicultor.
Apontador.
Apparelhador.
Arameiro.
Archoteiro.
Armador.
Armeiro.
Arqueiro.
Arraes.
Arrieiro.
Asphaltador.
Assadeira.
Assedadeira.
Assentador de carrs.
Azeiteiro.
Azulejador.
Bahuleiro.
Bainheiro.
Bandarilheiro (capinha).
Bandeireiro.
Barqueiro.
Bate-folha.
Belforinheiro (bofarinheiro).
Bengaleiro.
Benzedeira.
Betumeiro.
Boceteiro.
Boieiro.
Bolacheira.
Botequineiro.
Botoeiro.
Bonifrateiro.
Britador.
Brochante.
Brunidor.
Bunheiro.
Burriqueiro.
Cabelleireiro.
Cabreiro.
Cabresteiro.
Caador.
Cadeireiro.
Caiador.
Caieiro.
Caixoteiro.
Calafate.
Calceteiro.
Caldeireiro.
Callista.
Camiseiro.
Camisoleiro.
Canastreiro.
Canteiro.
Cantoneiro.
Cantor ambulante.
Capacheiro.
Capador.
Capataz.
Capellista.
Cardador.
Cardeiro.
Carniceiro.
Carpinteiro (de machado, toscano, de branco, etc.).
Carregador.
Carreiro.
Carrejo.
Carroceiro.
Carteiro.
Cartonagens (fabricante de).
Carvoeiro.
Caseiro.
Casqueiro.
Castrador (capador).
Catraeiro.
Cavador (cavo).
Cavouqueiro.
Ceifeiro.
Cerieiro.
Cervejeiro.
Cesteiro.
Chamiceiro.
Chegador.
Chapeleiro.
Chineleiro.
Chocolateiro.
Cinzelador.
Clarificador.
Cobrador.
Cocheiro.
Colchoeiro.
Colhereiro.
Collador de papel.
Colmeeiro.
Compositor.
Concerta-loia.
Confeiteiro.
Conductor de carros, etc.
Conserveiro.
Contrabandista.
Conteiro.
Copeiro.
Cordoeiro.
Corista.
Coronheiro.
Cortador.
Corticeiro.
Costureira.
Couteiro.
Coveiro.
Cozinheiro.
Cravador.
Criado.
Criador de gado.
Curandeiro.
Curtidor.
Cutelleiro.
Decorador.
Dentista.
Distillador.
Dobadeira.
Doceiro.
Doirador.
Embalsamador.
Embutidor.
Encerador.
Encadernador.
Engommadeira.
Entalhador.
Enxertador.
Escoveiro.
Esmerilador.
Estanceiro.
Esparteiro.
Espartilheira.
Espelheiro.
Espingardeiro.
Estafeta.
Estalajadeiro.
Estampador.
Estofador.
Estrumeiro.
Estucador.
Farinheiro.
Faroleiro.
Fazedor.
Faz-tudo.
Feitor.
Ferrador.
Ferreiro.
Fiadeira, fiandeira.
Florista.
Fogueiro.
Fogueteiro.
Forjador.
Formador.
Formeiro.
Forneiro.
Fosforeiro.
Fressureira.
Fructeiro.
Fullista.
Fundidor.
Funileiro.
Futriqueiro.
Furoeiro.
Gaioleiro.
Gaiteiro.
Gallinheiro.
Galocheiro.
Gamelleiro.
Gandaieiro.
Ganho.
Gommeiro.
Gravador.
Gravateiro.
Guarda-matto.
Guarda-nocturno.
Guarda-soleiro.
Horticultor (hortelo).
Impressor.
Inculcador.
Instrumentista.
Jardineiro.
Joalheiro.
Lacaio.
Ladrilheiro.
Lagareiro.
Lampista.
Lapidario.
Lanificios (fabricante de).
Lapiseiro.
Latoeiro (de amarello, de branco).
Lavadeira (lavandeira).
Lavador.
Lavradeira.
Lavrador.
Lavrante.
Leiloeiro.
Leiteiro.
Licorista.
Linheira.
Limonadeira.
Limpa-chamins.
Loiceiro.
Loiseiro.
Luvista.
Macarroeiro.
Machinista.
Maltez.
Manteigueiro.
Marceneiro.
Marchetador.
Marinheiro.
Marmoreiro.
Mcheiro.
Mellaceiro.
Melancieira.
Mercador.
Merceeiro.
Mergulhador.
Marnoteiro (marroteiro).
Mineiro.
Moo de recados, fretes, etc.
Modista.
Moeiro.
Moageiro.
Moiral.
Moldador.
Moleiro.
Molliceiro (sargaceiro).
Montante.
Musico ambulante.
Obreeiro.
Odreiro.
Oleeiro.
Oleiro.
Olheiro.
Ourives.
Ovelheiro.
Padeiro.
Palheireiro.
Palhoceiro.
Paliteiro.
Papeleiro.
Palmilhadeira.
Paramenteira.
Parteira.
Passarinheiro.
Pasteleiro.
Pastor.
Pedreiro.
Pegureiro.
Peixeiro.
Pelleiro.
Peneireiro.
Penteeiro.
Perfumista.
Pescador.
Picador.
Picheleiro.
Piloto.
Pinceleiro.
Pintor.
Pisoeiro.
Poceiro.
Podador.
Poleeiro.
Polidor.
Pregoeiro.
Prensista.
Queijadeira.
Queijeiro.
Quinteiro.
Ramalheteira.
Recortador.
Recoveiro.
Redes (fabricante de).
Refinador.
Regateira.
Relojoeiro.
Remador.
Remolar.
Rendeira.
Retrozeiro.
Rodeiro.
Rolheiro.
Roqueiro (fabricante de rocas).
Roupeiro (que faz, guarda roupa).
Roupeiro (pastor queijeiro).
Saboeiro.
Sachador.
Sacristo.
Salchicheiro.
Salgador.
Sangrador.
Santeiro.
Sapateiro.
Sardinheira.
Sebeiro.
Segador.
Segeiro.
Selleiro (correeiro).
Semblador.
Serigueiro (sirgueiro, passamaneiro).
Serrador.
Serralheiro.
Serzideira.
Sineiro.
Singeleiro.
Soldador.
Sombreireiro.
Sopeira.
Sota.
Sumagreiro.
Surrador.
Taberneiro.
Taba (fabricante de objectos de).
Tamborileiro.
Tamiceiro.
Tanoeiro.
Tecedeira.
Tecelo (de l, de algodo, de ourelo, de fitas de elastico, etc.).
Telheiro.
Tendeiro.
Tintureiro.
Toicinheiro.
Toireiro.
Torneiro.
Toscano (carpinteiro).
Tosquiador.
Trabalhador.
Trapeiro.
Trintanario.
Tripeiro.
Trolha (codea).
Typographo.
Vallador.
Vaqueiro.
Varapoeiro.
Varredor.
Vassoireiro.
Vdor.
Vendedor.
Vendeiro.
Vestimenteira.
Vidraceiro.
Vidreiro.
Vinagreiro.
Vindimeiro.
Violeiro.
Zagal, zageleto.

       *       *       *       *       *

Deve attender-se em primeiro logar s seguintes industrias:

1. Caa.
2. Pesca.
3. Pastoreio.
4. Agricultura, com todas as industrias que se lhe ligam.
5. Industrias do ferro.
6. Industrias da madeira.
7. Industrias da pedra.
8. Ceramica.
9. Industrias na sua phase simples, puramente caseira.

Vamos dar indicaes relativas a essas e a outras industrias, sem
pretender apresentar uma classificao dellas, por emquanto.


A. *Caa.*

Aboizes, inxozes, armadilhas, tombo, taralhoeira, alapes, certilhas,
caixo, castello, canios (naas), fios, laos, redes, costellas.
Armelos. Ratoeiras. Visgo. Reclamo, apito. Fundas. Saccos de caa.
Polvorinhos. Espingardas. Furoeiras. Tropheus de caa. Agachis (cabanas
de matto para esperar a caa--Beira).


B. *Pesca.*

1. Planos, desenhos ou photographias de logares habitados por pescadores
(grupo III), de portos de pesca.

2. Todos os elementos dos grupos II a V, que dem ideia das condies de
vida da classe piscatoria.

3. Photographias de typos de pescadores das diversas localidades.

4. Amostras de materiaes empregados na fabricao das redes.

Instrumentos usados na fabricao das redes: o muro ou malheiro, a
agulha.

Materias primas empregadas na breagem ou tintura das redes.

M para moer a aroeira.

Casqueiro (tanque ou vasilha em que se tingem as redes).

Tendaes ou varaes em que se pem as redes a seccar.

5. Apparelhos de rede e outros (ou modelos) empregados[2]:

I. Na pesca longinqua.

II. Na pesca do alto:

                                   { permanentes ou de fundo.
             { de rede de emmalhar { fluctuantes ou de superficie.
  Apparelhos {
             { de anzol { muitos anzoes.
                        { um s (linha de pesca).

III. Na pesca costeira:

                                     { fixos.
                       { de emmalhar { volantes.
             { de rede {
             {         {             { fixos.
             {         { envolventes { de cerco volante.
             {                       { de arrastar.
             {                       { de suspenso.
  Apparelhos {
             { de anzol { muitos anzoes.
             {          { um s.
             {
             { de fisga.
             { de verga em frma de ratoeira.

Bicheiro (especie de croque para apanhar o polvo); navalha (vara com
caranguejo para o mesmo fim).

IV. Na pesca fluvial:

                                     { fixos.
                       { de emmalhar { volantes.
                       {
             { de rede { envolventes { fixos.
             {         {             { volantes.
             {         { de estacada.
             {
  Apparelhos { de anzol { muitos anzoes.
             {          { um s.
             { de fisga.
             { de verga ou arame em frma de ratoeira.
             { automaticos.

Auxiliares da pesca: arame de longueiro, cavadeira (enxada), garrafas,
rasco.

V. Na pesca lacustre:

             { de rede.
  Apparelhos { de anzol.
             { de fisga.

Carro ou pol para levantar as redes para os barcos.

Padiolas para transportar as redes.

6. Modelos, representaes graphicas de embarcaes de pesca maritima
longinqua, do alto, costeira, fluvial e lacustre, com a indicao da
terminologia.

Utensilios diversos usados a bordo dessas embarcaes.

Instrumentos para puxar os barcos para terra (encalhar, varar), rolos,
panaes, carro, varas, muletas, etc.

7. Representaes graphicas das diversas operaes da pesca, sada e
entrada do barco no porto, varar deste, lanar as redes, disposio
destas, levantar das redes, com a indicao dos termos que designam cada
um dos pescadores que trabalham de cada vez (boga) nessa operao, que
so (na Ericeira): proa, contra, passeador, levadoira, empanas,
coiceiro, contracoiceiro[3].

8. Copias de roteiros dos pescadores, isto , das listas dos enfiamentos
que os guiam ao procurar os mares de pesca.

9. Litteratura da pesca em Portugal. Noticias sobre os usos, costumes,
psychologia do pescador portuguez.


C. *Pastoreio.*

_Typos profissionaes_: Pastor, pegureiro, zagal, zagala, zagaleto,
zagalejo. Ajuda, maioral (moiral). Ovelheiro, boieiro, cabreiro,
porqueiro, etc.

_Armas e utensilios, etc._: Cajado (cachado), bordo, cachamorra, moca,
cacheira.

Tarro, ferrado, asado, corna (colher de ponta de cabra), canado (S.
Miguel).

Colleiras de ces (com ou sem puas).

Carranca dos rafeiros.

Tendal (onde se tosquia).

Barbilho (barbeto) para os bois. Chocalhos.

Capador (instrumento musico), buzina, corneta.

Samarra (pellote), surro.

Parruma (po de farello para os ces).

_Typos de ces de gado_: Exemplares vivos, ou empalhados, representaes
graphicas.


D. *Agricultura e industrias connexas.*

1. _Correco do solo, irrigao_. Modelos, plantas, desenhos de obras
tendo por fim a correco do solo, como desaguadoiros, margens,
camalhes, vallas ou sanjas, gaivagem, drenagem.

Instrumentos e materiaes empregados nessas obras.

Amostras de materias primas empregadas na correco physica e chimica do
solo.

Modelos, plantas, desenhos de canaes, encanamentos, comportas, pontes,
motas, quebramares, audes, caleiras, noras, rodas de tirar agua,
cegonhas (burras, Beira), bombas (frmas antigas).

2. _Cultura do solo e das plantas, colheita e conservao dos productos
agricolas_.

a) Representaes graphicas (desenho, pintura, photographia) da lavra,
sementeira, gradadura, ceifa, medas, debulha, joeiramento, etc.

b) Instrumentos, apparelhos, machinas diversas (ou modelos):

Alavancas.
Alvio.
Ancinho.
Arado (timo ou tomo, chavelha, teir, pescazes, rabia, aiveca,
  mexilho, ferro, coice).
Atacadores de vinha.
Bisarma para limpar arvoredo.
Boicheiro (alvio para arrancar _boichas_, mato, na Beira).
Carros diversos.
Ceitoira.
Cestos varios.
Charrua (partes: dente, relha, aiveca, apo, teirs, aravellas, rodado ou
  jogo dianteiro, rabias, tempera).
Coleta.
Coleta de poda.
Coleta de enxertia.
Crivo.
Cutella.
Engao.
Enxada.
Enxada rasa.
Enxada de ganchos.
Enxado.
Enxertador.
Enxofradores.
Espantalhos para as aves.
Forcados.
Foice.
Foicinha.
Forquilha.
Gadanha.
Gadanha com safra e martello.
Grade.
Gravano.
Joeira.
Machada.
Machado.
Mao para enxertia.
Malhadeiro.
Malho (vide Mangoal).
Mangoal (partes: carula, me, mangueira, pirtigo ou prito).
Navalhas.
Padiolas.
Ps.
Pedra de afiar.
Pico.
Picareta.
Plantadores.
Podo.
Podoa.
Rachadeira (para enxertia da vide).
Raspadeiras.
Roadeira de maa.
Roadeiras ou roadoiras.
Rodo.
Rojo.
Rolo.
Sacho.
Sacho de p e bico.
Sachola.
Serras.
Serrote (para limpeza das arvores).
Tesoiras.
Trilho.


3. _Vindima_. Representao graphica da vindima.

Instrumentos e utensilios empregados.

Navalha podadora ou tesoira. Cestos chatos, cabazes para receber a uva
ao passo que se corta. Cesto vindimo (recebe a uva dos cabazes). Dornas
em carros de bois ou carros gargaleiros. Cubos (cestos vindimos grandes
do Alemtejo). Carros com caixa (Alemtejo meridional). Estrados ou
esteiras para estender a uva.

4. _Lagaragem do vinho_, etc. Modelos, planos, desenhos de lagares de
vinho, adegas, frasqueiras.

Apparelhos, instrumentos e utensilios diversos (ou modelos desses
objectos).

Desengaador (ripadeira), tridente em barril, sarilho de tremonha.
Lagaria.

Recipientes para as fermentaes: pia, lagaria (taboleiro de lagar),
balseiros, dornas, dornachos. Cavanejo.

Engenhos de espremer (de vara e fuso, de fuso e peso, de tesoira);
prensas de fuso movel ou de fuso fixo (de cincho, de gaiola, de aranha),
de sarilho.

Vasos para transporte e baldeao dos mostos: almudes, cantaros. Outros
meios para o mesmo fim (calhas, etc.).

Cisterna ou tina do Alemtejo. Talhas de barro, talhas pezgadas. Canecos.

Vasilhame para guardar o vinho: Toneis, cascos, pipas, cubas, bottas,
talhas, quartos, quartolas. Canteiros para assentarem as vasilhas.

Batoques, torneiras. Chupeta (frade). Espicho. Argal (argo). Tira-flor.
Bombas de transfega. Filtros. Batedores de colla. Mechas. Sulfuradores.

Garrafas. Rolhas.

Me-vinagreira.

Alambique (alquitara).

5. _Preparao do azeite_. Planos e modelos de tulhas, lagares e suas
partes. Utensilios.

Moinho (tanque, pia), galga, eixo, fuso, mescia. Motor de agua: roda de
cubos, roda de ps.

Ceiras.

Prensas: de vara (fuso, chave, peso, virgem, adufas); de parafuso
(cabea do parafuso, chave, adufa).

Tanques de baganha. Ancinhos para a separao da baganha. Canecos de
colher.

Caldeiras. Fornalha.

Tarefa. Inferno. Pilo.

Talhas para a conservao do azeite. Odres para transporte.

6. _Fabricao de lacticinios_. Representaes graphicas das operaes.
Utensilios, engenhos ou modelos. Vasadeiras. Ferrados. Asados. Coadeiras
(sedaos). Terrinas para a formao da nata. Batedeiras vulgares da
manteiga.

Gamella, usada para a coagulao do leite. Cintel. Moinho para desfazer
a coalhada. Barrileira (francelho). Cinchos. Prateleiras para a secca
dos queijos.

Picheiro.

7. _Conservao dos cereaes, moagem, panificao_. Modelos,
representaes graphicas das construces, apparelhos, empregados nessas
operaes. Utensilios diversos. Vide n.^o 2.

Medas de colmo e cannas de milho.

Eiras.

Tulhas (silos, tulhas a monte padejado, tercenas, etc.). Espigueiros
(canastros, cobertos). Cafuo (S. Miguel).

Moinhos:

a) Atafona: trave, porca, ferro, pio, almanjarra, arrojadoira,
emparamentos, dormentes, segurelha, alevadoiro, carrote, veio, cachorro,
etc.

b) Azenha: roda de ps ou colheres ou roda de cubos (entrs, carrete,
lanternim), pennas, poiso, corredeira, aguilho, segurelha, lobeto,
rela, vielas, quelha (calha, etc.).

c) Moinho de vento (fixo com chapu, movel com leme ou cauda); arvore
(eixo), asas (aspas, varas, mastros), vlas, cabaas, rodas, dentes,
cercos, lanternas, canaes, ps, rodisios, tulha, tramoia (tremoia),
tremonha (canoira), puxavante, pedras (ms--p e andadora ou corredora),
cambeiral, etc.

Padaria (fornos). Peneiros, masseira, banqueta (tendedeira). Forno:
peitoril, bca, porta, lar, lados, centro, abobada, capella, respiro,
chamin. P de esborralhar, de enformar, de tirar a cinza. Atiador,
rodo. Varredoura (enxovalho). Vistas.

8. _Preparao do linho_. Ripador (sedeiro de esbaganhar). Crivo, joeira
para limpar as sementes. guadoiros do linho. Pente. Mao e cepo. Piso.
Espadella. Sedeiro.

9. _Criao das abelhas_. Colmeia ou cortio. Mascara do entroviscador
(destroador). Defumador. Sedao e gamella (tacho) para receber o mel
virgem. Coadores ou escumadores do segundo mel. Batedor do mel.
Depurador da cera.

10. _Criao do bicho de seda_. Utensilios nella usados. Colleco
sericola, com o bicho nas suas diversas phases de desenvolvimento, o
casulo, etc.

11. _Criao de gado_. Modelos, desenhos de construces para abrigo de
gado, dos animaes que servem na lavoura. Vide grupo III.

Estabulo com palheiro, mangedoira, caixo de rao, armario para
arreios, serrote ou corta-palha, baldes, etc. Cevadeira.

Chiqueiro (cortelho, crte, etc.), pias, gamellas.

Arribana dos bois.

Curral das vaccas.

Redil das ovelhas, etc. Tesoira de tosquiar.


E. *Industrias do ferro.*

Indicaremos, como exemplos, algumas ferramentas e utensilios usados
pelos forjadores, serralheiros e torneiros de metaes (terminologia de
Lisboa):

Alfeas.
Alicates.
Almotolias.
Assentadores.
Bancadas.
Bigorna (de chifre redondo e chifre quadrado).
Brocas.
Brocha.
Brunidor.
Buris.
Cabedaes (desempenos).
Caixas para limas, etc.
Cantoneiras para riscar escateis.
Cavalletes de forja (safra, chifre redondo, penna, assento).
Chanfrador.
Chaves de parafusos.
Chaves de porcas.
Chegadeiras.
Compassos direitos.
Compassos de corredia.
Compassos de volta.
Compassos de sector.
Compassos de furos.
Compassos de mola.
Cassonetes.
Corta-frio.
Craveiras.
Degoladores.
Desandadores.
Desenchavetadeiras.
Embutideira.
Encalcadeira.
Engenho de furar (typo antigo).
Entre-dois.
Escantilhes diversos.
Escareador.
Escopro.
Esquadrias.
Espetes.
Espichas.
Ferramentaes.
Forja e folle (folle: tres tampos, ventaneiras nos dois inferiores,
  cabea do folle, funil, tirante; forja: algaraviz, placa ou parede
  de trs, fogo, tina da agua, placas ou paredes dos lados e frente,
  cupula, chamin).
Frautas.
Fuss para apertar tenazes.
Graminho.
Limas diversas.
Limates.
Machos de rosca.
Maos.
Malhos.
Marretas.
Martellos diversos.
Massacotes.
M de amolar.
Moldes.
Mordentes.
Niveis.
Ps.
Palancas.
Pedra d'afiar.
Pentes para roscas.
Pones.
Poncetas.
Preguia.
Puchadora de rebite.
Rebeca para furar.
Reguas diversas.
Riscadores.
Roca.
Rompedeiras.
Safra.
Sutas.
Taes.
Talhadeiras.
Talha-frio (corta-frio).
Tarrachas.
Tenazes varias.
Tesoiras.
Tornos de bancada.
Tornos de mo.
Tornos de marcha.
Tufo.
Unheta.
Virador de chapa.


F. *Industrias da madeira.*

1. Serrador.

Cavallete ou vareiro (com dois espeques), serra de braos (com dois
braos ou testinos, dois vanzos, folha, fusis). Cabedaes, cordel,
pontaes.

2. Carpinteiro e marceneiro.

Almotolia.
Arcos de pua.
Bancos.
Barrilete.
Bedames.
Berbequim.
Bico de pato.
Bradaes (furadores).
Brocas.
Broxas para grude.
Burro.
Cabedaes.
Cabides para trados.
Caldeira para grude.
Cants diversos.
Cavalletes.
Cepos diversos de moldar.
Cepos de colla.
Chaves de parafusos.
Cintel.
Colchete.
Compassos diversos.
Corta-chefe.
Corta-mo.
Debastadores.
Desandadores.
Enchs.
Escareador.
Escopro.
Esgaravatil.
Esquadros.
Estaleiros.
Ferramentaes.
Ferros de pua.
Filerete.
Frmas para folhar.
Formes diversos.
Garlopas.
Gastalhos.
Goivas diversas.
Govete (bovete).
Graminhos.
Grampos (de ferro, de madeira).
Grosas.
Guilhermes.
Gulas.
Junteiras.
Limas diversas.
Limates.
Lixa.
Maos.
Machos (cepos).
Machos para tarrachas.
Martellos diversos.
Meia-canna.
Meias-esquadrias.
M de amolar.
Moos.
Niveis.
Parelhas de dois e mais fios.
Partilhas.
Pedra de assentar fio.
Plainas diversas.
Prensas (volantes ou de mo, etc).
Prumo.
Raspadores.
Rebotes.
Reguas diversas.
Replainos.
Repuxo (tufo).
Rinco.
Sargento (cingente).
Serras diversas.
Serrotes.
Sutas.
Tarrachas.
Tornos de grampos, etc.
Torno de marcha para madeira.
Torquezes.
Trados.
Travadeiras.
Trincha de ao.
Verrumas.
Viradores.


G. *Industrias da pedra.*

1. Instrumentos, apparelhos empregados na lavra das pedreiras.

2. Modelos de fornos de cal.

3. Ferramentas de canteiro.

4. Ferramentas e apparelhos de pedreiro.

Alavanca.
Andaime.
Calabre.
Camartello.
Ciranda.
Colhr.
Escoda.
Escopro.
Guindaste.
Mao.
Marra.
Mascoto.
M.
Mouto.
Onivel (nivel).
Picadeira.
Pico.
Picareta.
Pol.
Ponteiro.
Prumo.
Roldana.
Trolha.


H. *Industrias caseiras.*

Nesta seco alargam-se os limites em que geralmente devemos conter-nos
relativamente ao caracter popular e tradicional dos objectos expostos.

Constar a seco de productos das pequenas industrias puramente
familiares, destinados ao uso e consumo proprio, ainda que representem
typos de introduco recente, imitaes d'objectos modernos e
estrangeiros e sejam provenientes de familias no propriamente
populares, isto , que no vivam do trabalho manual. O fim que se tem em
vista  conhecer as condies do trabalho manual nas familias
portuguesas, consideradas no seu conjuncto, para se poder apreciar o
valor economico e esthetico desse trabalho.

A seco faz naturalmente concorrencia a outras pela natureza dos
productos, mas legitima-se pelo seu fim especial.

1. Productos destinados  alimentao (alguns exemplares): salchicharia,
culinaria, confeitaria, padaria caseira.

2. Trabalhos de carpinteria e marceneria, serralheria, torno de madeira
e de metaes, marfim, osso, marchetaria.

3. Pintura propriamente dita e pintura decorativa em barro, madeira,
faiana, porcelana, vidro, coiro, seda, folhas. Mosaico, ladrilhagem.
Desenho decorativo. Modelos e padres para objectos diversos das
industrias familiares. Gravura.

4. Esculptura propriamente dita; modelao. Moldagem, formao.

Esculptura decorativa em madeira, pedra, barro, cortia, etc.

Bonecos de panno, etc. (bonifrateria).

Flores e fructos artificiaes de panno, papel, cera, l, pennas, coiro,
escamas, conchas, cortia, pita, fructos naturaes, massa de po, madeira
(aparas, etc.), miolo de figueira, cascas d'alhos, casulo de bicho de
seda, canutilho, borracha, etc.

5. Tecidos de linho, l, algodo, etc., palma, palha, vime, crina,
cabello, corda, cordel e mixtos. Peas de farrapos, tomentos, oirelo,
panno torcido, trapos e malha de meia. Meia, liga, frioleiras,
ponto-lavrado, crochet, rede-n, franjas, obras diversas de malha,
macram, etc.

6. Bordados a oiro, a prata, a escomilha, a cabello, a fio de seda, a
branco, a p de l, a froco, a matiz, a crochet, a relevo, a missanga, a
escama, a applicao, a ponto de espinha, a ponto russo, a ponto de
cadeia, a ponto alto, a ponto de crivo, a ponto de renda, a ponto de
marca, a _chenille_, a canutilho, a codornilho, a fitilha, em cera, em
carto, em vidro, em estofo, em palma, etc.

Rendas de bilro, de applicao, de crochet, etc.

Fitas. Tapearias.

7. Costura e alfaiataria. Modelos, padres, etc. Remendagens, franzidos.
Vieses. Botes.

8. Cartonagens.

9. Diversos.


I. *Industrias de transporte.*

1. Por terra.

Typos profissionaes: carreiro, carroceiro, guia, boieiro, candieiro (na
Madeira, guia da corsa ou corso), liteireiro, moo de cadeirinha (no
Porto comicamente, _burro sem rabo_), almocreve, recoveiro, carrejo,
carregador, moo de fretes, etc.; cocheiro, conductor.

Meios de transporte: carro, carroa, carro de mo, carro-matto, galera
(Extremadura), carrinha (Algarve), carreta, carroo, calea, sege,
coche, diligencia, liteira, cadeirinha. Zorra. Padiolas. Especiaes da
ilha da Madeira: corsa, corso, carro de monte, rede, palanquim, carro
de campo.

Aduas (quadrilhas de carretas).

_Terminologia do carro ordinario de bois_:

Aguilhada.
Apeiro.
Arreata.
Arrelhada.
Brochas.
Cabealha.
Cadeias.
Caibros.
Cambo (savica).
Canga.
Cannios.
Canzis (cangalhos, pinhocas, pinholas).
Cavallete.
Chavelha.
Chazeiros.
Corneira.
Cubo.
Eixo.
Estadulho (fueiro, berjoeira).
Gatos do eixo.
Jugo.
Leito (aberto, fechado).
Meo.
Molhelha.
Ouca.
Pampilho.
Pga.
Pernas.
Piaos.
Pirtiga, pirtigo.
Porcimeira.
Raios das rodas.
Relhas.
Rodeiros.
Rodas.
Sogas.
Tamia.
Tamiceiras.
Tiro.
Varal.
Xalmas (xaimas).

_Terminologia do carro alemtejano_:

Apeiro.
Arrasta.
Arreata.
Barrigueiro.
Burnil.
Canga.
Cangalho.
Cannio.
Chavelho.
Castellos.
Espartes.
Ponte.
Suador.
Taleira.
Tendaes.
Tiradeira.
Toldo.

_Terminologia do carro rural da ilha de S. Miguel_:

O leito compe-se de _mesa_ e _seve_ e  rodeado da _cadeia_ (atrs) e
dos _sedeiros_ (aos lados); prolonga a sua parte central o _cabealho_.
O jogo das rodas com o eixo  o _rodeiro_. Na roda ha tres partes, dois
segmentos lateraes, _cimbas_, a parte do meio, _meio_, as tres ligadas
por duas _relhas_. As peas fixas no leito que assentam sobre o eixo e
em que este volve so as _meias_; as peas lateraes dellas _coces_. No
_eixo_ distinguem-se a parte grossa central, _rolete_, as partes mais
delgadas que entram nas meias, _cantadeiras_, e as _cabeas_, que entram
no furo da roda chamado _alqueire_.

_Animaes de tiro e cavallaria_. Cavallos, muares, burros, bois.
Representaes graphicas dos typos mais frequentes.

_Cavallaria_. Sella, albarda, albardo, enxalmo, cilha, retranca,
atafal, almatrixa, estribos (de metal, de pau), cabeo, cabeada, freio
barbicacho, redeas, cabresto. Alforges. Trajos para cavallaria.

2. Transporte por agua.

Embarcaes, jangadas.

Por exemplo:

No Douro, barcos rabellos (com apgada, espadella).

No Mondego, barcos serranos.

No Tejo: barcos de Alcochete, Azambuja, Salvaterra, de conduzir farinha
do sul, do pinho da Amora, do sal de Alcochete, de carregar sal.

Bote de catraiar do Seixal, de Lisboa, de Cacilhas; de passageiros do
Barreiro, de Benavente, do Carregado; de carga da Amora, do rio de
Coina, d'Aldeia-Gallega;

Canoa de Benavente para passageiros, de fretes da Trafaria;

Falua d'Aldeia-Gallega, de Santarem, de Vallada.

Fragata de carga, de barra-fra.

Lancha de Salvaterra, de Santarem, do rio de Santarem, do rio da
Cardiga.

Muleta de carregar de Alhandra.

Varino de carga, fragateiro de carga, de carga de agua acima, do rio de
Santarem, da Alhandra.

Em diversos portos da costa maritima:

Barcos de carregar pedra, de Cascaes.

Cahique de carga, de S. Martinho.

Canoa de carregar; de Cezimbra.

Carregador de Cezimbra.

Fragata de carga, de S. Martinho.

Hiate da Figueira da Foz, de Peniche.

Poveiro de Ovar.

Rasca da Figueira, etc.




*Grupo VII*

Relaes diversas dos individuos


1. Estatutos, compromissos, historia, estatistica de associaes,
companhas, confrarias, antigas corporaes de officios.

2. Estudos sobre o decoro, o porte pessoal, as frmas de polidez e
respeito entre o povo.




*Grupo VIII*

Jogos e bellas artes populares e infantis. A escripta.


1. Apparelhos e utensilios empregados nos jogos e dansas populares e
infantis.

2. Descripo desses jogos e dansas, colleccionao de palavras ou
versos nelles usados, musica correspondente.

Eis a lista dos jogos tradicionaes portugueses de que temos noticia:

A collinho.
Advinha quem te deu.
Agulhinhas.
A-la-una.
Alfinete.
Alguergue (Arris).
Annel.
Apanha-gallegos.
Argolinha.
Barbeiro.
Barquinho (navio).
Barra.
Bicho.
Bilharda.
Bombarqueiro (Dom Barqueiro).
Bola.
Boto.
Burraca.
Busca-tres.
C, c.
Cabra-cega.
Caador-viajante.
Canastrinha.
Cannas.
Cantinhos.
Carreira.
Castellos.
Castellos de Chuchurumel.
Cavalheiritas.
Chapas.
Chica-la-fava.
Chiclop.
Chinquilho.
Ciranda.
Conca.
Correia.
Corneta.
Corriola.
Covinha.
Cucarne.
Dados.
Dedaes.
Dedos (advinhar o numero).
Dona Maria Alonsa.
Eixo.
Esconde, esconde.
Escondidas.
Espeta.
Estopinhas.
Eu te rogo, barqueiro.
Farinha, farello.
Fito.
Floro.
Gallinhas.
Gallinha-cega.
Ganios (cucarne).
Golfim e baleia.
Gralhas.
Grillo.
Guardinvo.
Homem.
Joo da Cadeneta.
La Condessa (Condessinha ou Embaixador).
Inferno e paraiso.
Laborinha.
Laranjinha.
Lencinho.
Lobo.
Luar.
Malha.
Malho.
Martim Garvato.
Meadinha de oiro.
Minha ponte derreada (Ponte).
Moiro ou moiros.
Monte.
Mosquem-se.
Mudos.
Mulher.
Mun-chica.
Oca.
Officios.
Padre-cura (Abbade).
Pampolinha (Argolinha).
Paus mandados.
Par ou per-no.
Passaro voa.
Passarinho a olhar (ou  orelha).
P coxinho.
Pedrinha na bca.
Pedrinhas.
Pela.
Penhor.
Petisca.
Papagaio.
Patinhas (Pombinhos).
Peloiros.
Pio.
Pino.
Pintainho.
Pitorra.
Ponte.
Porca.
Punho-punhete.
Pucarinha.
Queimado.
Quem-te-pesa.
Rabia.
Raminho.
Raposa.
Rapa.
Roda-dos-altos-coices.
Rosca.
Rou-rou.
Rua dos Salgados.
Saca-la-mano.
Sapatadinha.
Sapato (Sapatinho).
Sant'Anna ou Santa Batuta.
Sardinha.
Sarilho.
Segredos.
Semana.
Serra-madeira.
Sino (Vigenel).
Sisudo.
Talinhos.
Topa.
Vai-te a elle.
To-badalo.
Tocadilho.
Toque-in-boque.
Trabalhos.
Traquinote.
Trinca-cevada.
Truques.
Urso.
Vassoirinha.
Violar.
Viuvinha.
Xafarraz.

3. Photographias instantaneas representando as diversas phases dos jogos
e dansas, os ranchos de romarias.

4. Pinturas, desenhos populares e infantis (ou suas reproduces) em
papel, carto, madeira, metal, nas paredes, armarios e outros moveis, em
carros, barcos, bandeiras, oleados e retabulos.

5. Esculptura em barro, pedra, metal, madeira; figuras de trapos, etc.

6. Quaesquer construces architectonicas que no entrem nos grupos III
e IV ou sua representao graphica; p. ex., igrejas, capellas, ermidas,
pontes e fontes rusticas.

7. Instrumentos musicos e especialmente: gaita de folle, tambores,
tamboris, bombos, atabales, pandeiros (soalhas), adufes, ferrinhos,
castanholas, sistros, marimbas, salteiros, berimbaus, sanfonas,
guitarras, guitarreus, violas, bandurras, alaudes, machetes,
cavaquinhos, rebecas, pifanos, flautas, gaitinhas, baixes, doainas.

8. Elementos populares de escripta; ideographia popular. Signaes
lagareiros de Alcobaa, etc. Mnemonica graphica. Tatuagens. Escriptos,
na graphia usual, de pessoas indoutas que apenas aprenderam a escrever.
Estudos dos gestos populares.

9. Litteratura popular: poesia lyrica e epica, dramatica; contos,
proverbios, enigmas. Litteratura de cordel. Almanachs e folhinhas
populares.




*Grupo IX*

Frmas sociaes e humanas


1. Estudos sobre a familia popular. O conceito dos laos sociaes,
sentimento de communidade social e politica entre o povo.

2. Estudos sobre os sentimentos de humanidade, a amizade, a
hospitalidade, a beneficencia, os conceitos e proceder com relao a
outros povos e raas.




*Grupo X*

Frmas da vida religiosa


1. Estudos sobre o conceito do sobrenatural, os vestigios das crenas
mythicas, das praticas de origem pag, da crena nos espiritos e
apparies, das supersties que melhor caibam neste grupo, do conceito
de Deus, dos anjos e dos santos, do diabo, do cu, do inferno, e em
geral do modo como o povo comprehende o christianismo.

2. Colleces de oraes e lendas religiosas populares.

3. Descripo de festas religiosas ou ligadas a solemnidades religiosas,
procisses, romarias, arraiaes, cirios e representaes graphicas das
mesmas.

Lembram-se especialmente as seguintes festas: Natal, Anno Novo, Reis,
Carnaval, Cinzas, Serrao da Velha, Semana Santa e Paschoa (enterro do
bacalhau, etc.), Primeiro de maio, Quinta-feira de Ascenso (festa da
espiga, etc.), Pentecostes (Imperador do Espirito Santo), S. Joo
(fogueiras, dansas, apanha da agua santa, do feto real, orvalhadas,
passagem dos quebrados pela arvore fendida, etc.) S. Pedro, enterro das
sestas (setembro), magusto (1 de novembro).

4. Objectos que se referem s crenas permittidas pela igreja
(originaes, modelos ou desenhos).

a) Oratorios, nichos para imagens de santos. Imagens de santos, de arte
popular; registos. Andores.

b) Cruzes, crucifixos.

c) Reliquias de santos; ossos, unhas, e outras partes do corpo de um
santo. Fragmentos das vestes de um santo ou objectos que se dizem ter
sido do uso do santo. Fragmentos do santo lenho. Outras quaesquer
reliquias. Bentinhos, escapularios.

d) Rosarios e coroas.

e) Objectos bentos (palmas, vlas, peas do vestuario, etc.). Po bento
de Santa Quiteria de Meca, etc.

f) Medidas (de fita) do corpo de um santo ou de Jesus Christo, ou de uma
parte do corpo, como brao, perna, cintura, circumferencia da cabea,
pescoo.

g) Offerendas diversas (principalmente por promessas): animaes, plantas,
fructos. Vlas da altura do corpo do offerente ou do tamanho de uma
parte doente (brao, perna). Medidas de fita, cordes nas mesmas
condies. Outras peas de oiro ou prata (coras, broches, pulseiras,
gargantilhas, anneis, etc.), vestes offerecidas a santos e santas.
Objectos representando o doente por que se faz a promessa ou uma parte
doente; corpos de cera (representando creanas, adultos ou animaes),
mos, ps, pernas, peitos, cabeas, olhos, pernas, etc., de cera ou de
metal. Ex-votos (quadros representando um milagre, com ou sem
inscripo). Fogaas, etc. Telhas furtadas (para S. Pedro), etc.

5. Objectos que se referem s festas tradicionaes, como:

a) Preparaes culinarias e de confeitaria particulares s festas do
Natal aos Reis. Presepes. Cearas, cepo do Natal.

b) Pes de S. Gronalo (10 de janeiro).

c) Pernas e braos doces para Santo Amaro (15 de janeiro).

d) Modelos de mascaras mais caracteristicas e tradicionaes e do
cavalhinho fusco do Carnaval.

e) Modelo ou representao graphica do Morte-piela de Bragana, do anjo
da Calhorra do Fundo (quarta feira de Cinza).

f) Bonecos de massa de S. Lazaro.

g) Amendoas, folares, ovos da Semana Santa e Paschoa. Modelos de Judas.

h) Modelos ou representao graphica de maios e maias. Ramos de maias
(giestas).

i) Rolo de cera da festa do imperador do Espirito Santo. (Alemquer).
Fofa (posinho do Espirito Santo, da ilha de S. Miguel).

j) Queijo da Ascenso.

k) Facho de lenha, ceira do azeite de S. Joo.

l) Offerendas particulares a S. Pedro.

6. Objectos empregados nos tres actos religiosos--baptismo, casamento,
enterro.

a) Objectos de que se faz uso especial nos baptisados. Samagaio (po do
baptisado em Guimares). Representaes graphicas dos baptisados
populares.

b) Modelos dos arcos (talanqueira T. M.) sob os quaes passam os noivos
com os symbolos usados na occasio. Objectos que  costume atirar aos
noivos. Representao graphica das festas dos casamentos populares.

c) Modelos de caixes de defuntos, tumbas, atades, campas, objectos que
se pem sobre a sepultura. Bandeira das almas. Alminhas. Representaes
graphicas de cerimonias e prestitos de enterros populares, de cemiterios
ruraes. Modelos de cruzes que se pem em logares onde morreu alguem,
fieis de Deus. Cruzeiros.

7. Amuletos.




*Grupo XI*

O saber popular


1. Estudos, notas sobre os conceitos do povo relativos  natureza, ao
homem,  sociedade, s causas ultimas; por exemplo, a explicao popular
do movimento do mar pelo conceito de que elle  um _folego vivo_; o
conceito da maldade ingenita da mulher expresso pela correlao de
_mulher_, _mula_ e _muleta_; as innumeras sentenas em que se manifesta
o pessimismo popular cerca do mundo e em especial da politica.

2. Astronomia popular.

3. Terminologia topographica popular.

4. Vocabularios de nomes populares de mineraes, vegetaes e animaes, com
a summula dos conhecimentos do povo a respeito dellas.

5. Medicina humana e veterinaria populares. Amostras de medicamentos,
apparelhos, etc., empregados numa e noutra.




*Grupo XII*

Colleces--Diversos


1. Colleces comprehendendo objectos dos diversos grupos, os quaes,
pela sua importancia ou por desejo expresso dos expositores, sejam
apresentadas no seu conjuncto.

2. Obras collectivas sobre a vida do povo, as tradies populares.

3. Colleces de periodicos em que haja numerosos artigos sobre a vida
do povo, como _O Panorama_, _O Archivo Pittoresco_, _O Occidente_.

4. Exposio de typos vivos populares. Vide pag. 11.

5. Diversos.

       *       *       *       *       *

*Observao final*


Os elementos deste programma derivam principalmente do nosso estudo e
observao propria; devemos tambem bastante  informao de algumas
pessoas por ns consultadas e aos escriptos dos folkloristas e
dialectologos portuguezes, ao livro de Ferreira Lapa sobre _Technologia
rural_; ao do sr. Baldaque da Silva sobre o _Estado actual das pescas em
Portugal_, fomos buscar a classificao dos apparelhos de pesca.
Diversas publicaes estrangeiras deram-nos importantes indicaes.




Notas:

[1] As plantas de raizes bulbosas, tuberosas, os fructos carnudos podem
conservar-se em frascos de alcool. As plantas de folhas no gordas e
raizes no dilatadas conservam-se bem em frascos em que se metteu um
bocado de esponja ou de algodo embebido em alcool e se fecharam
hermeticamente.

[2] Seguimos a classificao do sr. Baldaque da Silva.

[3] Inedito, como outras particularidades que reunimos cerca das
pescarias.





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electronic work or group of works on different terms than are set
forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark.  Contact the
Foundation as set forth in Section 3 below.

1.F.

1.F.1.  Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable
effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread
public domain works in creating the Project Gutenberg-tm
collection.  Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic
works, and the medium on which they may be stored, may contain
"Defects," such as, but not limited to, incomplete, inaccurate or
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property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a
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of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project
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LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE
PROVIDED IN PARAGRAPH F3.  YOU AGREE THAT THE FOUNDATION, THE
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LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR
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with this agreement, and any volunteers associated with the production,
promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
that arise directly or indirectly from any of the following which you do
or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.


Section  2.  Information about the Mission of Project Gutenberg-tm

Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
electronic works in formats readable by the widest variety of computers
including obsolete, old, middle-aged and new computers.  It exists
because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
people in all walks of life.

Volunteers and financial support to provide volunteers with the
assistance they need, is critical to reaching Project Gutenberg-tm's
goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
remain freely available for generations to come.  In 2001, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
and the Foundation web page at https://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
Foundation

The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
Revenue Service.  The Foundation's EIN or federal tax identification
number is 64-6221541.  Its 501(c)(3) letter is posted at
https://pglaf.org/fundraising.  Contributions to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
permitted by U.S. federal laws and your state's laws.

The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
throughout numerous locations.  Its business office is located at
809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
business@pglaf.org.  Email contact links and up to date contact
information can be found at the Foundation's web site and official
page at https://pglaf.org

For additional contact information:
     Dr. Gregory B. Newby
     Chief Executive and Director
     gbnewby@pglaf.org


Section 4.  Information about Donations to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation

Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
spread public support and donations to carry out its mission of
increasing the number of public domain and licensed works that can be
freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
particular state visit https://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including including checks, online payments and credit card
donations.  To donate, please visit: https://pglaf.org/donate


Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart was the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

     https://www.gutenberg.org

This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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